São Paulo (SP) – O 12º Fórum Corporativo Abracorp, realizado nesta quinta-feira (27), em São Paulo, reuniu especialistas para discutir as transformações que devem impactar o futuro das viagens corporativas. Entre os temas abordados estiveram o avanço da inteligência artificial (IA), as mudanças na tomada de decisões e a necessidade de ampliar as estratégias de Duty of Care diante de um cenário marcado por riscos climáticos, geopolíticos, sanitários e cibernéticos. As apresentações foram conduzidas por Daniela Klaiman, membro do Board de IA da Samsung, e Junior Volpato, gerente de Desenvolvimento de Negócios da SOS Internacional.
Inteligência artificial e o futuro das decisões
Daniela destacou que as empresas precisarão adaptar sua forma de pensar diante da velocidade das transformações tecnológicas e das chamadas macroforças, como mudanças climáticas, conflitos geopolíticos, crise de confiança e questões relacionadas à saúde mental. Para o setor de viagens corporativas, segundo a especialista, essas mudanças criam novas demandas dos viajantes, que passam a valorizar principalmente quatro elementos: wellness, conexão, realidade e segurança. A executiva também ressaltou que a tecnologia não deve eliminar a participação humana, mas ampliar a capacidade de análise e execução.
Nesse cenário, Daniela apontou julgamento, inteligência social, criatividade e reputação como características que ganharão importância à medida que a IA assumir tarefas operacionais e cognitivas. A capacidade humana de interpretar contexto, compreender necessidades, criar conexões e transmitir credibilidade será fundamental para diferenciar empresas e experiências. “A gente nunca mais vai ter na nossa mão todas as informações que eu preciso para tomar uma decisão. Não vai. Não vai dar tempo”, afirmou Daniela, ao defender uma mudança na maneira como as empresas tomam decisões.
Outro conceito apresentado foi o de AI First, que prevê uma jornada cada vez mais orientada por ferramentas de inteligência artificial. De acordo com Daniela, os viajantes e gestores tendem a recorrer cada vez mais aos chats de IA para pesquisar destinos, fornecedores e soluções para suas necessidades, tornando essencial que empresas e produtos sejam encontrados nesses ambientes.
A especialista também defendeu uma mentalidade adaptativa, com decisões mais rápidas e disposição para revisar estratégias conforme novas informações surgem. Para o setor corporativo, a mudança representa não apenas uma oportunidade de automação, mas a necessidade de repensar como marcas e serviços se posicionam diante de uma jornada de compra mediada pela IA.
Duty of Care e a antecipação aos riscos
Junior Volpato abordou a evolução dos riscos que afetam os viajantes corporativos e reforçou que o Duty of Care precisa estar baseado na antecipação, e não apenas na resposta a incidentes. Segundo o especialista, os riscos estão surgindo em maior velocidade e de maneira simultânea, combinando fatores como conflitos geopolíticos, eventos climáticos extremos, doenças emergentes, saúde mental, cibersegurança e deslocamentos realizados durante o trabalho remoto.
Dados apresentados durante a palestra indicam que apenas 46% das empresas têm clareza sobre quem deve aprovar uma decisão quando um viajante está exposto a uma intercorrência, enquanto somente 19% sabem claramente quando é necessário escalar um problema.
Volpato ressaltou ainda que as organizações precisam identificar previamente os riscos dos destinos, estabelecer protocolos e garantir capacidade de resposta em situações de emergência. O trabalho, portanto, passa por alertar, treinar e alcançar o viajante, além de manter visibilidade sobre sua localização.
“Não há segurança de 100% em nenhum lugar do mundo. Há coisas acontecendo ao redor do mundo o tempo todo e as pessoas precisam ser informadas”, afirmou.
Entre os riscos destacados, o especialista citou a geopolítica, o clima extremo, doenças emergentes e a cibersegurança. A desinformação também ganhou atenção, especialmente diante do avanço das ferramentas de IA. Segundo os dados apresentados, 42% das organizações relataram ter sido afetadas por informações falsas, enganosas ou insuficientes, enquanto 36% não possuem inteligência oportuna para verificar informações.
Para Volpato, a tecnologia pode acelerar a detecção, análise e priorização de ameaças, mas a decisão final deve continuar sob responsabilidade humana, considerando contexto, credibilidade, vieses e consequências.
IA e risco no mesmo processo
A interseção entre os dois temas está justamente na utilização da inteligência artificial como ferramenta de apoio à gestão de riscos. Enquanto Daniela defendeu a IA como parte de uma nova lógica de tomada de decisão, Volpato destacou sua capacidade de analisar grandes volumes de informações e identificar rapidamente possíveis intercorrências. Em ambos os casos, porém, o fator humano permanece essencial para interpretar os dados, avaliar o contexto e definir a melhor resposta.










