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Eixo, estratégia e visão de longo prazo

Ricardo Hida
Ricardo Hida
CEO da Promonde, formado em Administração e pós-graduado em Comunicação.

O ano de 2026 já desponta no horizonte do turismo como um período intenso, fragmentado e, ao mesmo tempo, repleto de possibilidades. Um calendário marcado por muitos feriados, pela Copa do Mundo e por eleições cria um ambiente fértil para deslocamentos, consumo cada vez mais simbólico, por meio de experiências inusitadas, mas também impõe desafios relevantes à previsibilidade, à gestão de fluxo e à tomada de decisões estratégicas.

Em anos assim, o risco maior não está na escassez de oportunidades, mas no excesso de ruído. O turismo, especialmente em seus segmentos corporativo, de lazer premium e de experiências, será constantemente provocado a reagir a estímulos externos: agendas políticas, oscilações de humor do mercado, narrativas efêmeras nas redes sociais e tendências que nascem e morrem em questão de semanas. Seguir tudo isso sem filtro pode custar caro.

Por isso, 2026 exige um olhar mais fresco, sem emoção e sem pressa. Mais criativo, sim, mas nada impulsivo.

Criatividade, aqui, não é improviso, mas a capacidade de ler o contexto com inteligência, combinar dados com sensibilidade e desenhar soluções que façam sentido no médio e no longo prazo.

Em vez de apenas “surfar trends”, o que pode ser percebido como infantil, frágil, desorientado e oportunista, será fundamental compreender quais movimentos são estruturais e quais são apenas ondas passageiras.

A abundância de feriados, por exemplo, pode ser vista como um convite automático para a alta abusiva de preços no lazer, como ocorreu com as companhias aéreas, que se tornaram inimigas dos turistas, ou para a redução de margens de lucro, no caso de hotéis que vivem do corporativo. A Copa do Mundo mobiliza emoções, viagens e consumo, mas também desloca prioridades e orçamentos. Apostar nela raramente dá certo; a história nos prova. As eleições trazem incertezas, discursos polarizados e decisões adiadas. Tudo isso pede menos reação emocional e mais racionalidade estratégica.

Talvez o maior aprendizado para 2026 seja a importância da pausa. Pausa para refletir, para revisar posicionamentos, para alinhar propósito e produto. Pausa para voltar ao eixo. Em um mercado cada vez mais acelerado, quem consegue sustentar coerência, clareza de identidade e consistência de entrega constrói perenidade, e não apenas bons resultados pontuais.

O turismo sempre foi um setor sensível ao tempo histórico. Ele reage ao mundo, mas também o interpreta.

Em 2026, mais do que nunca, vencerá quem souber equilibrar movimento e estabilidade: inovar sem perder essência, comunicar sem ruído excessivo, crescer sem abrir mão de visão de longo prazo. Nada de emoção, posicionamento político ou ilusões. Menos surfe, mais navegação.

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