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Congonhas vai ampliar área comercial e dobrar espaços de lojas e salas VIP até 2028

Projeto faz parte de plano bilionário da concessionária para expandir o terminal e melhorar a experiência dos passageiros

Maurício Herschander
Maurício Herschander
Repórter - E-mail: mauricio@brasilturis.com.br

A concessionária espanhola Aena iniciou as obras para ampliar a estrutura comercial do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com a duplicação da área destinada a lojas, restaurantes, cafeterias, free shops e salas VIP. A intervenção integra um plano de investimentos estimado em R$ 2 bilhões, voltado à expansão do terminal e ao aumento da capacidade de atendimento ao público.

A previsão é que as novas instalações sejam entregues no início de 2028. Segundo a concessionária, o objetivo central da reestruturação é oferecer mais conforto ao passageiro e ampliar as oportunidades de consumo dentro do aeroporto, acompanhando o crescimento do fluxo de viajantes no terminal.

“O objetivo da nova área comercial é melhorar a experiência do passageiro e incrementar o tíquete médio do consumo”, afirmou o CEO da Aena no Brasil, Santiago Yus.

Ao comentar o impacto das mudanças no comportamento dos usuários, o executivo destacou que a intenção é incentivar a permanência antecipada no aeroporto, criando um ambiente com mais opções de serviços e conveniência. Atualmente, muitos passageiros chegam ao terminal próximo do horário do embarque, reduzindo o tempo disponível para consumo e utilização dos espaços comerciais.

“O passageiro chega o mais perto possível da hora do voo. Queremos entregar uma boa experiência e mais conforto para que ele possa usufruir. O tíquete médio do consumo vai subir porque chegar antes será mais atrativo”, explicou. “Para isso, também seremos mais competitivos em relação aos preços.”

Novo terminal e reorganização das operações

O projeto de modernização prevê a construção de um novo terminal de embarque, enquanto o prédio atualmente utilizado será destinado exclusivamente às operações de desembarque, preservando a área histórica do edifício. A iniciativa inclui ainda a criação de um novo píer com 330 metros de extensão, inspirado em estruturas semelhantes às do Terminal 3 do Aeroporto Internacional de Guarulhos.

Outra mudança prevista é a transformação de um hangar tombado pelo patrimônio histórico em uma sala de embarque remota, ampliando a capacidade operacional do aeroporto e permitindo maior organização dos fluxos de passageiros.

Com as obras, a área total de operação passará de 40 mil metros quadrados para 105 mil metros quadrados. Dentro desse conjunto, o espaço destinado às atividades comerciais deve crescer de 10 mil para 20 mil metros quadrados, dimensão equivalente a quase três campos de futebol.

O planejamento também prevê maior presença de estabelecimentos na chamada área “lado ar”, localizada após a inspeção de segurança, onde os passageiros aguardam o embarque. Essa estratégia altera o modelo atual, no qual a maior parte das lojas e serviços está concentrada na área externa ao controle de bagagens.

“O ‘lado ar’ é o momento de relaxar, tomar café, fazer uma reunião ou passar tempo nas salas Vips. Isso vai trazer mais oportunidade para todos os negócios dentro do aeroporto”, apontou o CEO da Aena.

Espaço comercial ampliado inclui gastronomia e marcas premium

Quando o projeto estiver concluído, o passageiro que chegar a Congonhas encontrará uma nova área de check-in integrada a lojas e cafeterias, seguida por salas VIP antes da inspeção de segurança. Após o controle de bagagens, será possível acessar um espaço comercial com cerca de 8 mil metros quadrados, estruturado como um pequeno centro de compras com mezanino.

Entre as mudanças previstas está a ampliação significativa dos free shops, cuja área deve triplicar e atingir aproximadamente 2,3 mil metros quadrados. As salas VIP também passarão por expansão, quase dobrando de tamanho e alcançando cerca de 6,5 mil metros quadrados. O número final de lojas e serviços dependerá das negociações com operadores comerciais e contratos de locação previstos para o segundo semestre.

A oferta gastronômica também será ampliada, com crescimento da área destinada a restaurantes e bares de 4,7 mil para 7 mil metros quadrados. O mix incluirá diferentes formatos, como restaurantes com serviço de mesa, operações de fast food, cafeterias, bares e opções de alimentação saudável. A concessionária pretende combinar marcas populares com estabelecimentos voltados a um público de maior poder aquisitivo.

Nesse contexto, está prevista a criação de uma área dedicada a marcas de luxo, com a presença de grifes internacionais como Cartier e Louis Vuitton. A estratégia considera o perfil predominante dos passageiros do aeroporto, composto majoritariamente por viajantes corporativos e de alta frequência.

Segundo dados apresentados pela concessionária, cerca de 52% dos usuários de Congonhas viajam a negócios, e 45% passam pelo terminal mais de uma vez por mês. “Esse perfil de renda nos coloca uma exigência ainda maior. Temos que entregar um mix comercial adaptado.”

Projeto inclui plano para shopping ao lado de Congonhas

Paralelamente às intervenções internas no terminal, a concessionária trabalha em parceria com um consórcio privado para viabilizar a construção de um novo shopping center ao lado do aeroporto. O empreendimento será implantado em um terreno localizado entre a Avenida Washington Luís e a Rua Tamoios, área anteriormente ocupada por instalações da antiga companhia aérea Vasp.

O projeto prevê um centro comercial com cerca de 35 mil metros quadrados de área e capacidade para abrigar entre 150 e 200 lojas. O investimento estimado para a construção do empreendimento é de aproximadamente R$ 1 bilhão.

Embora tenha havido uma tentativa de captação de recursos em 2023, o processo foi interrompido diante do aumento das taxas de juros no país, que reduziu o interesse de investidores. Ainda assim, a concessionária mantém o projeto em desenvolvimento e busca alternativas para viabilizar financeiramente a iniciativa.

“A captação de financiamento não é fácil. Estamos tocando junto com o consórcio para buscar uma alternativa”, disse o CEO da Aena, ao comentar os desafios do projeto. “Em um raio de 15 quilômetros de Congonhas, está 10% do PIB do Brasil. É uma oportunidade super positiva e fazemos um convite aos interessados em participar do projeto a se aproximarem para tentar se viabilizar”, afirmou Yus.

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