A Comissão de Transportes e Turismo (TRAN) do Parlamento Europeu aprovou um conjunto de propostas voltadas à gestão do turismo na União Europeia, com foco na redução do overtourism (turismo predatório) e na distribuição mais equilibrada dos fluxos de visitantes pela Europa.
O relatório destaca que 80% dos viajantes concentram-se em apenas 10% dos destinos globais, o que pressiona regiões com alta demanda. Como resposta, os eurodeputados defendem o redirecionamento de turistas para áreas menos visitadas, como zonas rurais, regiões de interior, montanhas e destinos de baixa densidade.
Entre as medidas sugeridas está o reforço da conectividade para ampliar o acesso a destinos emergentes. A comissão recomenda que a Comissão Europeia desenvolva mecanismos de apoio para melhorar ligações aéreas, marítimas e terrestres, além de ampliar a acessibilidade.
O documento também propõe ações para diversificar a oferta turística, incluindo iniciativas ligadas à gastronomia, vinho, patrimônio cultural, ciclismo e turismo regenerativo. A estratégia busca distribuir melhor os fluxos ao longo do ano e gerar receitas adicionais em regiões menos exploradas.
Na área de mobilidade, os eurodeputados sugerem incentivos ao uso de veículos elétricos, ampliação da infraestrutura de carregamento e aumento da oferta de trens noturnos transfronteiriços. Outra recomendação é a implementação de um sistema integrado de bilhetes que conecte serviços ferroviários, aéreos e marítimos.
O relatório também aborda o impacto dos aluguéis de curta duração. As novas regras da União Europeia, válidas a partir de 20 de maio de 2026, são consideradas um avanço, mas os parlamentares defendem medidas adicionais para evitar efeitos como pressão sobre a habitação local e descaracterização de destinos. Entre as propostas estão a criação de limites de pernoites, sistemas de autorização e regulamentações por zonas.
Outra recomendação envolve a adoção de impostos ambientais sobre o turismo, já implementados em algumas cidades europeias. Segundo os eurodeputados, essas taxas podem financiar projetos voltados a residentes e à preservação ambiental, com potencial de replicação em outros destinos.
Para enfrentar a escassez de mão de obra no setor, o relatório propõe a criação de um cartão de competências em turismo, com registro de formação, qualificações e experiência profissional, visando facilitar a mobilidade de trabalhadores dentro da União Europeia.

