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Matheus Alves
Matheus Alves
Repórter - E-mail: matheus@brasilturis.com.br

Ações da Azul caem mais de 70% após conversão de dívidas em papéis

Desvalorização das ações da Azul ocorre após emissão bilionária de ações no contexto do Chapter 11 nos Estados Unidos

As ações da Azul Linhas Aéreas tiveram desvalorização superior a 70% nesta quinta-feira (8). No acumulado dos últimos cinco dias, a queda chega a cerca de 90%, movimento associado à reestruturação financeira da companhia e não a problemas operacionais.

A variação ocorre no contexto do plano de recuperação judicial da Azul, no qual parte das dívidas financeiras está sendo convertida em ações. Com isso, credores deixam de receber juros e passam a integrar a base acionária da empresa. Para viabilizar essa conversão, a companhia lançou uma oferta de R$ 7,4 bilhões em ações ordinárias, com direito a voto, e preferenciais, sem direito a voto.

O aumento expressivo no número de ações em circulação provocou a redução do preço unitário dos papéis negociados em bolsa. Segundo comunicado divulgado em dezembro, quando a operação foi anunciada ao mercado, o objetivo da oferta é capitalizar a companhia por meio da “troca obrigatória de dívidas financeiras”.

Foram emitidas 723,9 bilhões de ações ordinárias da Azul e o mesmo volume de ações preferenciais, comercializadas em lotes de mil e 10 mil papéis. Na avaliação da empresa, a medida contribui para reduzir o endividamento e viabilizar a reorganização financeira.

A Justiça dos Estados Unidos aprovou o plano de reorganização da Azul em dezembro de 2025, marcando mais uma etapa do processo de recuperação judicial. “Essa decisão reforça a consistência geral da reestruturação proposta, permitindo que a companhia avance para as próximas fases de implementação”, informou a empresa em comunicado divulgado em 12 de dezembro.

A Azul entrou com pedido de proteção sob o Capítulo 11 da Lei de Falências dos Estados Unidos, conhecido como Chapter 11, em maio de 2025. O mecanismo estabelece condições para a reorganização das obrigações financeiras e operacionais da companhia.

Segundo a empresa, a decisão foi motivada pelos impactos da pandemia de Covid-19, somados a pressões macroeconômicas e setoriais que elevaram o nível de endividamento. “Em meio à instabilidade econômica e política no Brasil, a companhia adotou diversas medidas de reestruturação e captação de recursos entre 2020 e 2025, culminando no protocolo do Chapter 11 em maio de 2025”, declarou a companhia.

A Azul não é a primeira companhia aérea brasileira a recorrer ao Chapter 11. Gol e Latam também passaram por processos semelhantes. A Latam concluiu sua reestruturação em 2022, enquanto a Gol encerrou o procedimento em junho de 2025. No caso da Azul, a expectativa é finalizar o processo ainda em 2026.

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