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Gig Travel: grandes shows e o novo jogo entre destinos

Ricardo Hida
Ricardo Hida
CEO da Promonde, formado em Administração e pós-graduado em Comunicação.

Durante décadas, os fluxos turísticos foram impulsionados por fatores relativamente previsíveis, como férias escolares, feriados prolongados, viagens corporativas e temporadas de verão ou inverno. Nos últimos anos, porém, uma nova força passou a influenciar diretamente a movimentação de turistas, a ocupação hoteleira e a economia dos destinos: o chamado gig travel. 

O termo descreve as viagens motivadas por grandes shows, festivais, espetáculos culturais e eventos esportivos. O turista deixa de escolher o destino apenas por seus atrativos tradicionais e passa a organizar sua viagem em torno de uma experiência específica. O show é o motivo da viagem; o destino se torna o cenário de uma experiência mais ampla.

O exemplo mais emblemático no Brasil foi o impacto da passagem de Taylor Swift pelo país em 2023. Hotéis registraram aumento expressivo na ocupação, companhias aéreas ampliaram a oferta de voos e milhares de fãs viajaram entre estados para acompanhar as apresentações. 

Desde então, o mercado percebeu que grandes eventos musicais não são apenas entretenimento, mas ferramentas de desenvolvimento econômico e promoção turística. O Rio de Janeiro entendeu rapidamente essa lógica. 

O show gratuito de Madonna em 2024, seguido pelas apresentações de Lady Gaga em 2025 e Shakira em 2026, consolidou uma estratégia de posicionamento turístico baseada na atração de artistas globais para gerar fluxo de visitantes, movimentar a economia e fortalecer a marca da cidade no exterior. 

Os resultados despertaram a atenção de outras cidades, especialmente São Paulo, que já discute formas de utilizar grandes eventos internacionais como instrumentos de promoção turística, aproveitando sua ampla oferta hoteleira, infraestrutura para eventos e posição como principal porta de entrada de turnês internacionais na América Latina.

O fenômeno não se restringe aos megashows. Festivais de música, eventos gastronômicos, semanas de moda, festivais de cinema, competições esportivas e grandes celebrações do orgulho LGBT+ vêm impulsionando viagens em todo o mundo.

 Para a hotelaria, o gig travel representa uma oportunidade extraordinária, não apenas pelo aumento da ocupação, mas também pelo maior consumo de serviços, restaurantes, transporte e atrações locais. Além disso, um turista que visita uma cidade pela primeira vez para assistir a um evento pode retornar posteriormente em viagens de lazer ou negócios. 

O turismo contemporâneo está cada vez mais conectado à economia da experiência e, nesse cenário, cidades que conseguem associar sua marca a grandes acontecimentos culturais ganham visibilidade, atraem visitantes e fortalecem sua competitividade. 

Mais do que uma tendência passageira, o gig travel parece consolidar uma nova realidade: no turismo do século XXI, muitas vezes o destino é escolhido não apenas pelo lugar em si, mas pela experiência extraordinária que acontece nele.

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