MSC Foundation planta 32 fragmentos de coral ameaçado nas Bahamas

Matheus Alves
Matheus Alves
Repórter - E-mail: matheus@brasilturis.com.br

A MSC Foundation concluiu uma nova etapa do programa Super Coral Reefs, com o plantio de 32 fragmentos de coral-chifre-de-alce (Acropora palmata) em um recife próximo a Browns Cay, nas Bahamas. Com a ação, o projeto chega a 285 corais plantados na região. A fundação decidiu, ainda, manter novos fragmentos em viveiros subaquáticos até que as condições do mar sejam mais favoráveis. A medida considera a previsão de temperaturas elevadas no oceano na região do Caribe Norte.

Endêmico do Caribe, o coral-chifre-de-alce (Acropora palmata) é considerado criticamente ameaçado. Segundo a MSC Foundation, a população da espécie diminuiu cerca de 97% no Caribe desde os anos 1980, com perdas agravadas pela onda de calor marinha registrada em 2023 e 2024.

Nas Bahamas, a espécie tem papel na formação dos recifes, contribuindo para a proteção costeira e criando áreas de abrigo e alimentação para peixes e invertebrados, que também são relevantes para a pesca e o turismo.

Temperaturas elevadas alteram cronograma

De acordo com o portal Krooze, a suspensão temporária de novos plantios foi adotada como medida preventiva diante da previsão de estresse térmico nos oceanos. “Condições oceânicas excepcionalmente quentes estão previstas para este ano, o que pode colocar os corais sob estresse significativo”, afirma Emeline Bouchet, gerente do programa marinho do Ocean Cay Marine Conservation Centre.

“A previsão de julho do NOAA Coral Reef Watch aponta condições de branqueamento nível 2 para o norte das Bahamas até setembro. Por isso, mantivemos mais fragmentos em nossos viveiros subaquáticos, onde a equipe pode monitorá-los e manejá-los de perto. A restauração não se trata simplesmente de plantar mais corais, mas também de colocá-los na melhor posição para prosperar.”

Fragmentos são cultivados em viveiros

No Super Coral Reefs, os fragmentos de coral são cultivados inicialmente em viveiros subaquáticos e, posteriormente, transferidos para recifes naturais. O processo, conhecido como outplanting, contribui para a recuperação dos recifes e permite reunir dados para orientar futuras ações de restauração.

O local escolhido em Browns Cay passou por levantamentos de recifes e avaliações de biodiversidade, que indicaram condições adequadas para a nova etapa do projeto.

Branqueamento ameaça recifes

O aumento da temperatura da água afeta a relação entre os corais e as algas microscópicas que vivem em seus tecidos. As algas fornecem parte significativa da alimentação dos corais e são responsáveis por sua coloração.

Quando a temperatura da água aumenta além do limite de tolerância, os corais expulsam as algas, provocando o chamado branqueamento de corais. Sem essa fonte de alimento, ficam mais suscetíveis a doenças e à morte.

Os corais cultivados e plantados em Ocean Cay foram selecionados a partir de colônias que apresentaram tolerância natural ao calor. De acordo com a MSC Foundation, essas colônias registraram 100% de sobrevivência durante a onda de calor marinha de 2023/2024.

Mesmo com essa resistência, a próxima onda de calor pode atingir temperaturas ainda mais altas. Por isso, os cientistas pretendem monitorar mensalmente os recifes ao redor de Ocean Cay.

Entre as técnicas utilizadas está a fotogrametria, que permite produzir modelos tridimensionais para acompanhar o crescimento e as condições dos corais ao longo do tempo.

A MSC Foundation pretende retomar os plantios após a passagem da onda de calor marinha. O plano inclui reabastecer os viveiros com novos fragmentos e manter o ciclo de crescimento, monitoramento e restauração dos recifes nas Bahamas.

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