As restrições propostas ao Electronic System for Travel Authorization (ESTA) podem provocar um forte impacto negativo no turismo dos Estados Unidos, com perdas estimadas de US$ 15,7 bilhões em receitas diretas de visitantes, o equivalente a aproximadamente R$ 78,5 bilhões. O alerta é do World Travel & Tourism Council (WTTC), que também aponta efeitos relevantes sobre o emprego e a economia do país.
Segundo o WTTC, as medidas podem resultar em cerca de 4,7 milhões a menos de chegadas internacionais em 2026, o que representa uma queda de 23,7% no fluxo de turistas provenientes de países atualmente elegíveis ao ESTA. O sistema permite a entrada sem visto de cidadãos de 42 países, em sua maioria europeus, incluindo Portugal.
As perdas nos gastos dos visitantes são estimadas em “até 15,7 mil milhões de dólares”, e, considerando o impacto econômico mais amplo das viagens e do turismo, podem atingir “21,5 mil milhões de dólares”, valor que corresponde a cerca de US$ 21,5 bilhões ou R$ 107,5 bilhões, conforme detalha o Conselho.
A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP) colocou em consulta pública, até 9 de fevereiro, um pacote de atualizações no ESTA com foco no reforço da segurança e da verificação de dados. Entre as principais mudanças em análise estão a migração dos pedidos para uso exclusivo por aplicativo móvel, a exigência de verificação de redes sociais, a coleta ampliada de informações pessoais, como históricos de contatos, dados familiares e biometria, além do envio obrigatório de fotografia tipo “selfie” e a possibilidade de um registro de saída com uso de geolocalização.
O estudo do WTTC foi realizado em diversos países com viajantes de mercados elegíveis ao ESTA e combinado com uma modelagem econômica detalhada, avaliando impactos nas chegadas internacionais, nos gastos dos visitantes, no Produto Interno Bruto (PIB) e no emprego ligado ao turismo nos Estados Unidos. De acordo com o levantamento, 34% dos viajantes internacionais entrevistados afirmaram que teriam menos probabilidade de visitar o país nos próximos dois a três anos caso as mudanças sejam implementadas.
“O nosso estudo mostra que podem ser perdidos mais de 150 mil empregos se esta política for implementada — o mesmo número de empregos normalmente criados a cada trimestre nos Estados Unidos”, afirma Gloria Guevara, CEO do WTTC, em comunicado.
O Conselho lembra ainda que o mercado turístico norte-americano já perdeu 11 milhões de visitantes entre 2019 e 2025. Em 2025, o WTTC estimou que o setor poderia deixar de arrecadar US$ 12,5 bilhões (cerca de R$ 62,5 bilhões), principalmente em função de restrições à imigração e tarifas.
Apesar dos alertas, o turismo segue como um dos pilares da economia dos EUA. Em 2024, o setor contribuiu com US$ 2,6 trilhões (aproximadamente R$ 13 trilhões) para a economia norte-americana, sustentou mais de 20 milhões de empregos e gerou US$ 585 bilhões em receitas fiscais anuais, cerca de R$ 2,9 trilhões, o equivalente a quase 7% de toda a arrecadação do governo federal.







