A partir de 2026, diversos destinos da Europa passam a adotar novas taxas e mecanismos de controle voltados ao turismo, em resposta ao crescimento acelerado do número de visitantes nos últimos anos. Itália, França, Espanha, Grécia, Holanda, Islândia e outros países anunciaram mudanças que incluem cobranças adicionais, reajustes de impostos e taxas específicas para acesso a áreas turísticas, com o objetivo de equilibrar o fluxo de viajantes, proteger patrimônios históricos e garantir a sustentabilidade das atividades no longo prazo.
O movimento acompanha uma tendência já observada em destinos que sofrem com o chamado overtourism — fenômeno caracterizado pelo excesso de visitantes, pressão sobre serviços públicos, aumento do custo de vida local e impactos ambientais. As novas regras buscam manter o turismo como motor econômico, sem comprometer a experiência dos moradores e a preservação dos atrativos.
Itália aposta em controle de acesso e tarifas sazonais
Na Itália, a cidade de Veneza lidera as mudanças. A partir de 2026, passa a vigorar a taxa de acesso para visitantes que não pernoitarem no destino. O valor será de €10 para quem reservar a visita com menos de três dias de antecedência ou €5 para quem fizer o cadastro antecipadamente. A cobrança será aplicada em datas específicas, principalmente entre abril e julho, período de maior fluxo.
Hóspedes de hotéis seguem isentos da taxa de entrada, mas deverão realizar um registro prévio para obtenção de um QR Code. Além disso, cidades como Roma e Florença mantêm as taxas de permanência, que podem chegar a €10 por pessoa, por noite, em hotéis de categoria superior.
Holanda eleva impostos e impacta custos de hospedagem
Na Holanda, o aumento do imposto sobre valor agregado (VAT) para hospedagem foi um dos mais expressivos da Europa. A alíquota saltou de 9% para 21%, elevando significativamente o custo final das diárias. Em Amsterdã, a taxa turística local — que já figurava entre as mais altas do continente — pode levar o custo total de impostos a cerca de 30% do valor da hospedagem.
O governo holandês afirma que os recursos serão destinados à melhoria da infraestrutura urbana e à mitigação dos impactos causados pelo turismo de massa.
Grécia cria taxa climática e cobra desembarque em ilhas
A Grécia reformulou sua política de taxas e instituiu a chamada “taxa de resiliência climática”. O valor varia conforme o tipo de hospedagem e a época do ano, podendo chegar a €15 por noite em hotéis de alto padrão durante o verão.
Além disso, passageiros de cruzeiros que desembarcam em destinos muito visitados, como Santorini e Mykonos, passam a pagar uma taxa adicional de até €20. O objetivo é financiar ações ambientais e infraestrutura em áreas pressionadas pelo turismo.
França ajusta taxas para financiar mobilidade
Em Paris e na região da Île-de-France, a taxa turística recebeu um adicional destinado à modernização do transporte público. Em hotéis de categoria superior, o valor pode ultrapassar €15 por noite. A medida está ligada ao financiamento de projetos de mobilidade urbana e à preparação da cidade para grandes eventos internacionais.
Espanha adota modelo regionalizado
Na Espanha, cada região define suas próprias regras. Barcelona aumentou a taxa municipal, enquanto as Ilhas Baleares adotaram tarifas mais altas durante o verão, chegando a €15 por noite em áreas de grande procura. A Comunidade Valenciana também implantou um modelo progressivo, variando conforme o tipo de hospedagem.
Os recursos são destinados, principalmente, a projetos de mobilidade sustentável, preservação ambiental e manutenção de áreas turísticas.
Islândia aposta em cobrança por quilômetro rodado
A Islândia introduziu um sistema inédito de taxação baseado na quilometragem percorrida por veículos alugados. A cobrança substitui impostos sobre combustíveis e busca adaptar o país à crescente frota de carros elétricos. O valor médio varia entre US$ 0,05 e US$ 0,07 por quilômetro rodado, com arrecadação destinada à conservação de estradas e áreas naturais.
Um novo modelo para o turismo europeu
As mudanças refletem uma estratégia comum entre os principais destinos europeus: garantir que o turismo continue sendo uma atividade econômica relevante, sem comprometer a qualidade de vida local nem o patrimônio histórico e ambiental.







