São Paulo (SP) – O Harris Whitbeck, ministro do Turismo da Guatemala, vem conduzindo uma estratégia que posiciona o turismo como política pública transversal e instrumento de desenvolvimento social. Em entrevista ao Brasilturis, o executivo detalhou como a escuta comunitária e a valorização cultural se tornaram eixos centrais da gestão.
Com trajetória consolidada no jornalismo internacional antes de assumir o cargo, Whitbeck afirma que sua entrada na administração pública trouxe uma abordagem distinta.
“Eu não venho da gestão pública, venho do jornalismo. Então minha forma de gerir o turismo começa pela escuta”, declarou Whitbeck.
Segundo ele, a equipe iniciou a gestão percorrendo comunidades receptoras para entender o que desejavam promover e desenvolver como produto turístico.
Nos últimos dois anos e quatro meses, a Guatemala registrou crescimento contínuo nas chegadas internacionais, com altas de 15% no primeiro ano, 11% no segundo e projeção de 10% para 2026. Em 2024, o país recebeu 3,4 milhões de visitantes e a meta é alcançar 4 milhões neste ano.
O ministro destaca que o foco vai além do volume. “Não medimos apenas o número de visitantes, mas também o impacto econômico gerado no país”, afirmou. Para ele, a estratégia privilegia um viajante interessado em conexão cultural e permanência mais longa. “Prefiro que cheguem menos turistas, mas que invistam mais, porque isso reduz o impacto ambiental e cultural”, esclareceu.
Turismo como prioridade presidencial
O setor foi declarado uma das oito metas estratégicas do governo, o que elevou o turismo a prioridade no Executivo. Isso garante articulação direta com outras pastas para tratar infraestrutura viária, segurança e conectividade aérea.
A malha aérea vem sendo ampliada com novos voos do Canadá e da Europa, além de esforços para fortalecer a ligação com a América do Sul. No campo da hotelaria, a prioridade é atrair investimentos em empreendimentos menores e integrados ao território, evitando grandes resorts padronizados.
Inclusão e empoderamento cultural
Whitbeck também destacou o diálogo estabelecido com o Movimento Nacional de Tecelãs Indígenas, após decisão judicial que determinou a inclusão dessas comunidades nas políticas de promoção cultural. “É outra maneira de falar do país e de empoderar as comunidades”, disse.
Hoje, as artesãs participam de feiras internacionais com estandes próprios, oficinas e apresentações que contam sua história. Para o ministro, o turismo precisa fortalecer capacidades locais.
“O governo passa, mas o que plantamos fica nas comunidades. E isso é o mais valioso”, lembra o ministro.
Mercado brasileiro e diferenciação regional
O Brasil está no radar como mercado em crescimento. “O mercado brasileiro ainda é pequeno para nós, mas está crescendo”, afirmou. A realização do Latin America’s 50 Best Restaurants na Guatemala ampliou a visibilidade do destino junto à imprensa e influenciadores da região.
Com três mil anos de história, 25 grupos linguísticos e herança maia preservada, o país aposta na diferenciação frente a destinos de sol e praia. “Somos diferentes da República Dominicana ou da Costa Rica. Não temos as mesmas praias, mas temos cultura, têxteis, vulcões e gastronomia.”
Ao sintetizar a importância do setor, Whitbeck concluiu: “O turismo é o petróleo do século XXI”, defendendo que a atividade é sustentável e capaz de gerar desenvolvimento econômico sem os impactos negativos de outras indústrias.

