O Ministério Público do Rio de Janeiro solicitou à Justiça a inclusão de João Ricardo Rangel Mendes, ex-CEO da Hurb, na lista vermelha da Interpol. O pedido, apresentado na sexta-feira (9), também inclui o bloqueio do passaporte do empresário, que está foragido desde a última quarta-feira, após ter a prisão preventiva decretada no estado do Rio de Janeiro.
A solicitação ocorre após o descumprimento de medidas cautelares impostas quando Mendes obteve liberdade provisória, em agosto de 2025. A nova decisão judicial foi assinada por André Felipe Veras de Oliveira, juiz da 32ª Vara Criminal da capital fluminense, que considerou haver risco concreto à ordem pública diante da conduta do réu.
Segundo o magistrado, relatórios da Secretaria de Administração Penitenciária indicam reiteradas violações no monitoramento eletrônico. Mendes foi flagrado no início da semana tentando embarcar em um voo no Aeroporto Regional de Jericoacoara, no Ceará, utilizando documento falso e com a tornozeleira eletrônica descarregada, situação que motivou o novo pedido de prisão.
Ao justificar a decisão, o juiz afirmou que “o deferimento da liberdade, ainda que com imposição de medidas cautelares alternativas à prisão, não pode servir como oportunidade para a prática de novos crimes”, acrescentando que o uso de documento falso evidencia a necessidade de retorno ao cárcere.
Diante da ausência de informações sobre o paradeiro do empresário, a Justiça determinou a comunicação às forças policiais para cumprimento do novo mandado de prisão. O pedido de inclusão na lista vermelha da Interpol amplia o alcance da busca internacionalmente, permitindo a cooperação entre autoridades de diferentes países.
A defesa de João Ricardo Mendes, representada por Vicente Ramos Donnici, sustenta que não houve descumprimento das medidas cautelares. Segundo o advogado, o empresário não teria ultrapassado o limite de 30 dias fora do Rio de Janeiro sem autorização judicial e não há comprovação de que o desligamento da tornozeleira tenha ocorrido de forma intencional. A defesa informou que irá recorrer da decisão.
Mendes ganhou projeção nacional durante a crise enfrentada pela Hurb, marcada pelo cancelamento de milhares de viagens comercializadas pela empresa. Em abril de 2025, ele foi preso em flagrante por furto de obras de arte e outros objetos no Rio de Janeiro, permanecendo em prisão preventiva por cerca de três meses antes da concessão da liberdade provisória.





