Presidente Institucional da Costa aponta desafios para ampliar oferta no Brasil

Renê Hermann detalha operação da companhia para 2026/2027 e cita custos, regulação, infraestrutura e competitividade entre entraves do mercado

Maurício Herschander
Maurício Herschander
Repórter - E-mail: mauricio@brasilturis.com.br

Brasília (DF) – A Costa Cruzeiros manterá sua aposta na América do Sul na temporada 2026/2027, com o Costa Diadema e o Costa Serena como protagonistas da operação regional. Durante o 8º Fórum Clia Brasil, realizado nesta quarta-feira (26), em Brasília (DF), Renê Hermann, presidente Institucional Brasil da companhia, apresentou o cenário atual da empresa, detalhou os próximos movimentos e apontou os fatores que ainda dificultam uma presença maior de navios no mercado brasileiro.

Hermann também citou a recente saída de Dario Rustico da companhia e informou que não haverá mudanças na estratégia da Costa. Segundo o executivo, Jorge Vidal, atualmente responsável pela área comercial na Espanha e também por Portugal, assumirá o cargo de diretor das Américas em janeiro de 2027. Rustico, por sua vez, retorna à Itália para se dedicar a novos projetos.

Ao contextualizar a dimensão da operação, Hermann lembrou que a Costa integra a Carnival Corporation, grupo que reúne oito marcas. A Costa possui nove navios, enquanto a Aida, também ligada à estrutura da companhia, opera 11 embarcações. No total, a Carnival Corporation reúne 94 navios e atende cerca de 13,5 milhões de hóspedes.

A história da Costa no Brasil também ocupou espaço na apresentação. A companhia chegou ao País em 1948 e, segundo Hermann, pretende manter essa relação por muitos anos. “A Costa veio para o Brasil em 1948. Daqui até hoje, vamos permanecer por muitos, muitos e muitos anos”, declarou.

Brasil disputa navios com outros mercados

Apesar da relação histórica com o País, Hermann deixou claro que a definição sobre onde cada embarcação será posicionada passa pela rentabilidade oferecida pelos diferentes mercados. Caribe, Ásia, Dubai, Mediterrâneo e Norte da Europa estão entre as regiões que concorrem diretamente com a América do Sul pela capacidade das companhias.

“Aonde a empresa tem o melhor retorno de investimentos para os seus navios é para onde ela vai levar”, afirmou Hermann. O executivo lembrou que a operação da Costa chegou a contar com sete navios em uma única temporada brasileira, cenário bastante diferente da atual distribuição da frota.

Como exemplo dessa concorrência, Hermann citou Costa Fascinosa e Costa Favolosa, embarcações que já passaram temporadas no Brasil e atualmente operam em outros mercados. “O Brasil, a América do Sul, nós escutamos aqui que querem navio, querem navio, querem navio, mas nós estamos disputando com outros destinos”, disse. Segundo ele, os dois navios estão hoje fora da região porque oferecem retorno maior à companhia em seus mercados atuais.

O cenário ilustra um dos principais debates do Fórum Clia Brasil: a necessidade de criar condições econômicas e operacionais capazes de tornar o País mais competitivo na disputa interna das companhias pela alocação das embarcações.

Costa Diadema e Serena marcam temporada 2026/2027

Para a próxima temporada, o Costa Diadema permanece como uma das principais embarcações da companhia na região. Estão previstos 26 embarques em Santos (SP) e outros 25 em Itajaí (SC). O navio terá roteiros para a região do Prata, além de cruzeiros de três e quatro noites no Brasil.

Outra novidade operacional será o Costa Serena, que ocupará o lugar do Costa Favolosa. A embarcação chegará à América do Sul após uma viagem de volta ao mundo com origem em Tóquio. A programação inclui Buenos Aires, Rio de Janeiro, Montevidéu e Terra do Fogo, além de passagens pelo litoral brasileiro. Hermann indicou ainda que cerca de 10% dos passageiros a bordo do Serena deverão ser brasileiros.

O presidente Institucional Brasil da Costa também demonstrou interesse em uma maior diversidade de destinos nacionais nos itinerários e citou localidades que investiram em condições para receber embarcações. Porto Belo (SC) e Balneário Camboriú (SC), por exemplo, já contam com alfandegamento, fator relevante para operações internacionais.

Além dos navios da Costa, outras embarcações pertencentes ao grupo Carnival passarão pelo País na temporada 2026/2027. Segundo Hermann, serão seis navios do grupo, responsáveis por 39 escalas em portos brasileiros. Santos, Rio de Janeiro, Salvador, Fortaleza e Belém aparecem entre os destinos contemplados pelas operações.

Para que esse movimento avance nos próximos anos, Hermann apontou questões que precisam entrar no centro das discussões entre indústria e poder público. “Altos custos operacionais, complexidade regulatória, limitações de infraestrutura portuária, sazonalidade e falta de competitividade com os mercados internacionais” foram os desafios enumerados pelo executivo.

A mensagem apresentada pela Costa no Fórum passa, portanto, pela combinação entre permanência e competição. A companhia mantém uma relação de quase oito décadas com o mercado brasileiro e terá presença relevante na temporada 2026/2027, mas a possibilidade de trazer mais embarcações dependerá da capacidade do Brasil de oferecer condições capazes de disputar investimentos com outros destinos internacionais.

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