BRL - Moeda brasileira
EUR
5,89
USD
5,15

Turismo sem storytelling vira commodity

Jonathan Wommer
Jonathan Wommer
Marketing, estratégia e criatividade. MBA em Gestão de projetos USP

O Turismo sempre acreditou que vender um destino era suficiente. Mostrar uma praia bonita, um hotel sofisticado ou uma paisagem paradisíaca parecia bastar para gerar desejo. Mas o mercado mudou, e rápido.

É por isso que o storytelling deixou de ser apenas um recurso criativo no marketing turístico. Virou uma estratégia de diferenciação.

Quando um destino não constrói uma narrativa, inevitavelmente entra em uma disputa perigosa: a guerra de preços. No fim, se tudo parece igual na comunicação, o consumidor escolhe pelo valor da diária, pela promoção da passagem ou pela conveniência do pacote.

E essa talvez seja uma das maiores fragilidades do Turismo atual, pois muitos negócios ainda investem pesado em divulgação, mas poucos investem na construção de significado.

Storytelling não é inventar histórias emocionantes. É construir percepção. É fazer o consumidor entender por que aquele lugar importa, o que ele representa e como aquela experiência se conecta à sua própria identidade.

A Disney entende isso como poucas marcas no mundo. Ela não vende parques; vende memórias, pertencimento e conexão emocional entre gerações. O destino físico é apenas parte da experiência. O verdadeiro valor está na narrativa construída ao redor dele.

E talvez esse seja o principal aprendizado para o Turismo. As pessoas não compartilham apenas lugares; compartilham o que sentiram neles.

Enquanto isso, grande parte do mercado ainda produz campanhas genéricas, com imagens bonitas acompanhadas das mesmas promessas de sempre: exclusividade, experiência, conexão e autenticidade. Palavras tão repetidas que começaram a perder significado.

O problema é que o consumidor percebe. Percebe quando uma marca fala sem personalidade, quando um destino tenta agradar a todos e, principalmente, quando não existe uma história clara por trás da comunicação.

Destinos fortes não são apenas conhecidos; são reconhecíveis. E reconhecimento nasce de consistência narrativa.

No marketing turístico atual, talvez a pergunta mais importante não seja “como divulgar mais?”, mas sim: “qual história torna esse destino impossível de substituir?”. 

Porque, no fim, quem vende apenas localização entra na comparação. E quem constrói narrativa cria valor.

 

LEIA MAIS NOTÍCIAS

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem, 
necessariamente, a opinião deste jornal

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

MAIS LIDAS

NEWSLETTER

    AGENDA 2026

    Labace

    REDES SOCIAIS

    PARCEIROS