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Festas juninas devem movimentar R$ 2,4 bilhões e impulsionar Turismo no Brasil

Eventos espalhados por diferentes regiões do país geram empregos, lotam hotéis e fortalecem economias locais

Maurício Herschander
Maurício Herschander
Repórter - E-mail: mauricio@brasilturis.com.br

Com a chegada de junho, o Brasil entra no clima das celebrações juninas. Ruas decoradas, cidades mobilizadas para receber visitantes e milhares de profissionais envolvidos nos festejos transformam o período em uma das épocas mais importantes para a economia do turismo. Muito além da tradição popular, o São João tornou-se um dos grandes motores de desenvolvimento regional do país.

Levantamento do Ministério do Turismo aponta que a movimentação econômica durante o período deve alcançar R$ 2,4 bilhões, considerando apenas cinco dos principais destinos juninos brasileiros. Os impactos alcançam diferentes segmentos da cadeia turística, beneficiando hotéis, aeroportos, bares, restaurantes e pequenos empreendedores.

Para o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, as festas juninas representam um exemplo claro de como a cultura pode gerar desenvolvimento econômico.

“São eventos que fortalecem a nossa identidade, movimentam as economias locais e levam desenvolvimento para centenas de municípios em todas as regiões. Além de preservar tradições que atravessam gerações, os festejos geram emprego, renda e consolidam o turismo como um forte instrumento de desenvolvimento regional”, avaliou.

Nordeste concentra os maiores eventos

Principal palco das comemorações, o Nordeste reúne alguns dos maiores eventos do calendário turístico brasileiro. Na Paraíba, Campina Grande, sede do “Maior São João do Mundo”, projeta receber 3,5 milhões de visitantes e movimentar R$ 800 milhões. O evento conta com aporte de R$ 2 milhões do Ministério do Turismo para apoio à infraestrutura.

Em Pernambuco, Caruaru, conhecida como “O Melhor e Maior São João do Mundo”, estima receber 4 milhões de pessoas, com impacto econômico de R$ 800 milhões e geração de 20 mil empregos diretos e indiretos. Também no estado, Petrolina espera movimentar R$ 325 milhões e receber cerca de 50 mil passageiros pelo aeroporto local com o tema “Aqui é Paixão”.

O cenário se repete em outros estados nordestinos. No Ceará, Maracanaú prevê público de 2,7 milhões de pessoas, movimentação de R$ 100 milhões e geração de 4,5 mil empregos em torno de seu tradicional quadrilhódromo.

Já Mossoró Cidade Junina, no Rio Grande do Norte, projeta receber 1,2 milhão de visitantes e injetar R$ 360 milhões na economia local, com ocupação máxima da rede hoteleira nos fins de semana.

Em Sergipe, a soma do Forró Caju e do Arraiá do Povo deve atrair 2,5 milhões de pessoas e movimentar R$ 400 milhões. Em Alagoas, o Massayó espera reunir 700 mil participantes no Polo Jaraguá. São Luís, no Maranhão, projeta 250 mil visitantes impulsionados pelo Bumba Meu Boi, Patrimônio Cultural da Humanidade. Já Amargosa, na Bahia, deve receber 70 mil pessoas por dia e movimentar R$ 50 milhões.

Celebrações movimentam todas as regiões

O impacto das festas juninas ultrapassa o Nordeste. No Norte, o Festival de Parintins, no Amazonas, marcado pela disputa entre Caprichoso e Garantido, espera atrair 120 mil turistas e movimentar R$ 220 milhões. No Pará, o Arrastão do Pavulagem deve levar mais de 140 mil pessoas às ruas de Belém.

No Centro-Oeste, o Banho de São João, em Corumbá (MS), envolve 94 comunidades às margens do Rio Paraguai e conta com investimento de R$ 4 milhões nesta edição. Em Goiás, o Arraiá do Bem segue como um dos principais eventos juninos da região.

No Sudeste, a Festa Junina Beneficente de Votorantim (SP) prevê movimentação de R$ 20 milhões, geração de 2,5 mil empregos e público de aproximadamente 500 mil pessoas. Em Minas Gerais, a Fenamilho reúne grandes shows, manifestações culturais e o agronegócio.

Já no Sul, o município catarinense de Itaperiú realiza a 111ª Festa de São João e espera receber cerca de 20 mil visitantes, número muito superior à população local. Em Lages (SC), a Festa Nacional do Pinhão contribui para aquecer o turismo de inverno e elevar a ocupação hoteleira da Serra Catarinense.

Festas juninas ganham projeção internacional

A força dos festejos brasileiros também vem despertando interesse fora do país. No início deste ano, uma ação promovida pelo Ministério do Turismo, em parceria com a Embratur e a Embaixada do Brasil, transformou o Obelisco de Buenos Aires em um grande arraial.

A iniciativa levou forró, gastronomia e manifestações culturais brasileiras ao público argentino, com foco na promoção do Brasil como destino durante o mês de junho. A escolha do mercado tem relevância estratégica: a Argentina segue como o principal emissor de turistas para o Brasil, respondendo por mais de 3,3 milhões dos 9,2 milhões de visitantes estrangeiros registrados em 2025.

Projeto destaca a força do São João

Para ampliar a divulgação dos festejos como produto turístico, o Ministério do Turismo lançou o projeto “Destino: Festas Juninas”. A iniciativa reúne uma websérie e uma série de rádio com dez episódios que percorrem cinco importantes destinos do Nordeste: Campina Grande (PB), Caruaru (PE), Mossoró (RN), Maracanaú (CE) e Petrolina (PE).

Por meio de histórias de personagens que mantêm viva uma das mais tradicionais manifestações culturais brasileiras, o projeto mostra como as festas juninas movimentam a economia, estimulam o turismo e criam oportunidades de desenvolvimento em diversas regiões do país.

O primeiro episódio já está disponível nos canais do Ministério do Turismo no YouTube, Facebook e Instagram.

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