O dólar encerrou a quinta-feira (15) em queda de 0,61%, cotado a R$ 5,3684, interrompendo uma sequência de três altas consecutivas. Apesar do recuo no dia, no acumulado do ano a moeda norte-americana ainda apresenta desvalorização de 2,20%.
A sessão foi marcada por maior entrada de recursos no mercado brasileiro, enquanto no cenário externo o dólar manteve ganhos frente às divisas fortes. Na B3, às 17h03, o contrato de dólar futuro para fevereiro, o mais negociado no país, recuava 0,56%, aos R$ 5,3875.
Na véspera, a moeda havia fechado em alta de 0,47%, a R$ 5,4012. No mercado à vista, o dólar comercial terminou o dia com compra a R$ 5,367 e venda a R$ 5,368.
Antes da abertura dos negócios, o Banco Central anunciou a liquidação extrajudicial da Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, rebatizada de CBSF, gestora ligada às fraudes do Banco Master, também em liquidação. Em nota, o BC informou que a medida ocorreu “por graves violações às normas” do sistema financeiro. Profissionais ouvidos pela Reuters afirmaram, no entanto, que o episódio não teve impacto relevante sobre os preços.
Durante a manhã, o dólar operou próximo da estabilidade frente ao real. No período da tarde, a moeda passou a recuar com a percepção de fluxo positivo para o Brasil, em meio a um ambiente externo mais favorável e à queda inesperada nos pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos.
Em entrevista à Reuters, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, afirmou que não pretende demitir Jerome Powell, chefe do Federal Reserve, apesar de uma investigação criminal conduzida pelo Departamento de Justiça. “Não tenho nenhum plano para fazer isso”, disse Trump ao ser questionado sobre a possibilidade de afastamento.
Trump também declarou que a Ucrânia, e não a Rússia, estaria impedindo um acordo de paz e mencionou a possibilidade de intervenção em apoio a manifestantes no Irã, ao mesmo tempo em que afirmou que as mortes durante a repressão aos protestos no país estariam diminuindo.
“O dólar recuou hoje no mercado doméstico em meio a um ambiente de apetite renovado por risco no cenário externo, sustentado pela suavização da retórica dos Estados Unidos em relação ao Irã, o que reduziu prêmios geopolíticos incorporados nos ativos durante as últimas semanas”, afirma Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
“A percepção de risco também foi beneficiada pela sinalização de Donald Trump de que não pretende demitir Jerome Powell, preservando a leitura de independência do Federal Reserve, em um contexto de dados econômicos positivos de atividade nos EUA divulgados hoje”, acrescenta.
No exterior, no fim da tarde, o dólar avançava frente às principais divisas fortes, mas recuava ante moedas de países emergentes, como o peso mexicano, o rand sul-africano e a lira turca. Às 17h08, o índice do dólar subia 0,24%, aos 99,312 pontos.
Ainda pela manhã, o Banco Central do Brasil realizou a venda de 50 mil contratos de swap cambial para a rolagem do vencimento de 2 de fevereiro.





