Com a chegada das férias de verão, cresce o interesse dos brasileiros por viagens que vão além do lazer tradicional. A busca por roteiros culturais e experiências ligadas à história e à identidade do país tem impulsionado o afroturismo, segmento que ganha cada vez mais espaço no cenário nacional. Segundo levantamento do Ministério do Turismo, realizado em 2024, o turismo cultural e histórico representou 5% da preferência dos viajantes, enquanto segmentos como natureza, ecoturismo, saúde, bem-estar e turismo religioso também registraram crescimento.
Nesse contexto, os roteiros afroturísticos despontam como alternativa para quem deseja conhecer o Brasil sob uma perspectiva mais profunda, conectada à memória, à ancestralidade e às contribuições da população negra para a formação do país. A proposta tem atraído turistas de diferentes perfis, interessados em experiências que combinam cultura, educação e vivência local.
De acordo com Carlos Humberto, CEO da Diaspora.Black, startup especializada em experiências afrocentradas, o afroturismo amplia o olhar sobre o território brasileiro. “O afroturismo vai além do turismo tradicional ao permitir que visitantes de diferentes idades e culturas conheçam o Brasil a partir de narrativas construídas por quem vive, preserva e fortalece esses territórios, valorizando a memória, a cultura, a ancestralidade e o protagonismo negro”, afirma.
Destinos que valorizam a herança africana
Em diferentes regiões do país, os roteiros afroturísticos vêm se consolidando como alternativas relevantes durante o período de férias. Na Bahia, Salvador se destaca com o Roteiro Afro do Pelourinho, que percorre igrejas, museus, terreiros e espaços históricos ligados à cultura afro-brasileira, além de circuitos que exploram manifestações culturais e religiosas de matriz africana.
No Nordeste, Recife apresenta o Circuito Afro-Recife, que inclui o Recife Antigo e espaços culturais relacionados às tradições afro-pernambucanas. Já em São Luís, no Maranhão, o Roteiro Tambor, Memória e Cultura Negra reúne visitas a centros históricos, manifestações populares e pontos ligados à herança africana na formação da cidade.
Em Minas Gerais, Ouro Preto abriga o Roteiro da Presença Negra, que destaca a contribuição da população negra no desenvolvimento histórico da região por meio de museus, arquivos e circuitos guiados que abordam o período colonial e a resistência cultural.
Capitais também entram no circuito
Em São Paulo, os roteiros afroturísticos mais procurados passam pelo Marco Zero da cidade e pela Casa de Capoeira do Mestre Ananias, espaços que evidenciam a presença negra na construção da capital paulista e sua influência cultural ao longo do tempo.
No Rio de Janeiro, os percursos mais buscados incluem a Pedra do Sal — considerada berço do samba e símbolo da diáspora africana —, o Museu do Samba e o Arco do Teles, no Centro Histórico. Os locais reúnem música, memória e história urbana, atraindo turistas interessados em compreender a formação cultural da cidade.
Experiências que conectam passado e presente
Para a Diaspora.Black, o crescimento do afroturismo reflete uma mudança no perfil do viajante, que busca experiências mais significativas e alinhadas à valorização da diversidade cultural. Segundo Carlos Humberto, os roteiros são desenvolvidos a partir de estudos aprofundados sobre cada território.
“Nossos roteiros são feitos a partir de um estudo que envolve toda da história do local. Nossa intenção é levar o afroturismo como uma forma de reconectar pessoas à história viva do Brasil, promovendo experiências que mantém a identidade cultural, estimulam o desenvolvimento dos territórios e ampliam o reconhecimento da contribuição negra para a formação do país”, finaliza o CEO.





