Durante anos, o turismo teve uma relação simples com a mídia: comprar atenção para gerar desejo. As marcas investiam em campanhas para inspirar, mostrar destinos e convencer as pessoas a transformar uma vontade em uma viagem. Era basicamente isso.
Mas o comportamento mudou e, hoje, a decisão começa muito antes da compra. Ela nasce em uma pesquisa, em uma comparação, em uma recomendação ou em um conteúdo que desperta uma intenção. A viagem não começa no momento da reserva; começa no momento em que alguém imagina aquela experiência.
É justamente nessa mudança que surge uma das maiores oportunidades do marketing no turismo: entender que a própria jornada de compra virou um ativo.
O retail media representa essa evolução. Mais do que uma nova possibilidade de mídia, ele mostra como empresas que sempre estiveram próximas do consumidor no momento da escolha podem transformar dados e comportamento em experiências mais relevantes.
O turismo tem uma vantagem competitiva única nesse cenário. Poucos mercados conseguem identificar sinais tão claros de intenção: destino pesquisado, período desejado, tipo de viagem, perfil do viajante e momento de decisão. Uma pessoa buscando uma viagem não é apenas uma audiência; ela está revelando uma necessidade.
Mesmo assim, grande parte do mercado ainda enxerga mídia apenas como exposição. Continua buscando alcance e volume, quando a grande oportunidade está em criar uma comunicação que acompanhe o consumidor durante a construção da sua decisão.
Um bom exemplo dessa mudança são as grandes plataformas de viagem. Algumas empresas passaram a desenvolver soluções de publicidade conectando marcas aos viajantes em diferentes momentos da jornada. O valor não está apenas em vender uma reserva, mas em entender o contexto daquele consumidor e quais outras experiências podem fazer parte daquela viagem.
Essa é a principal transformação: a marca deixa de aparecer apenas para vender e passa a participar da experiência.
O futuro do marketing no turismo não será definido apenas por quem tem mais verba para comprar mídia, mas por quem consegue transformar informação em relevância.
Porque a próxima disputa do turismo não será por espaço na tela. Será por espaço na decisão do viajante.






