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Ministério do Turismo lança guia inédito para atendimento a turistas neurodivergentes

Material reúne orientações práticas para tornar viagens, eventos e atrativos mais acessíveis e acolhedores em todo o Brasil

Rafael Destro
Rafael Destro
Redator - E-mail: Rafael@brasilturis.com.br

O Ministério do Turismo lança nesta quinta-feira (7), às 14h, durante o Salão do Turismo, em Fortaleza (CE), o “Guia Para Atender Bem Turistas Neurodivergentes”. A iniciativa inédita reúne orientações práticas para qualificar o atendimento e tornar experiências turísticas mais acessíveis em todo o país.

O material foi desenvolvido a partir de uma pesquisa nacional conduzida pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em parceria com o Ministério do Turismo, e busca orientar o setor sobre como oferecer ambientes mais acolhedores, previsíveis e inclusivos para pessoas neurodivergentes.

O guia pode ser acessado aqui.

Gustavo Feliciano, ministro do Turismo, destacou que a iniciativa reforça o compromisso do governo com a democratização do turismo no Brasil. “Esse material vai contribuir para que todos vivam as experiências turísticas com conforto, respeito e dignidade. Essa é uma diretriz do governo do presidente Lula, de cuidar das pessoas e ampliar o acesso a direitos”, afirmou.

Pesquisa revela principais desafios

O levantamento foi realizado entre fevereiro e março de 2026 e contou com 761 participantes, entre pessoas neurodivergentes, como autistas, pessoas com TDAH e dislexia, familiares e profissionais da área.

Os dados apontam que as principais barreiras enfrentadas por turistas neurodivergentes vão além da infraestrutura física e estão relacionadas principalmente à forma como as experiências são planejadas, comunicadas e conduzidas.

Entre os principais problemas apontados pelos participantes da pesquisa estão:

  • 90,1% relataram julgamentos relacionados a comportamentos neurodivergentes.
  • 89,8% apontaram que funcionários não compreendem suas necessidades.
  • 87,5% citaram falta de flexibilidade no atendimento.
  • 83,7% relataram ausência de acolhimento e respeito ao informar necessidades.
  • 79% apontaram falta de respeito à autonomia e à dignidade.
  • 77,5% indicaram ausência de espaços adequados para regulação sensorial.
  • 77% destacaram dificuldade com tempo de espera sem previsibilidade.
  • 71,5% relataram falta de informação sobre adaptações disponíveis.

Experiência impacta reputação dos destinos

A pesquisa também identificou que experiências negativas influenciam diretamente a imagem dos destinos turísticos. Segundo o levantamento, mais de 80% das pessoas neurodivergentes e familiares afirmaram que uma experiência ruim pode reduzir a recomendação daquele destino.

Outro ponto destacado pelo estudo é a importância da capacitação das equipes. O treinamento dos profissionais foi apontado como prioridade por 44,6% das pessoas neurodivergentes, 55,6% dos familiares e 63,3% dos profissionais entrevistados.

Barulho e estímulos sensoriais estão entre os principais desafios

Os fatores sensoriais também aparecem como elementos determinantes na experiência turística. O barulho intenso foi citado por 72,7% dos participantes como um dos principais gatilhos de desconforto durante viagens e atividades.

Além disso, mais de 70% afirmaram que estímulos como luz intensa, som alto, excesso de movimento, filas, aglomerações e mudanças inesperadas comprometem diretamente a permanência e o bem-estar nos espaços turísticos.

A pesquisa ainda identificou que ambientes imprevisíveis, excesso de informação visual e ausência de orientação clara ampliam quadros de ansiedade, insegurança e sobrecarga sensorial.

Diante desse cenário, o guia propõe medidas práticas para reduzir esses impactos em eventos, atrativos turísticos, meios de hospedagem, aeroportos, restaurantes e grandes espetáculos. Entre as soluções já adotadas no país estão salas sensoriais em aeroportos, criadas para acolher pessoas que necessitam de ambientes mais controlados e silenciosos.

Recomendações práticas para o setor

O guia organiza as recomendações em três pilares principais: ambiente sensorial, comunicação e previsibilidade da informação, além da capacitação das equipes.

Entre as recomendações estão:

  • Organização de fluxos e rotas alternativas para reduzir aglomerações.
  • Criação de áreas de pausa e regulação sensorial.
  • Possibilidade de pausa e retorno durante atividades.
  • Sinalização clara de saídas e rotas alternativas.
  • Comunicação antecipada sobre intensidade sonora, estímulos visuais e tempo de espera.
  • Disponibilização de mapas, roteiros e informações prévias sobre o ambiente.
  • Uso de linguagem simples, direta e acessível.
  • Treinamento contínuo das equipes para acolhimento adequado.
  • Flexibilização de procedimentos e atendimentos.
  • Criação de ambientes mais previsíveis e organizados.

O material também recomenda medidas como redução de música ambiente, disponibilização de protetores auriculares, oferta de áreas silenciosas, controle de iluminação e informações prévias sobre possíveis gatilhos sensoriais.

Marklea da Cunha Ferst, professora doutora e coordenadora da pesquisa, ressaltou que o principal diferencial do guia está na aplicação prática dos dados levantados. “O que a pesquisa mostra é que a inclusão no turismo não depende apenas de grandes mudanças estruturais. Pequenos ajustes, quando bem orientados, podem gerar impactos significativos na experiência”, explicou.

Anna Perez Iturres, gerente de operações e participante da pesquisa, destacou a importância de ampliar a discussão sobre neurodivergência no setor turístico. “Pouco se fala do autista como turista. Quando vi a pesquisa, achei importante contribuir para dar visibilidade a essas pessoas”, afirmou.

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