O espaço Conheça o Brasil, do Ministério do Turismo, sediou um dos debates mais representativos da COP30, em Belém. O painel Patrimônio Cultural e Turismo: Convergências para um Turismo Resiliente às Mudanças Climáticas reuniu lideranças indígenas, gestores públicos e especialistas para discutir como cultura, território e políticas de adaptação orientam o futuro do turismo responsável na Amazônia.
Bruno Máximo, arqueólogo do Ministério do Turismo, mediou o encontro e afirmou que “o patrimônio cultural material, imaterial e territorial compõe a identidade dos povos e precisa ser ouvido para orientar ações que realmente protejam seus modos de vida”.
Sandra Gomes, liderança indígena do povo Baré, descreveu o modelo de turismo de base comunitária desenvolvido no Alto Rio Negro, com foco na pesca esportiva sustentável do tucunaré. Segundo ela, a adoção de energia solar nos acampamentos representa um avanço importante. “A substituição dos motores a diesel reduz os impactos ambientais e fortalece o trabalho das comunidades”, disse. Sandra ressaltou também que o turismo organizado “resgata cultura, valoriza práticas ancestrais e reforça a proteção da agrobiodiversidade que preservamos há séculos”, afirma.
Vanda Witoto, diretora do Instituto Witotom, trouxe a experiência do Parque das Tribos, primeiro território indígena reconhecido dentro de Manaus. Ela destacou a relevância do trabalho realizado com moda ancestral, gastronomia, arte e turismo educativo. “Mesmo na cidade, mantemos nossos rituais, tempos e modos de vida. O turismo precisa respeitar isso e ser construído junto com a comunidade”, pontuou.
Cristina Vasconcelos, superintendente do Iphan no Pará, reforçou a importância de discutir cultura, turismo e clima na região. Para ela, “conectar o mundo às realidades amazônidas é essencial para entender os impactos das mudanças climáticas sobre os povos e territórios”. Cristina explicou que o trabalho do Iphan envolve a salvaguarda de bens materiais, imateriais e arqueológicos em permanente diálogo com comunidades tradicionais.
Já Marcus Ataíde, diretor de Desenvolvimento Urbano da Prefeitura de Belém, destacou que áreas como o Mercado Ver-o-Peso exigem projetos que combinem preservação arquitetônica, adaptação climática e ordenamento turístico. “Planejar cidades amazônicas é considerar patrimônio, clima e as comunidades que vivem nesses territórios”, afirmou.
Enquanto Ana Cláudia Costa, assessora especial para Transição Econômica Verde do Governo do Pará, avaliou que o turismo cultural e comunitário pode enfrentar desafios históricos da região. “O turismo gera renda e fortalece a identidade cultural, algo essencial para um projeto amazônico de futuro”, alega.

