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Matheus Alves
Matheus Alves
Repórter - E-mail: matheus@brasilturis.com.br

Debate sobre tabelamento de preços nas praias do Rio ganha apoio de banhistas

Variação de valores para guarda-sóis, cadeiras e alimentos reacende discussão sobre regras e fiscalização no comércio à beira-mar no Rio de Janeiro.

A discussão sobre o tabelamento de preços nas praias do Rio de Janeiro ganhou força após relatos recorrentes de banhistas sobre cobranças consideradas abusivas em itens básicos como guarda-sóis, cadeiras e água de coco. Em meio à alta temporada de verão e a temperaturas próximas dos 40 °C, frequentadores relatam variações significativas de valores em barracas localizadas a poucos metros umas das outras, cenário que tem gerado apoio à proposta da prefeitura de estabelecer regras mais claras para o comércio à beira-mar.

Em praias como Copacabana e Arpoador é possível encontrar casos em que o aluguel de um guarda-sol custa R$ 25 em uma barraca e R$ 50 em outra próxima, diferença de 100% pelo mesmo serviço. Segundo banhistas, a falta de padronização dificulta o planejamento de gastos, sobretudo para turistas e moradores da Região Metropolitana.

No último domingo (11), a recepcionista Maria Luíza Oliveira, de 20 anos, esteve em Copacabana após sair de São João de Meriti com o namorado. Sem equipamentos próprios, o casal precisou recorrer aos serviços locais. “Já vimos guarda-sol aqui por R$ 25 e por R$ 50, o dobro do preço. Com o tabelamento, a gente não precisaria ficar procurando”, afirmou Maria Luíza, que diz tentar pagar no máximo R$ 30 pelo aluguel.

Situação semelhante foi relatada pela esteticista Thaís Lima, de 26 anos, que frequentou o Arpoador no sábado (10) e no domingo (11). Segundo ela, a cobrança de R$ 50 por um guarda-sol se tornou comum nos dias de calor intenso. “Com 40 °C, quem não vai pagar por um guarda-sol? Eles se aproveitam disso”, disse.

A amiga Cássia Agostini, de 33 anos, também apontou variações no preço das cadeiras, que passaram de R$ 12 em um dia para R$ 20 no seguinte, na mesma praia. Para ela, os valores parecem ser definidos sem critério fixo, o que leva muitos banhistas a levar cadeiras, alimentos e bebidas de casa para evitar gastos elevados.

De acordo com a Prefeitura do Rio de Janeiro, as regras atuais já determinam que os barraqueiros exibam tabelas visíveis com os preços de todos os produtos. A administração municipal reconhece, no entanto, que a exigência nem sempre é cumprida, especialmente em áreas com grande fluxo turístico. Após o prefeito Eduardo Paes mencionar a possibilidade de estudar o tabelamento de preços, o tema passou a ser debatido por concessionárias e associações do setor.

A concessionária Orla Rio, responsável pela gestão da maioria dos quiosques, se posicionou contra a padronização ampla. Segundo João Marcello Barreto, presidente da empresa, a atividade segue a lógica de mercado e estruturas com serviços diferenciados não poderiam ser equiparadas a operações mais simples.

Ele reconhece, porém, que cobranças abusivas, como valores que chegam a R$ 800 por estruturas de praia, costumam envolver consumo mínimo, prática proibida pelo Código de Defesa do Consumidor e pelos contratos de concessão. “O consumidor pode acionar o Procon e registrar a ocorrência nos nossos canais. Mantemos vigilância rigorosa e constante”, afirmou.

Já a Praia S/A, associação que representa cerca de 500 barraqueiros da Barra da Tijuca e do Recreio, declarou apoio ao tabelamento, desde que a categoria participe das discussões. Para Eduardo Silva de Andrade, presidente da entidade, apesar dos custos mais altos de operação na orla, preços abusivos precisam ser combatidos para garantir maior equilíbrio na relação com os clientes.

A variação de valores também atinge alimentos e bebidas. Em Copacabana, um coco gelado pode custar R$ 8 em um depósito a um quarteirão da praia, subir para R$ 13 no calçadão e voltar a R$ 8 alguns metros adiante. Em promoções, a diferença é ainda maior, com ofertas de dois cocos por R$ 15 em uma barraca e R$ 25 em outra próxima.

O debate ocorre paralelamente a outras medidas de ordenamento adotadas pela prefeitura, como as novas regras de funcionamento da Pedra do Arpoador. Desde 3 de janeiro, o local passou a operar das 4h às 21h, em modelo semelhante ao de um parque público. A mudança tem sido bem recebida por frequentadores. “Estranhamos no início, mas aprovo a medida. O espaço ficou mais organizado”, comentou Maria Luíza Oliveira.

Para banhistas e turistas, tanto o controle de acesso quanto a discussão sobre o tabelamento de preços refletem uma demanda crescente por mais transparência, previsibilidade e organização nas praias do Rio de Janeiro, especialmente em períodos de grande movimento.

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