O México registrou crescimento expressivo na emissão de vistos eletrônicos para brasileiros em pouco mais de dois meses de operação do novo sistema. Desde o início do procedimento, em 5 de fevereiro, cerca de 12 mil autorizações foram concedidas, resultado que representa aumento de 460% nas aprovações e indica a relevância do mercado brasileiro para o país latino-americano. Os dados foram apresentados durante coletiva realizada na WTM Latin America, maior evento B2B do turismo brasileiro, encerrado recentemente no Expo Center Norte, em São Paulo.
Durante o encontro com a imprensa, representantes do governo mexicano também detalharam características do perfil do visitante brasileiro e apresentaram projeções para os próximos anos, além de planos voltados à ampliação da conectividade aérea entre os dois países.
Miguel Aguíñiga, chefe da Unidade de Inovação, Sustentabilidade e Profissionalização Turística do governo mexicano, explicou que o avanço nas emissões está diretamente ligado à implementação do novo modelo de autorização eletrônica. Ele destacou ainda que o Brasil ocupa posição estratégica nesse processo, sendo atualmente o único país autorizado a utilizar esse formato de visto.
Segundo o executivo, a medida faz parte de um esforço mais amplo de integração bilateral entre México e Brasil, envolvendo não apenas o turismo, mas também outras áreas econômicas. “Isso fala da importância da relação e do grande carinho que temos pelo Brasil e pelos brasileiros. Queremos seguir trabalhando essa conexão no turismo e em outros setores da economia”, afirmou.
Claudia Velasco, cônsul-geral do México em São Paulo, ressaltou que o consulado mantém canais abertos para orientar viajantes brasileiros sobre o procedimento de emissão do visto. Ela lembrou que, em casos de permanência superior a seis meses, o processo exige atendimento presencial em uma representação diplomática.
Também participaram da coletiva Diana Pomar, sócia da DGX International Travel; Carlos García de Alba, embaixador do México no Brasil; e Mariana Díaz y Maxil, responsável pela área de Profissionalização e Competitividade Turística do governo mexicano.
Brasil deve entrar no top 5 de emissores para o México
Ao analisar o comportamento da demanda brasileira, Aguíñiga informou que mais da metade dos visitantes do país desembarca em destinos do Caribe mexicano. De acordo com os dados apresentados, 52% dos turistas brasileiros chegam a Cancún e à Riviera Maya, enquanto os outros 48% se distribuem entre a Cidade do México, Monterrey e Guadalajara.
O México ocupa atualmente a sexta posição mundial na recepção de turistas internacionais e trabalha para avançar nesse ranking nos próximos anos. Em 2025, o país recebeu 47,7 milhões de visitantes estrangeiros, com o Brasil ocupando o oitavo lugar entre os principais mercados emissores.
A expectativa das autoridades mexicanas é que o crescimento da demanda brasileira permita ao país subir posições nessa lista. A projeção é que, até o fim de 2026, o Brasil passe a figurar entre os cinco maiores emissores de turistas para o México.
No campo da promoção turística, Aguíñiga destacou ações de capacitação realizadas com agentes de viagens e operadores durante a WTM Latin America, além de iniciativas conduzidas em parceria com o Ministério do Turismo e a Embratur. Segundo ele, o fluxo turístico entre os dois países deve crescer de forma equilibrada.
“Aumentar o número de turistas mexicanos que desembarcam em território brasileiro também é parte importante da estratégia”, disse, ao mencionar a participação do Brasil na primeira edição da ITB Americas, que será realizada em Guadalajara entre os dias 10 e 12 de novembro.
O executivo também informou que o México oficializou o convite para que o Brasil seja o país homenageado do Tianguis Turístico 2027, principal feira do setor no país. A iniciativa busca ampliar a visibilidade do destino e estimular o intercâmbio de negócios e visitantes.
Outro ponto destacado foi a agenda de negociações com companhias aéreas brasileiras e mexicanas para ampliar a oferta de voos entre os dois mercados. Segundo Aguíñiga, a expansão da conectividade é considerada fundamental para sustentar o crescimento da demanda nos próximos anos.
“Parte da reunião com a Embratur e com o Ministério do Turismo do Brasil foi dedicada a pensar em formas de aumentar a conectividade entre os dois países. Sabemos que as companhias aéreas planejam a longo prazo, então, se quisermos dar continuidade aos esforços promocionais, precisamos estar com mais oferta em 2027”, afirmou.
Para dimensionar o impacto potencial, o executivo explicou que, caso os 12 mil vistos emitidos recentemente se convertam em viagens efetivas, será necessário ampliar a malha aérea em cerca de 15 a 20 voos adicionais para atender à demanda.
A estratégia também leva em consideração o calendário esportivo internacional. O México será uma das sedes da Copa do Mundo e, dependendo da classificação da seleção brasileira, poderá receber partidas do Brasil durante o torneio. “Se o Brasil terminar em segundo lugar no seu grupo, jogará em Guadalajara na próxima fase, o que pode ser muito auspicioso, pois foi a cidade que sediou a seleção brasileira campeã de 1970”, finalizou.

