O Paquistão suspendeu, desde 1º de janeiro de 2026, o programa gratuito “Visa Prior to Arrival” (VPA), que permitia a cidadãos de 126 países obter visto turístico ou de negócios sem custo antes da chegada ao país. A informação foi confirmada após a retirada do sistema do portal oficial de vistos eletrônicos do governo paquistanês, sem que houvesse, até o momento, comunicado público esclarecendo os motivos da decisão ou se a medida é temporária ou definitiva.
Embora o VPA ainda apareça no aplicativo móvel “Pak ID”, lançado em fevereiro de 2025, qualquer tentativa de solicitação redireciona o usuário ao Pakistan Online Visa System (POVS), com a orientação para solicitar o visto “under the appropriate visa category”. Na prática, isso significa o retorno ao e-Visa padrão, que é pago e envolve um processo mais burocrático.
Criado em agosto de 2024, o “Visa Prior to Arrival” era considerado um dos pilares da estratégia do governo para impulsionar o turismo e a atratividade econômica do país. O programa concedia visto gratuito, válido por até 90 dias, com múltiplas entradas, por meio de um processo simplificado e com aprovação rápida, geralmente entre 24 e 48 horas.
Com a suspensão, cidadãos dos seguintes 126 países e territórios passam a precisar do e-Visa pago:
Europa: Albânia, Andorra, Áustria, Belarus, Bélgica, Bósnia e Herzegovina, Bulgária, Croácia, República Tcheca, Dinamarca, Estônia, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Islândia, Irlanda, Itália, Kosovo, Letônia, Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Moldávia, Montenegro, Países Baixos, Macedônia do Norte, Noruega, Polônia, Portugal, Romênia, Rússia, San Marino, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Suécia, Suíça, Ucrânia e Reino Unido.
África: Argélia, Angola, Benim, Camarões, Comores, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Djibuti, Egito, Etiópia, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Quênia, Madagascar, Maláui, Maurício, Mauritânia, Marrocos, Moçambique, Nigéria, Ruanda, Senegal, Seychelles, Serra Leoa, África do Sul, Sudão do Sul, Tanzânia, Togo, Tunísia, Uganda, Zâmbia e Zimbábue.
Ásia: Azerbaijão, Bahrein, Bangladesh, Butão, Brunei, Camboja, China, Indonésia, Irã, Iraque, Japão, Jordânia, Cazaquistão, Quirguistão, Kuwait, Líbano, Malásia, Maldivas, Mianmar, Nepal, Omã, Filipinas, Catar, Arábia Saudita, Singapura, Coreia do Sul, Sri Lanka, Tajiquistão, Tailândia, Turquia, Turcomenistão, Uzbequistão e Vietnã.
Américas: Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Equador, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru e Estados Unidos.
Oceania: Austrália e Nova Zelândia.
As taxas variam conforme a nacionalidade. Cidadãos da União Europeia, por exemplo, pagam US$ 35 por um visto turístico de entrada única com validade de três meses, enquanto nacionais dos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido pagam US$ 60. Outros valores se aplicam de acordo com o país de origem.
Além do custo, o novo processo é mais demorado e complexo. O governo indica que a análise do e-Visa turístico pode levar até sete dias úteis. O formulário, antes limitado a cerca de 20 perguntas no VPA, agora exige informações adicionais, como comprovante de hospedagem, aproximando-se das regras vigentes antes de 2024.
Quando o programa foi lançado, o primeiro-ministro Shehbaz Sharif destacou que a flexibilização das regras de visto tinha como objetivo fortalecer o turismo e atrair investimentos estrangeiros. À época, o ministro federal da Informação, Attaullah Tarar, ressaltou a redução da burocracia e dos atrasos administrativos. A suspensão silenciosa do “Visa Prior to Arrival”, contudo, contrasta com esses compromissos iniciais e afeta viajantes e o trade turístico de diversas regiões do mundo.

