O que define o Brasil no cenário global e como transformar essa identidade em estratégia de promoção internacional? Essa foi a provocação central do painel realizado durante o Visit Brasil Summit, que reuniu representantes da cultura, da pesquisa e da gestão institucional para discutir o DNA brasileiro como ativo do Turismo.
Com mediação da jornalista Bárbara Lins, o debate contou com a participação de Paula Azevedo, diretora-presidente do Instituto Inhotim; Marina Roale, líder da Consumoteca; e do músico e produtor Manoel Cordeiro.
Ao abordar a construção de narrativa, Paula Azevedo destacou o papel do Inhotim como exemplo de destino fora dos grandes eixos tradicionais. Localizado em Brumadinho, em Minas Gerais, o instituto completa 20 anos em 2026 e se consolidou como museu de destino, combinando arte contemporânea, jardim botânico e projetos educacionais. Segundo ela, o tripé arte, natureza e educação sustenta a identidade da instituição e contribui para posicionar o Brasil além dos cartões-postais clássicos.
Marina Roale trouxe a perspectiva da pesquisa de comportamento e consumo. Para a especialista, o Brasil vive uma mudança de percepção interna, marcada pelo fortalecimento do orgulho cultural e pela valorização da autenticidade. Ela ressaltou que, em um contexto global de saturação tecnológica, cresce a busca por experiências humanas e conexões reais, atributo que o Brasil reúne de forma orgânica.
“A gente quer se reconhecer e se reconhecer nessa pluralidade”, afirma Marina.
Manoel Cordeiro ampliou a discussão ao relacionar cultura e desenvolvimento. Com trajetória consolidada na música amazônica, o artista defendeu que gastronomia, música e convivência com o povo são elementos centrais da experiência turística. Aproveitando a oportunidade, o músico leu um trecho de manifesto da música popular feita na Amazônia e afirmou que investir em cultura é fortalecer o desenvolvimento humano e econômico.
O painel também abordou a importância do turismo interno como etapa fundamental para a promoção externa. A mesa destacou que conhecer o próprio território e valorizar diferentes regiões do país contribui para consolidar uma narrativa mais plural e consistente.
Ao final, os participantes convergiram na ideia de que o DNA do Brasil não se resume a um conjunto fixo de atributos, mas a uma construção dinâmica baseada em diversidade, diálogo e identidade cultural.

