Operadoras projetam segundo semestre positivo e monitoram eleições

Boletim Braztoa aponta reservas acima de 2025, enquanto cenário econômico, geopolítico e conectividade aérea estão no radar

Rafael Destro
Rafael Destro
Redator - E-mail: Rafael@brasilturis.com.br

O segundo semestre de 2026 começa com perspectivas positivas para as operadoras de turismo, mas também com atenção a fatores econômicos, políticos e geopolíticos que podem influenciar a demanda e os custos ao longo dos próximos meses. É o que aponta o Boletim Braztoa 2026, levantamento realizado pela Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo) com empresas associadas.

Os indicadores de vendas mostram um cenário favorável. Metade das operadoras consultadas afirma que o ritmo de vendas para o segundo semestre está acima ou muito acima do registrado no mesmo período de 2025. Desse total, 42,86% apontam desempenho acima do ano anterior e 7,14% consideram o ritmo muito acima.

Outros 35,71% avaliam que as vendas estão em linha com 2025. Apenas 3,57% registram desempenho abaixo do ano passado, enquanto 10,71% ainda não conseguem avaliar o comportamento do período.

“Os indicadores mostram que existe demanda e que o segundo semestre começa com um ritmo positivo. Ao mesmo tempo, as operadoras estão acompanhando um cenário com muitas variáveis, desde as eleições e a economia até questões geopolíticas, cambiais e de conectividade aérea. Essa combinação exige planejamento, agilidade e capacidade de adaptação”, afirma Marina Figueiredo, presidente executiva da Braztoa.

Eleições aparecem como principal ponto de atenção

Entre os fatores que podem afetar negativamente as vendas nos próximos meses, as eleições presidenciais de 2026 aparecem de forma recorrente nas respostas das operadoras e são apontadas como o principal ponto de preocupação.

O cenário político é acompanhado tanto no âmbito nacional quanto internacional, com as empresas citando possíveis efeitos da instabilidade política, das relações diplomáticas e de mudanças no ambiente institucional.

Na economia, as principais preocupações envolvem endividamento, questões fiscais, inflação, juros e câmbio. Os fatores podem impactar não apenas o comportamento dos consumidores, mas também os custos das empresas e a formação dos preços dos produtos turísticos.

Conflitos internacionais e conectividade no radar

A conjuntura geopolítica também permanece entre os principais pontos de atenção das operadoras. A continuidade dos conflitos no Oriente Médio e a possibilidade de novos confrontos são citadas pelas empresas como fatores que podem afetar o mercado.

Os reflexos da instabilidade internacional também podem chegar ao turismo por meio da aviação. Preços e disponibilidade de passagens, cancelamentos, fechamento de rotas e alterações na conectividade estão entre os aspectos monitorados pelas operadoras.

O câmbio continua sendo outra variável relevante, principalmente para a comercialização de produtos internacionais, devido aos impactos sobre preços e custos das viagens ao exterior.

Reforma Tributária entra no radar das empresas

Além dos fatores relacionados à demanda, as operadoras acompanham mudanças no ambiente de negócios. A Reforma Tributária aparece de forma recorrente entre os temas que exigem atenção, especialmente pelos possíveis efeitos sobre custos, operações, margens e comercialização de produtos e serviços turísticos.

Também foram citados pelas empresas preços de combustíveis, custos financeiros, inadimplência, margens e mudanças regulatórias.

“É importante diferenciar os fatores que podem afetar a demanda daqueles que impactam diretamente a operação das empresas. O segundo semestre traz desafios nas duas frentes. Por isso, monitorar custos, legislação, câmbio e cenário econômico passa a ser tão importante quanto acompanhar o comportamento do viajante”, explica Marina.

Feriados favorecem turismo doméstico

Os feriados prolongados do segundo semestre, incluindo 7 de Setembro, 12 de Outubro, Finados e Consciência Negra, são vistos pelas operadoras como oportunidades principalmente para o turismo nacional.

De acordo com o levantamento, 44% das empresas esperam uma contribuição moderada dos feriados para as vendas domésticas, enquanto 28% acreditam em um impacto significativo. Outros 20% avaliam que a contribuição será limitada e 8% não esperam impacto relevante.

Com isso, 72% das operadoras projetam algum nível de contribuição moderada ou significativa dos feriados para as viagens nacionais.

Para as viagens internacionais, a expectativa é mais contida. Cerca de 35,7% das empresas esperam impacto limitado, 32,1% projetam contribuição moderada e 14,2% estimam um impulso significativo. Outros 14,2% não esperam impacto relevante.

A diferença está relacionada, em parte, à duração dos períodos de folga. No mercado doméstico, viagens mais curtas tendem a se adequar melhor aos feriados prolongados. Já no internacional, deslocamentos mais longos e viagens de maior duração podem limitar a utilização dessas datas.

Ainda assim, a combinação de feriados com dias adicionais de folga pode favorecer viagens internacionais, principalmente para destinos próximos, como os da América do Sul.

Orlando e Europa lideram apostas

Entre os destinos e mercados apontados pelas operadoras com maior potencial de crescimento até o final do ano, Orlando e Europa estão entre os mais citados.

Caribe, Cancún e Punta Cana também aparecem nas respostas, assim como Chile e África do Sul. Japão, Argentina, México, Egito, Canadá, China, Tunísia, Tailândia e Turquia completam a lista de mercados mencionados, indicando uma diversificação das opções procuradas pelos viajantes.

No Brasil, Foz do Iguaçu, Gramado, João Pessoa e Bonito estão entre os destinos apontados como apostas para os próximos meses.

Grupos e experiências ganham espaço

Além dos destinos, as operadoras identificam oportunidades em diferentes formatos de viagem. Grupos e grandes eventos aparecem entre as principais apostas, ao lado de turismo esportivo, resorts, produtos personalizados, experiências e viagens direcionadas a nichos específicos.

Shows, cruzeiros e experiências diferenciadas também são citados, assim como destinos considerados mais exóticos, incluindo a Antártica e experiências relacionadas à Aurora Boreal.

O movimento acompanha uma tendência observada pela Braztoa no primeiro semestre, com maior procura por produtos premium, personalizados e relacionados a interesses específicos. As expectativas para os próximos meses também estão alinhadas às tendências apresentadas no Olhar Braztoa, estudo lançado no início do ano que identificou experiências com potencial de crescimento em 2026.

Outro movimento identificado pelas respostas é a busca por novas experiências em destinos já conhecidos. Viajantes que já estiveram em determinada cidade ou país passam a procurar novas formas de conhecer esses locais, abrindo espaço para roteiros e produtos mais personalizados.

“As operadoras estão indo além de reagir Às mudanças e estão buscando antecipar movimentos. Isso aparece na diversificação de destinos, na criação de produtos de experiência, na aposta em grupos e eventos e na atenção a novos nichos. O segundo semestre combina, portanto, oportunidades concretas com a necessidade de acompanhar muito de perto o ambiente em que o turismo está inserido. A leitura dos cenários e a capacidade de antecipar movimentos são competências cada vez mais necessárias para as empresas do setor”, conclui Marina Figueiredo.

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