Turismo de luxo fatura R$ 3,34 bilhões em 2025, aponta Anuário da BLTA

Levantamento com 71 associados mostra estabilidade do turismo de luxo em 2025, crescimento dos tickets das operadoras e meta de 100% de certificação ESG até 2028

Rafael Destro
Rafael Destro
Redator - E-mail: Rafael@brasilturis.com.br

São Paulo (SP) – A Brazilian Luxury Travel Association (BLTA) apresentou, nesta terça-feira (25), os resultados do Anuário BLTA 2026, levantamento que consolida os principais indicadores do turismo de luxo brasileiro em 2025. O evento foi realizado na Casa Sweet Pimenta, em São Paulo, e reuniu players do turismo e da imprensa para acompanhar a divulgação dos dados, apresentada por Camilla Barretto, CEO da associação.

Realizado em parceria com o Centro Universitário Senac, o estudo reúne dados de 71 associados que participaram de forma integral ou parcial da pesquisa. A amostra contempla 63 meios de hospedagem – entre hotéis, pousadas, lodges e resorts – e oito operadoras de turismo. A entidade ressalta que os resultados representam um recorte do mercado de luxo formado pelos associados e não a totalidade dos empreendimentos de alto padrão do Brasil.

O levantamento aponta faturamento bruto estimado de R$ 3,34 bilhões entre os meios de hospedagem, com diária média de R$ 3.109 e aproximadamente 1 milhão de hóspedes. A ocupação média ficou em 50%. Entre as oito operadoras participantes, o ticket médio diário chegou a R$ 16.524 no mercado doméstico, alta de 6% em relação a 2024, enquanto o ticket médio de viajantes internacionais alcançou R$ 21.216, crescimento de 4%.

Na abertura, Roberto Klabin, presidente da BLTA, destacou que o diferencial brasileiro no turismo de luxo está na combinação entre atributos naturais, diversidade cultural e hospitalidade. O presidente também ressaltou que o país deve aprimorar suas características próprias em vez de buscar modelos externos para competir internacionalmente.

“Hoje, nós temos tudo isso, mas nós ainda somos muito informais, nós temos problemas no Brasil, sim, de segurança que afeta a nossa realidade do turismo, nós só temos falta de planejamento, e eu acho que isso é o que nós temos que melhorar”, afirmou Klabin.

Roberto Klabin, presidente da BLTA. Foto: Rafael Destro/Brasilturis

O executivo também chamou atenção para o crescimento do fluxo internacional e para a oportunidade de ampliar a oferta de experiências associadas à natureza brasileira. Segundo ele, destinos como Pantanal, Amazônia e Cerrado podem contribuir para diferenciar o produto nacional no mercado internacional.

Perfil do viajante

Os dados do Anuário mostram que o mercado doméstico continua predominante entre os hóspedes dos meios de hospedagem associados à BLTA, representando 70% do total. Os visitantes estrangeiros correspondem a 30%, com Europa (13%), América do Norte (9%) e América Latina (5%) entre os principais mercados.

“Hoje, os brasileiros representam cerca de 70% dos hóspedes dos hotéis de luxo, e temos o desejo de que essa balança se equilibre, recebendo cada vez mais turistas internacionais, sem perder o interesse do brasileiro pelo próprio Brasil. O brasileiro precisa valorizar o Brasil, ter orgulho e ter a certeza de que temos produtos que podem competir em pé de igualdade com os melhores produtos do mundo”, destacou Camilla Barreto.

Entre as operadoras, América do Norte e Europa aparecem como os principais mercados emissores, com 38% e 36%, respectivamente. O Brasil representa 15%, enquanto outros mercados somam 11%, indicando aumento da participação de destinos emissores fora dos mercados tradicionalmente consolidados.

No mercado europeu, a França permanece como principal emissor para os hotéis associados, enquanto Reino Unido e Portugal aparecem na sequência. A Itália apresentou avanço significativo, passando de 19% das menções entre os associados em 2024 para 52% em 2025. Na América do Norte, os Estados Unidos lideram, seguidos por Canadá e México. Na América Latina, Argentina, Chile e Uruguai aparecem entre os principais mercados.

Entre os brasileiros, São Paulo continua como principal mercado emissor, seguido por Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Nas operadoras, as viagens domésticas se concentram principalmente em períodos de até sete dias, enquanto 80% dos viajantes estrangeiros permanecem no Brasil por mais de sete dias, com destaque para estadias entre oito e 14 dias.

Os destinos mais procurados pelas operadoras mantiveram o mesmo grupo de liderança observado no levantamento anterior. Rio de Janeiro aparece em primeiro lugar, com 51% das menções, seguido por Foz do Iguaçu (40%) e Pantanal (24%). Maranhão (19%), litoral da Bahia (17%), Salvador (16%), São Paulo (14%), litoral do Ceará (14%) e Fernando de Noronha (10%) completam a lista.

Bem-estar ganha força

O levantamento também aponta mudanças nas preferências dos viajantes de alto padrão. Bem-estar, spa e relaxamento foram citados por 93% dos empreendimentos, ante 90% em 2024. Pela primeira vez, massagens aparecem à frente da gastronomia entre os serviços mais solicitados, com 92% das menções, enquanto a gastronomia alcançou 85%.

