Após um ano marcado por forte desempenho do turismo, Minas Gerais inicia 2026 com perspectivas positivas para a hotelaria de lazer. Levantamento realizado pela Associação Mineira de Hotéis de Lazer (AMIHLA) indica que a ocupação média projetada para o mês de janeiro é de 55,41%, com possibilidade de atingir picos de até 70% em períodos de maior demanda ao longo do mês.
De acordo com Alexandre Santos, presidente da AMIHLA, os números refletem um comportamento mais cauteloso do consumidor no início do ano, influenciado principalmente pelo contexto econômico e pela concentração de despesas típicas do período, como impostos, material escolar e compromissos financeiros acumulados. A esse cenário soma-se o forte ciclo de chuvas registrado no começo de 2026, que também impacta diretamente a decisão de viagem, sobretudo em destinos de lazer ao ar livre.
Ainda assim, a expectativa do setor é de evolução gradual da demanda ao longo do mês. “Apesar de um início mais cauteloso, a projeção para janeiro é positiva. Com a melhora do clima, o avanço do período de férias e a normalização do fluxo financeiro das famílias após os compromissos do começo do ano, observamos uma tendência consistente de crescimento da procura, especialmente na segunda quinzena”, afirma Santos.
Para estimular o consumo turístico e ampliar o tempo de permanência dos hóspedes, hotéis associados à AMIHLA têm investido em estratégias diferenciadas. Entre as iniciativas estão a tematização de ambientes, programação recreativa, atrações voltadas ao público infantil, experiências gastronômicas e a realização de shows e atividades culturais. O objetivo é tornar os destinos mais competitivos durante as férias e agregar valor à experiência do visitante.

Um dos principais destaques do levantamento é a região de Diamantina, que apresenta expectativa de ocupação de até 80% em janeiro, índice considerado elevado para o período. O desempenho reforça a força do destino, reconhecido nacionalmente por seu patrimônio histórico, oferta cultural e capacidade de atrair turistas ao longo de todo o ano. “Diamantina é um destino consolidado, com identidade turística muito bem definida, o que explica índices acima da média estadual”, avalia o presidente da entidade.
O cenário positivo para janeiro é sustentado, ainda, pelo excelente desempenho do Réveillon. Na virada do ano, a ocupação média dos hotéis de lazer em Minas Gerais atingiu 98,63%, com diversos empreendimentos operando em ocupação máxima. O resultado representa crescimento de dois pontos percentuais em relação ao ano anterior e consolida o Ano Novo como uma das datas mais relevantes do calendário turístico mineiro.
Segundo Santos, o desempenho do Réveillon manteve o mercado aquecido do ponto de vista comercial e contribuiu para projeções mais favoráveis não apenas para janeiro, mas para o restante de 2026. Ele destaca que o calendário do ano apresenta oportunidades importantes para o turismo de lazer, com a presença de dez feriados nacionais, fator que tende a estimular viagens de curta duração e a distribuir melhor a demanda ao longo do ano.
Apesar das perspectivas positivas, o dirigente ressalta que 2026 será um ano atípico, influenciado por variáveis que historicamente impactam o turismo, como a realização da Copa do Mundo e o processo eleitoral, além do cenário econômico nacional e internacional. “O desempenho do setor estará diretamente ligado à estabilidade econômica, política e ao nível de confiança do consumidor”, afirma.
Diante desse contexto, a AMIHLA avalia que o momento exige planejamento estratégico, capacidade de adaptação e ações comerciais bem direcionadas por parte dos empreendimentos. Como parte dessa estratégia, a entidade prepara mais uma edição do Congresso AMIHLA Desafios da Hotelaria, que acontecerá nos dias 27 e 28 de maio, no Centerminas Expo, em Belo Horizonte. O evento reunirá hoteleiros e lideranças do setor para debater gestão, inovação, tendências e os rumos da hotelaria de lazer em Minas Gerais.





