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Temporada de cruzeiros 26/27 pode ganhar 30 mil leitos com expansão da Corazul

Armadora avalia antecipar operação no Brasil e prolongar a temporada, enquanto governo destaca potencial do setor para geração de empregos e renda

Rafael Destro
Rafael Destro
Redator - E-mail: Rafael@brasilturis.com.br

A temporada de cruzeiros 2026/2027 no Brasil pode superar as projeções anunciadas na sexta-feira (7), durante o XI Encontro Regional de Cruzeiros e Turismo Náutico-Fluvial, realizado em Punta del Este, no Uruguai. Estreante no mercado brasileiro, a Corazul avalia antecipar em 45 dias o início das operações e estender a temporada por mais 30 dias após o encerramento previsto. Se confirmada, a ampliação acrescentará cerca de 30 mil leitos à oferta nacional.

Gustavo Feliciano, ministro do Turismo do Brasil, comentou a possibilidade de expansão e destacou a confiança das companhias no mercado brasileiro.

“Isso demonstra a confiança e a oportunidade que as empresas têm no Brasil. Estamos trabalhando para aperfeiçoar o turismo de cruzeiros, sempre pensando no desenvolvimento do nosso país, na geração de oportunidades, emprego e renda. Somos líderes na América do Sul e vamos crescer ainda mais”, disse.

“Cada dólar investido pelo setor no Brasil se converte em quatro para a nossa economia. Neste ano, teremos sete portos para embarque e desembarque de passageiros, incluindo Paranaguá e Balneário Camboriú”, completou.

Temporada terá oito navios

Atualmente, a temporada 2026/2027 prevê oito navios e oferta de 831.254 leitos, volume 24% superior ao registrado no ciclo anterior. O número de itinerários também deve crescer, passando de 160 para 190.

A abertura oficial está marcada para 31 de outubro de 2026, com a estreia do Buenavista, da Corazul, em operação com saída de Maceió. A temporada seguirá até 9 de abril de 2027.

Além de Maceió, os roteiros incluem Salvador, Santos, Rio de Janeiro, Itajaí, Paranaguá e Balneário Camboriú, além de Montevidéu, no Uruguai, e Buenos Aires, na Argentina, entre os destinos internacionais.

Caso a Corazul confirme a antecipação e a extensão da operação, o calendário ganhará capacidade adicional antes e depois do período oficial da temporada.

Impacto econômico

A expansão ocorre em um segmento que apresenta impacto relevante na economia brasileira. Na temporada 2024/2025, os cruzeiros de turismo foram responsáveis pela geração de 93.700 empregos no país, segundo estudo realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) a pedido da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Clia).

O levantamento aponta ainda que cada passageiro deixou, em média, US$ 164 na cidade de embarque e US$ 127 nos destinos de escala. Ao todo, a temporada movimentou mais de US$ 1 bilhão na economia brasileira.

Setor busca ampliar internacionalização

Durante o encontro, Gustavo Feliciano, ministro do Turismo, também destacou a necessidade de ampliar a presença de turistas estrangeiros nos cruzeiros realizados na região. Para o ministro, a diversificação das rotas e a integração entre os países sul-americanos são fundamentais para o crescimento da atividade.

“Precisamos ampliar a regionalização, fortalecendo a circulação entre os países sul-americanos e, ao mesmo tempo, expandir a internacionalização do nosso destino, com uma distribuição mais ampla de rotas para atrair visitantes de outras partes do mundo. O Brasil tem trabalhado para ampliar o mercado de cruzeiros, diversificar roteiros, qualificar destinos e criar um ambiente cada vez mais favorável à atividade”.

Pablo Menoni, ministro do Turismo do Uruguai, reforçou a importância de uma estratégia integrada entre os países da América do Sul para ampliar a competitividade da região no mercado internacional de cruzeiros.

“Ninguém se salva sozinho. Estamos vendo isso como uma região, como uma rota que começa, particularmente esta, no Rio de Janeiro ou Santos, passa por Punta del Este e Montevidéu, e chega a Buenos Aires, com a potencialidade inclusive de chegar a portos chilenos”, ressaltou.

Segundo Menoni, a proposta é apresentar o circuito sul-americano como um produto integrado às companhias marítimas, em vez de trabalhar individualmente cada porto.

“Não estamos vendo a visão individual de cada um dos nossos portos, mas sim a visão conjunta. É assim que queremos que os operadores nos vejam. Para podermos atrair cruzeiros de outras regiões, sobretudo de regiões que estão complicadas do ponto de vista geopolítico. Primeiro porque temos demanda e, segundo, porque estamos dando aqui um exemplo de integração do Mercosul”.

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