Serviços personalizados aparecem com 65% das menções, seguidos por atividades e experiências VIP, com 53%.

A CEO da BLTA também destacou que o luxo não está na extravagância. “O verdadeiro luxo não está na grandeza ou na ostentação, mas na experiência, naquilo que é genuíno, que não pode ser replicado, que é único e feito para você. Queremos valorizar o Brasil como destino de luxo e os empreendimentos que demonstram esse luxo respeitando o local, a comunidade e a história que estão por trás de tudo isso.”

O lazer segue como principal motivo das hospedagens, responsável por 55% das viagens. Réveillon (82%), Carnaval (67%) e casamentos (60%) continuam entre os eventos que mais geram demanda. Também houve crescimento da gastronomia como atributo de atração, enquanto o turismo relacionado a eventos esportivos apresentou queda em relação ao levantamento anterior.

Mercado mantém estabilidade e perspectiva de expansão

Apesar de não registrar crescimento exponencial nos indicadores financeiros, o mercado apresentou estabilidade ao longo de 2025. A maior parte dos associados está concentrada na faixa de faturamento anual entre R$ 10 milhões e R$ 50 milhões, considerando as diferentes fontes de receita dos empreendimentos.

A pesquisa também indica que 71% dos respondentes pretendem ampliar os negócios. Entre os meios de hospedagem, a expansão está relacionada principalmente ao aumento da estrutura física. Já entre as operadoras e DMCs, os planos envolvem a abertura de novos nichos e a consolidação de mercados.

Outro indicador destacado é a satisfação dos hóspedes. Entre os respondentes, 93% dos clientes atribuíram nota igual ou superior a 8,5 no NPS. A BLTA, contudo, informa que o indicador não é utilizado isoladamente para avaliar a qualidade dos associados, uma vez que a entidade passou a adotar auditorias de cliente oculto para analisar toda a jornada do hóspede.

BLTA amplia controle de qualidade

A metodologia de cliente oculto foi implementada pela BLTA em 2025 em parceria com a OnYou. O processo contempla cerca de 240 itens e avalia diferentes etapas da experiência, desde o contato inicial com a marca e o processo de reserva até check-in, check-out, estrutura física, atendimento, gastronomia, experiências, equipe e sustentabilidade.

A régua mínima estabelecida pela associação é de 80%. Ao longo de 2026, 35 hotéis já passaram pela avaliação, com média geral de 83,2%. A entidade afirma que o objetivo do processo é educativo, oferecendo aos empreendimentos um diagnóstico detalhado sobre os pontos que precisam ser aprimorados e aqueles em que apresentam bom desempenho.

Camilla Barretto destacou a maturidade alcançada pela associação ao longo de seus 18 anos de atuação e a evolução dos critérios para entrada e permanência dos associados.

“Esse é um marco recente que distingue nossos associados e chancela o compromisso de cada um deles com nossas melhores práticas. Após 18 anos de atuação, a BLTA alcançou um patamar de maturidade reconhecido pelo mercado e pela consistência de suas ações. Os resultados de 2025 mostram um setor consolidado, impulsionado pela diversidade dos destinos, pela excelência da hospitalidade e pela capacidade de oferecer vivências profundamente conectadas à natureza e à cultura do Brasil”, afirmou Camilla.

Atualmente, a BLTA soma 74 associados, sendo 66 meios de hospedagem distribuídos por 37 destinos e oito DMCs. Em 2024, a associação tinha 69 associados ao final do ano. Foram registradas 26 candidaturas naquele período, com nove aprovações. Em 2025, outras 26 candidaturas resultaram em sete novos associados. Em 2026, até o momento do evento, foram 19 candidaturas e quatro aprovações.

ESG avança entre associados

A agenda ESG aparece como um dos principais destaques do Anuário BLTA 2026. Atualmente, 28% dos associados já possuem certificação de sustentabilidade, enquanto outros 54% estão em processo de certificação. A associação estabeleceu como meta chegar ao final de 2028 com 100% dos associados certificados.

Entre os meios de hospedagem que responderam à pesquisa, 35,48% já possuem certificação ou iniciaram o processo de obtenção. Entre as operadoras, o índice é de 28,57%. Sistema B e Green Key estão entre as certificações mais buscadas pelos associados.

As ações socioambientais também apresentam ampla presença na operação. Ao todo, 42 meios de hospedagem, equivalentes a 67,74% da base respondente, apoiam 164 projetos, média de quatro iniciativas por organização. As oito operadoras participantes apoiam 26 projetos, média superior a três por empresa.

Entre as principais áreas de atuação dos projetos estão desenvolvimento socioeconômico, citado por 50% dos meios de hospedagem e 75% das operadoras; educação, com 47% e 63%, respectivamente; e conservação ambiental, com 44% e 75%.

