Barcelona vai ampliar de forma significativa a tributação sobre visitantes a partir de abril, em mais um movimento de gestão do turismo em um dos destinos urbanos mais pressionados da Europa. A decisão anunciada pela prefeitura prevê a duplicação da taxa turística aplicada especialmente a meios de hospedagem e alojamentos de curta duração, com o objetivo de aumentar a arrecadação e direcionar parte dos recursos para políticas ligadas à habitação.
Os maiores impactos serão sentidos por hóspedes de hotéis e de imóveis turísticos de curta permanência. Nos hotéis da cidade, a cobrança poderá chegar a cerca de 12 euros por noite, a depender da categoria do empreendimento, já incluindo a nova sobretaxa fixa de 5 euros. No caso dos alojamentos turísticos de curta duração, a taxa passa de 2,25 euros para 4,50 euros por noite, além da mesma sobretaxa de 5 euros.
Os cruzeiristas, por enquanto, ficam fora do reajuste e continuarão pagando 6 euros por noite. Ainda assim, a prefeitura já sinalizou que a sobretaxa fixa deverá subir 1 euro por ano até 2029, quando alcançará 8 euros por noite, indicando que a estratégia fiscal sobre o turismo tende a se intensificar no médio prazo.
A medida se insere em um contexto mais amplo de reação da cidade aos efeitos do turismo sobre o mercado imobiliário local. O crescimento acelerado da oferta de aluguel de curta duração em Barcelona tem sido apontado como um dos fatores que pressionam o custo da moradia e reduzem a oferta habitacional para residentes.
Nos últimos anos, esse cenário alimentou protestos e ampliou o debate sobre o chamado overtourism, com críticas à ocupação excessiva de bairros centrais, à transformação do uso residencial em produto turístico e à perda de acessibilidade à habitação para a população local.
Barcelona se junta, assim, a um grupo de destinos que têm adotado mecanismos mais rígidos de regulação e taxação para equilibrar os benefícios econômicos da atividade com seus impactos urbanos e sociais.








