Um voo da Latam Airlines precisou alternar o pouso para o Aeroporto Doutor Leite Lopes, em Ribeirão Preto (SP), na tarde desta quinta-feira (29), após um carregador portátil (power bank) de um passageiro pegar fogo durante o voo. A aeronave havia decolado do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com destino a Brasília.
De acordo com a Rede VOA, concessionária responsável pela administração do aeroporto, a situação foi controlada imediatamente pela tripulação. O pouso ocorreu de forma segura e contou, por precaução, com o acompanhamento das equipes de bombeiros e do serviço médico de plantão do terminal.
Segundo a concessionária, três passageiros passaram mal devido ao nervosismo durante o pouso, receberam atendimento médico em solo e não precisaram ser encaminhados a hospitais. Toda a ocorrência foi acompanhada pelo Centro de Controle Operacional (CCO) da Rede VOA.
A Latam Airlines Brasil informou, em nota, que o voo LA3581 (São Paulo/Congonhas–Brasília) aterrissou em total segurança em Ribeirão Preto “devido a um incidente envolvendo um carregador portátil de um passageiro durante o voo”. Após a adoção das medidas necessárias, a aeronave seguiu viagem para Brasília às 18h30. A companhia reforçou ainda que todos os tripulantes são treinados para lidar com esse tipo de ocorrência e que adota medidas técnicas e operacionais para garantir a segurança de passageiros e funcionários.
Especialista já fez o alerta no Brasilturis
Em agosto, o Brasilturis publicou a matéria “Power bank em voo: especialista alerta para riscos e cuidados a serem tomados”, após um caso registrado em um voo entre São Paulo e Amsterdã, que expôs os perigos do uso inadequado desses dispositivos a bordo.
Na ocasião, Hilton Rayol, especialista em segurança de voo e direito aeronáutico, destacou que power banks, por utilizarem baterias de íon-lítio, são classificados como “artigos perigosos” segundo o Regulamento Brasileiro de Aviação Civil (RBAC 108) e normas internacionais da Icao e da Iata. “Essas baterias concentram muita energia em um espaço pequeno, e, em caso de dano ou falha interna, podem liberar essa energia de forma rápida e descontrolada”, explicou.
O especialista também foi categórico ao afirmar que o transporte do power bank deve ser feito exclusivamente na bagagem de mão, permitindo ação imediata da tripulação em caso de superaquecimento. “É mais seguro na cabine, pois, em caso de superaquecimento, a tripulação pode agir imediatamente, utilizando extintores e kits específicos para baterias”, disse Rayol.
A reportagem ainda detalhou os protocolos de segurança em casos de incêndio a bordo, que incluem desconexão imediata do dispositivo, resfriamento da bateria, isolamento do equipamento e registro da ocorrência junto à área de segurança operacional da companhia aérea.
Para Rayol, além da fiscalização, a conscientização dos passageiros é fundamental. “O brasileiro, de forma geral, não tem uma cultura de segurança”, alertou, defendendo comunicação clara por parte das companhias aéreas e treinamento contínuo das tripulações para evitar que episódios se repitam.

