Portos projetam novos terminais e investimentos milionários para ampliar cruzeiros no Brasil

Projetos em Paranaguá e Itajaí avançam, enquanto setor cobra redução de custos, segurança jurídica e melhorias de infraestrutura

Maurício Herschander
Maurício Herschander
Repórter - E-mail: mauricio@brasilturis.com.br

Brasília (DF) – A infraestrutura portuária ganhou espaço no 8º Fórum Clia Brasil, realizado nesta quarta-feira (26), em Brasília (DF), com a apresentação de novos terminais, projetos de expansão e investimentos destinados à operação de cruzeiros no País. Durante o painel “Portos Brasileiros – novos terminais de passageiros e investimentos: O retrato da indústria e o impacto dos cruzeiros na economia brasileira”, representantes de Paranaguá (PR), Itajaí (SC), terminais privados e entidades do setor detalharam projetos que somam centenas de milhões de reais e apontaram os desafios para tornar o Brasil mais competitivo.

Gabriel Perdonsini Vieira, diretor de Operações Portuárias da Portos do Paraná, apresentou os avanços de Paranaguá desde a retomada das escalas regulares. Segundo o executivo, a primeira temporada contou com 19 escalas, das quais 16 regulares, e abriu caminho para a continuidade das operações. O impacto econômico estimado chegou a R$ 25 milhões no primeiro ano e R$ 20 milhões no segundo.

Os resultados ajudaram a justificar um novo passo: a construção de um terminal de passageiros. Após um investimento inicial de R$ 2,5 milhões no projeto básico, a Portos do Paraná prevê agora mais de R$ 80 milhões para a estrutura. O terminal terá 12 mil metros quadrados, capacidade superior a 5 mil pessoas e outros 10 mil metros quadrados destinados à recepção de veículos.

“Isso coloca Paranaguá de fato na rota dos cruzeiros, não apenas de uma companhia, mas na perspectiva de outras companhias operando simultaneamente”, afirmou Vieira. A expectativa é que a estrutura esteja operacional na temporada 2027/2028. O projeto também prevê, em uma segunda fase, um píer capaz de receber navios com mais de 330 metros.

Itajaí investe R$ 20 milhões em estrutura provisória

Itajaí também prepara mudanças para atender o mercado. Gabriela Kelm, da Secretaria de Turismo e Eventos do município, apresentou o novo receptivo provisório, que terá 3,2 mil metros quadrados em uma estrutura modular. O investimento informado durante o painel é de R$ 20 milhões.

A nova instalação permitirá retirar a operação do atual centro de eventos, equipamento turístico que precisa ser parcialmente destinado aos embarques e desembarques durante a temporada. O receptivo ficará em frente ao Porto de Itajaí, medida que também deve facilitar a mobilidade e os fluxos relacionados aos cruzeiros.

Na última temporada, segundo Kelm, Itajaí registrou 37 escalas e 63 mil passageiros embarcados. A representante municipal estimou um impacto superior a R$ 60 milhões a partir da movimentação dos cruzeiristas.

“Itajaí já provou a operação, agora está construindo a estrutura à altura dela”, declarou. A previsão é que a estrutura esteja pronta no fim de outubro, com período de testes antes da primeira escala, marcada para 25 de novembro.

A solução, porém, será transitória. Giovani Adam Sandri, do Instituto Mais Itajaí e diretor Comercial do Grupo Sandri Hotéis, apresentou o masterplan para o futuro terminal definitivo de cruzeiros. O projeto prevê aproximadamente 33 mil metros quadrados distribuídos em três pavimentos, com os dois primeiros destinados à operação e o último integrado à cidade para utilização ao longo de todo o ano.

O plano contempla ainda um cais de 424 metros, capaz de receber navios de até 365 metros, e Capex estimado em R$ 300 milhões. Uma das propostas centrais é separar as operações de cargas e passageiros, hoje fonte de conflitos logísticos no município.

O Instituto Mais Itajaí investiu R$ 1 milhão no masterplan e defende a antecipação do cronograma previsto no futuro arrendamento do terminal portuário. “A gente não pode perder competitividade. É um fator primordial”, afirmou Sandri.

Custos ainda pressionam terminais

Se os investimentos indicam disposição para ampliar a infraestrutura, Maxwell Rodrigues, diretor Executivo da Aterc, chamou atenção para o outro lado da equação: os elevados custos operacionais enfrentados pelos terminais.

Segundo os números apresentados por Rodrigues, quatro associados da entidade somam cerca de R$ 3 bilhões entre despesas operacionais e investimentos desde suas respectivas concessões. Desse total, 64,5% correspondem a custos de operação.

“O custo é um problema do nosso País e a gente precisa enfrentar e fazer esse enfrentamento juntos”, declarou. O executivo também apontou instabilidade jurídica, mudanças nas regras, falta de infraestrutura e dificuldades de acesso aos portos entre os entraves que precisam ser tratados.

Apesar desse cenário, Rodrigues indicou outros R$ 725 milhões em investimentos futuros nos terminais e chamou atenção para a necessidade de um novo terminal de passageiros em Santos (SP), principal porto de embarque e desembarque de cruzeiristas do Brasil. Para ele, existe disponibilidade de capital, mas ainda são necessários avanços junto ao governo federal para viabilizar o projeto.

O executivo também destacou uma particularidade do modelo brasileiro: os terminais obtêm receitas da operação de cruzeiros durante cerca de seis meses, mas precisam arcar com custos durante todo o ano. Uma oferta maior de navios, em sua avaliação, poderia contribuir para diluir parte dessas despesas e elevar a competitividade do País.

“O terminal de cruzeiros é a casa do navio. Cada vez mais no Brasil a gente está preparando a casa para vocês”, resumiu Rodrigues ao tratar dos investimentos em infraestrutura.

Barra Sul cita evolução após oito anos de operação

Gustavo Bauer, gerente de Operações do Atracadouro Barra Sul, completou o painel com um panorama da evolução da instalação ao longo dos últimos anos. Segundo ele, a estrutura atual representa duas décadas de trabalho e oito anos de operações de cruzeiros.
Bauer destacou que, apesar de possuir dimensões menores que outros terminais brasileiros, o Atracadouro Barra Sul está submetido às mesmas exigências regulatórias e operacionais das grandes instalações. “Nós estamos há oito anos discutindo, estamos há oito anos falando e querendo crescer todo mundo junto”, declarou.

As apresentações mostraram diferentes estágios de desenvolvimento da infraestrutura nacional de cruzeiros. Enquanto Paranaguá prepara um terminal de mais de R$ 80 milhões e Itajaí combina uma solução provisória de R$ 20 milhões com um projeto definitivo estimado em R$ 300 milhões, representantes dos terminais defendem que os aportes sejam acompanhados por redução de custos, previsibilidade jurídica e melhorias no acesso aos portos. O objetivo comum é criar condições para que a expansão física se traduza em mais navios, passageiros e impacto econômico nos destinos brasileiros.

LEIA MAIS NOTÍCIAS

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem, 
necessariamente, a opinião deste jornal

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

MAIS LIDAS

NEWSLETTER

    AGENDA 2026

    REDES SOCIAIS

    PARCEIROS