São Paulo (SP) – Em entrevista ao Brasilturis durante a WTM Latin America, realizada entre 14 e 16 de abril no Expo Center Norte, em São Paulo, Toni Sando, presidente da Unedestinos, afirmou que 2026 pode representar uma janela estratégica para fortalecer o turismo doméstico e ampliar a competitividade internacional do Brasil.
Segundo o dirigente, o ano é marcado por um contexto atípico, com Copa do Mundo, eleições, excesso de feriados e instabilidade geopolítica global. Para ele, esse cenário exige coordenação entre setor público e iniciativa privada para transformar incertezas externas em oportunidades para os destinos brasileiros.
“Precisamos estimular o brasileiro a viajar pelo Brasil. Se conseguirmos fazer o paulista descobrir São Paulo, o carioca descobrir o Rio e o baiano descobrir a Bahia, temos meio caminho andado”, afirmou. Sando defende que os feriados prolongados ao longo do calendário devem ser encarados como incentivo à circulação interna e à geração de renda regional.
O presidente da Unedestinos também destacou que o ambiente internacional, marcado por conflitos e tensões diplomáticas, pode favorecer o Brasil como destino considerado seguro.
“O mundo está muito complexo. A instabilidade geopolítica faz com que o Brasil seja uma grande oportunidade de receber pessoas do mundo todo”, disse.
De acordo com ele, o tema já vem sendo debatido com a Embratur e o Ministério do Turismo, inclusive no âmbito do Conselho Nacional do Turismo.
Sando avaliou que o país precisa evitar repetir erros do passado na promoção internacional. “Não podemos perder a oportunidade, como perdemos na Copa e na Olimpíada, de colocar o Brasil em destaque toda vez que acontece um grande evento”, declarou.
Para o dirigente, o turismo é instrumento direto de desenvolvimento econômico. “Dinheiro novo só vem através do turismo. Quando você constrói um hotel, gera cadeia produtiva, emprego e movimenta serviços”, pontuou, ao destacar o impacto da atividade na economia local.
Ele defende que o debate sobre políticas públicas para o setor envolva União, estados, municípios e sociedade civil organizada, com foco em competitividade e planejamento de longo prazo. “As oportunidades passam e depois vão embora. Talvez esse seja o grande momento do Brasil”, concluiu.