Camilla ressaltou que a evolução da agenda ESG é resultado de um processo contínuo desenvolvido pela associação e seus membros. “A gente ainda não tem uma associação 100% certificada, mas temos a associação 100% engajada nesse tema. Hoje, 28% dos nossos associados já são certificados e 54% estão em processo. O passo não é fácil, porque requer investimento financeiro, tempo e uma pessoa dedicada a esse processo, mas é uma mudança de comportamento que precisa ser feita com responsabilidade.”

Novo site

A divulgação do Anuário BLTA 2026 também foi acompanhada pelo lançamento do novo site da associação. Mantendo o endereço blta.com.br, a plataforma ganhou design responsivo, navegação mais intuitiva e ferramentas voltadas tanto ao consumidor final quanto ao trade turístico.

A nova plataforma reúne informações sobre destinos, tipos de viagem, hotéis associados, experiências, atributos brasileiros e roteiros desenvolvidos pelas DMCs. O portal também apresenta os compromissos da associação com sustentabilidade, eventos, estudos e demais iniciativas desenvolvidas pela entidade.

Confira, abaixo, os indicadores do Anuário BLTA 2026:

Dados financeiros e operacionais

  • Faturamento bruto estimado dos meios de hospedagem: R$ 3,34 bilhões
  • Diária média: R$ 3.109
  • Número de hóspedes: cerca de 1 milhão
  • Ocupação média: 50%
  • Ticket médio diário doméstico das operadoras: R$ 16.524 (+6% em relação a 2024)
  • Ticket médio diário internacional das operadoras: R$ 21.216 (+4% em relação a 2024)
  • Associados participantes da pesquisa: 71
  • Meios de hospedagem respondentes: 63
  • Operadoras/DMCs respondentes: 8

Perfil do hóspede – origem

  • Brasil: 70%
  • Europa: 13%
  • América do Norte: 9%
  • América Latina: 5%
  • Outros mercados: 3%

Perfil dos clientes das operadoras

  • América do Norte: 38%
  • Europa: 36%
  • Brasil: 15%
  • Outros mercados: 11%

Tempo de permanência

  • Hóspedes domésticos com estadias de até três diárias: 58%
  • Hóspedes domésticos com estadias de quatro a sete noites: 35%
  • Viajantes estrangeiros com permanência superior a sete dias: 80%

Motivos de viagem

  • Lazer: 55%
  • Réveillon: 82%
  • Carnaval: 67%
  • Casamentos: 60%

Bem-estar e experiências

  • Bem-estar, spa e relaxamento: 93%
  • Massagens: 92%
  • Gastronomia: 85%
  • Serviços personalizados: 65%
  • Atividades e experiências VIP: 53%

Eventos e destinos

Eventos que mais atraem hóspedes:

  • Réveillon: 82%
  • Carnaval: 67%
  • Casamentos: 60%

Destinos mais procurados pelas operadoras:

  • Rio de Janeiro: 51%
  • Foz do Iguaçu: 40%
  • Pantanal: 24%
  • Maranhão: 19%
  • Litoral da Bahia: 17%
  • Salvador: 16%
  • São Paulo: 14%
  • Litoral do Ceará: 14%
  • Fernando de Noronha: 10%

Satisfação e expansão dos negócios

  • Hóspedes que atribuíram nota igual ou superior a 8,5 no NPS: 93%
  • Associados que pretendem ampliar os negócios: 71%
  • Média geral das avaliações de cliente oculto: 83,2%
  • Hotéis avaliados pela metodologia de cliente oculto em 2026: 35
  • Nota mínima exigida para aprovação na avaliação: 80%

BLTA em 2026

  • Associados atuais: 74
  • Meios de hospedagem: 66
  • DMCs/operadoras: 8
  • Destinos representados: 37
  • Candidaturas recebidas em 2026: 19
  • Novos associados aprovados em 2026: 4

Sustentabilidade e ESG

Certificações e processos

  • Associados já certificados em ESG: 28%
  • Associados em processo de certificação: 54%
  • Meta de associados certificados até 2028: 100%
  • Meios de hospedagem que possuem certificação ou iniciaram o processo: 35,48%
  • Operadoras que possuem certificação ou iniciaram o processo: 28,57%

Projetos socioambientais

  • Meios de hospedagem que apoiam ou promovem projetos locais: 67,74%
  • Operadoras que apoiam ou promovem projetos locais: 100%
  • Projetos apoiados pelos meios de hospedagem: 164
  • Projetos apoiados pelas operadoras: 26
  • Média de projetos por meio de hospedagem: 4
  • Média de projetos por operadora: mais de 3

Foco dos projetos

  • Desenvolvimento socioeconômico: 50% dos meios de hospedagem / 75% das operadoras
  • Educação: 47% / 63%
  • Conservação ambiental: 44% / 75%

Emissores internacionais dos hotéis

  • França: principal emissor europeu, citado por 74% dos associados
  • Reino Unido: entre os principais emissores europeus
  • Portugal: entre os principais emissores europeus
  • Itália: passou de 19% em 2024 para 52% em 2025 nas menções dos associados
  • Estados Unidos: principal emissor da América do Norte
  • Argentina: principal emissor da América Latina

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