Com previsão de movimentar R$ 218,77 bilhões em volume de negócios entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, segundo estimativa da Confederação Nacional do Comércio (CNC), o turismo brasileiro atravessa um período de forte desempenho. Esse cenário positivo também tem reflexos diretos na indústria náutica, que projeta um primeiro semestre movimentado e vê no Rio Boat Show 2026 uma oportunidade estratégica para ampliar negócios.
A combinação entre demanda elevada por viagens e o protagonismo do turismo de sol e praia nas escolhas dos viajantes tem ampliado o interesse por experiências de lazer no mar. Nesse contexto, cresce o número de pessoas interessadas na compra da primeira embarcação, ao mesmo tempo em que ganham espaço serviços de charter (aluguel) e modelos de propriedade compartilhada. Essas modalidades estarão entre os destaques do Rio Boat Show, marcado para acontecer de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória, no Rio de Janeiro.
Promovido pelo Grupo Náutica, o evento é considerado o maior salão náutico da América Latina e tradicionalmente abre o calendário brasileiro de feiras do setor. A expectativa é reunir fabricantes, fornecedores, investidores e entusiastas em torno de novidades tecnológicas, novos projetos e oportunidades de negócios.
Para a diretora do Grupo Náutica, Thalita Vicentini, o momento vivido pela indústria está diretamente ligado ao crescimento do turismo e à diversificação das formas de acesso ao universo náutico. “Os boat shows brasileiros são responsáveis pela geração de mais de 70% das vendas de barcos novos no país. O que vemos agora é mais pessoas adeptas à náutica, voltadas para as águas, impulsionado pelo turismo: o barco integra a uma cadeia de serviços, tornando o navegar cada vez mais acessível. O Rio Boat Show 2026 chega para consolidar esse momento, e vai oferecer uma ampla diversidade de produtos, serviços e inovações para um mercado que não para de crescer”, analisa.
O cenário também encontra terreno fértil no Rio de Janeiro, considerado um dos principais cartões-postais da náutica nacional. Informações da Prefeitura do Rio e da Riotur indicam que apenas a capital fluminense deverá movimentar mais de R$ 12,8 bilhões durante a alta temporada do verão de 2026, número que representa crescimento de 18% em relação ao período anterior.
Outro indicador que acompanha esse movimento é o desempenho da hotelaria. Em diferentes momentos da temporada, a taxa de ocupação na cidade ultrapassou os 90%, enquanto destinos próximos, como a Região dos Lagos, operaram com capacidade praticamente completa. “O mar se tornou o principal cenário na experiência do visitante”, reforça Thalita.
O conceito “Beach Club” e decks expansíveis
Entre as tendências identificadas pelo Grupo Náutica para a edição de 2026 está o avanço de projetos que aproximam ainda mais os barcos do ambiente natural. Em diversas embarcações lançadas recentemente — sobretudo na categoria entre 40 e 60 pés — os fabricantes têm investido na eliminação de barreiras entre cockpit e mar.
Modelos com design walkaround, que permite circulação completa ao redor do convés, e plataformas laterais hidráulicas estão cada vez mais presentes. Quando abertas, essas varandas ampliam a área útil da popa e transformam a embarcação em uma espécie de ilha flutuante, característica bastante valorizada por quem busca passar o dia ancorado em praias ou enseadas.
Motores inteligentes e maior eficiência
Outra frente de inovação envolve sistemas de propulsão e controle. Os motores mais recentes chegam ao mercado acompanhados de plataformas eletrônicas avançadas capazes de monitorar o desempenho da embarcação em tempo real.
Sensores e softwares de gerenciamento contribuem para maior eficiência energética, melhor autonomia e mais segurança durante a navegação. Ao mesmo tempo, soluções de pilotagem assistida — como joysticks e telas sensíveis ao toque — tornam as manobras e atracações mais simples, inclusive para quem está iniciando no universo náutico.
Lanchas que valorizam a convivência
O design das lanchas também tem acompanhado a mudança de comportamento do público. Modelos de proa aberta, por exemplo, ganham destaque por priorizarem a convivência e a utilização das áreas externas.
Com solários ampliados, assentos modulares e maior fluidez na circulação, essas embarcações favorecem passeios diurnos, paradas em praias e encontros sociais a bordo. A proposta dialoga diretamente com um estilo de vida ao ar livre que vem atraindo novos perfis de consumidores para o setor.

