A IA vai escolher sua próxima viagem?

Jonathan Wommer
Jonathan Wommer
Marketing, estratégia e criatividade. MBA em Gestão de projetos USP

E se a próxima grande disputa do turismo não acontecer mais pela atenção do viajante, mas pela recomendação que aparece na tela?

A pergunta parece futurista, mas a mudança já começou. Em vez de abrir diferentes sites, comparar dezenas de opções e montar sozinho um roteiro, o viajante começa a entregar parte desse trabalho para a inteligência artificial. Ele não quer apenas encontrar uma passagem ou um hotel. Quer uma resposta que considere o que procura, quanto pretende gastar e, principalmente, o tipo de experiência que deseja viver.

Isso muda completamente o papel do marketing. Se antes o objetivo era estar presente quando o consumidor pesquisasse, agora será necessário construir relevância suficiente para ser escolhido por um algoritmo que pesquisa por ele.

E os próprios viajantes já estão mostrando essa mudança. Uma pesquisa da Booking.com revela que 63% dos brasileiros utilizaram inteligência artificial no planejamento ou durante viagens em 2025. Para 2026, esse número chega a 80% entre aqueles que pretendem utilizar a tecnologia. Ainda que a maioria use a IA como apoio, e não para tomar a decisão final, o comportamento já começou a mudar. (Booking.com News)

O Google já está avançando nessa direção. Seu AI Mode começa a incorporar recursos específicos para viagens, permitindo pesquisar e comparar voos e hotéis, A SofIA da Decolar consegue acompanhar preços e avançar na reserva sem sair da experiência de busca. A jornada deixa de ser uma sequência de links e começa a se transformar em uma conversa.

E existe uma diferença enorme entre aparecer em uma busca e ser recomendado. Para as marcas de turismo, isso significa repensar conteúdo, reputação, dados e autoridade. Não basta dizer que determinado hotel é excelente ou que um destino é  imperdível. Será preciso construir informações relevantes o suficiente para que uma máquina consiga entender, comparar e, eventualmente, recomendar.

Talvez a próxima fronteira do marketing turístico seja justamente essa. O consumidor mcontinua sendo quem decide, mas a inteligência artificial começa a ganhar um novo papel nessa decisão.

E quando alguém pergunta para uma máquina onde deve passar as próximas férias, a pergunta deixa de ser “como faço para aparecer?”

Passa a ser: “por que ela deveria me escolher?

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