São Paulo (SP) – A Azul Viagens vive uma nova fase de consolidação após um ciclo acelerado de expansão nos últimos anos. Em entrevista ao Brasilturis na noite da premiação Arara Azul, Giulliana Mesquita, head da operadora, detalhou os pilares estratégicos para o próximo período, com foco em proposta de valor, fidelização de agências e desenvolvimento de novos mercados.
Segundo a executiva, a operadora cresceu 22% de 2024 para 2025 e multiplicou por seis o volume de negócios desde 2019. “A gente saiu de uma operação com 30 pessoas, em 2019, para um time com 200 colaboradores. Foi uma engrenagem muito bem alinhada entre produtos e comercial, com forte apoio da Azul Linhas Aéreas”, afirmou. Em 2025, a operadora realizou 16 mil voos dedicados, atendendo 245 mercados distintos de origem, e ultrapassou a marca de 500 mil passageiros transportados.
Giulliana ressaltou que, após anos de crescimento exponencial, o momento agora é de fortalecimento estrutural. “A régua está alta e isso traz responsabilidade. A Azul Viagens precisa operar com mais solidez e entregar mais valor para agentes e lojistas”, pontuou. A meta para 2026 é avançar cerca de 15%, índice considerado consistente diante da base elevada de comparação.
No campo comercial, Patrícia Gomes, gerente comercial da operadora, destacou a estratégia de segmentação das agências. “A gente separou os momentos de cada agência e passou a ter executivos específicos para cada fase. Isso trouxe mais assertividade no atendimento e fortaleceu a fidelização”, explicou. Hoje, mais de 4 mil agências emitem com a operadora, com crescimento médio entre 15% e 17% na base cadastrada e avanço superior a 20% no número de agências ativas.
A lógica de fidelização, segundo Giulliana, passou a ser estruturada com base em ciclo de vida. “Cada etapa da jornada da agência exige uma ação diferente. Isso nos permite trabalhar de forma mais estratégica, principalmente com uma base tão ampla”, afirmou.
No desenvolvimento de produto, Fernanda Paranhos, gerente de Produtos, reforçou que a venda de Brasil continua como prioridade, mas com ampliação de escopo. “Seguimos reforçando destinos nacionais e explorando novas origens, como Congonhas, que foi um dos nossos principais projetos. Também estamos desenvolvendo novos mercados por meio de bloqueios estratégicos”, explicou. Entre as novidades está o fortalecimento de Aracati, no Ceará, e novos fluxos a partir de capitais do Sul e Sudeste.
No internacional, a expansão tende a superar a média geral de crescimento. “Até então trabalhávamos muito forte nos destinos operados pela Azul. Agora vamos avançar também com parceiros internacionais. Temos pelo menos dez destinos estratégicos já mapeados na América do Norte, Europa, Caribe e América do Sul”, afirmou Fernanda.
Outro ponto destacado foi a evolução no atendimento. Giulliana reconheceu que o serviço foi uma das principais frentes de aprimoramento. “A gente sabe que tinha gaps e tem trabalhado com constância para elevar o patamar de entrega”, disse. A entrada de novas lideranças, segundo ela, tem como missão estruturar soluções de valor para lojas e agências, incluindo programas de fidelização e novas ferramentas comerciais.
Para a executiva, o crescimento da Azul Viagens está diretamente ligado à construção de confiança com o trade, especialmente durante a pandemia. “Quando o agente precisou, a Azul Viagens estava ali. Isso fortaleceu a parceria quando o mercado retomou”, avaliou.
Com uma base mais madura, ampliação de mercados e foco em relacionamento B2B, a operadora entra em 2026 mirando crescimento sustentável, diversificação de portfólio e maior integração com o ecossistema da Azul Linhas Aéreas.

