Brasília (DF) – A Royal Caribbean Group prepara uma nova etapa de expansão de seu portfólio, com investimentos em navios, produtos terrestres e a entrada no segmento de cruzeiros fluviais. As novidades foram apresentadas por André Pousada, vice-presidente Regional de Relações Governamentais para a América Latina da companhia, nesta quarta-feira (26), durante o 8º Fórum Clia Brasil, realizado em Brasília (DF). O executivo também defendeu maior atenção à competitividade dos destinos brasileiros na disputa global por embarcações.
Atualmente, a Royal Caribbean International possui 29 navios e outros sete encomendados. O grupo também reúne a Celebrity Cruises, marca premium com 15 embarcações e mais uma encomendada; a Silversea Cruises, voltada ao ultraluxo e às expedições; além de Tui Cruises e Hapag-Lloyd Cruises, direcionadas principalmente ao mercado alemão.
Entre as principais novidades apresentadas por Pousada está a entrada da Celebrity Cruises no segmento fluvial europeu a partir de 2027. A companhia terá dez navios destinados a itinerários pelos rios da Europa, movimento que acrescenta um novo nicho ao portfólio do grupo.
A expansão também ocorre nos produtos tradicionais. Pousada citou entre os lançamentos recentes o Star of the Seas, da Royal Caribbean International, e o Celebrity Xcel, da Celebrity Cruises. A estratégia passa pela oferta de experiências que combinam hospedagem, gastronomia, entretenimento, parques temáticos a bordo e destinos privados.
Investimentos ultrapassam os navios
O executivo também apresentou um exemplo de como a Royal Caribbean Group busca integrar diferentes componentes da experiência turística. A Silversea terá ainda neste ano um hotel de luxo em Puerto Williams, no extremo sul do Chile, fruto de uma parceria voltada aos passageiros que participam das expedições à Antártica.
O produto integra transporte aéreo, hospedagem e cruzeiro. O passageiro passa por Santiago e Punta Arenas antes de chegar a Puerto Williams, onde fica hospedado e posteriormente embarca para a expedição. Segundo Pousada, o projeto demonstra como os investimentos da indústria podem gerar impactos que ultrapassam a operação marítima.
“É gratificante saber que todos nós queremos a mesma coisa. Talvez a gente possa criar um canal e um sistema de comunicação mais efetivo, porque, se queremos a mesma coisa, nós temos o mesmo objetivo. Então, trabalhando juntos, a gente alcança”, afirmou Pousada.
O executivo citou desenvolvimento das comunidades, geração de empregos e impacto econômico como resultados esperados desse tipo de investimento. No caso chileno, ele destacou os efeitos para uma pequena comunidade como Puerto Williams, que passa a integrar um produto turístico formado pelos segmentos aéreo, terrestre e marítimo.
Destinos brasileiros precisam olhar para concorrentes
Ao trazer a discussão para a atração de mais navios, Pousada defendeu que destinos e autoridades brasileiras analisem não apenas suas próprias condições, mas também aquilo que concorrentes internacionais oferecem às companhias.
“Se eu quero mais navios, se eu quero mais investimentos de todas as ordens das empresas de cruzeiros, eu acho que tenho que entender o que o meu concorrente está fazendo. O meu concorrente é outro país, é outra cidade”, declarou.
Pousada levantou ainda a necessidade de avaliar se outros destinos entregam qualidade semelhante a custos inferiores, fator determinante no momento em que as companhias definem onde posicionar seus ativos. “Esse trabalho de concorrência, abrir os horizontes e a visualização de um mercado de destinos é fundamental”, afirmou.
A dimensão da disputa aparece nos números do próprio grupo. Segundo o executivo, são 71 navios que passam por mais de mil destinos no mundo. Enquanto algumas localidades recebem apenas uma embarcação, outras chegam a registrar três ou quatro navios em um mesmo dia, diferença que Pousada associou à competitividade oferecida por cada mercado.
Planejamento pode favorecer o Brasil
Outro aspecto citado pelo vice-presidente foi a sustentabilidade. Para Pousada, a responsabilidade das companhias passa pela relação com as comunidades visitadas, pela proteção ambiental e pelo desenvolvimento socioeconômico dos destinos. O envolvimento das populações locais também é considerado essencial para a manutenção da atividade no longo prazo.
No caso brasileiro, o executivo vê uma oportunidade no próprio calendário de planejamento das companhias. Os itinerários são definidos com antecedência de dois a quatro anos, período que pode ser aproveitado pelos destinos para preparar infraestrutura e aprimorar as condições oferecidas às empresas.
“Planejar de dois a quatro anos de antecedência é excelente para os destinos, porque eles têm dois a quatro anos para preparar e pavimentar o terreno para a melhoria do ambiente de negócios”, disse Pousada.
A avaliação apresentada no Fórum coloca a competitividade no centro da discussão sobre uma eventual expansão da Royal Caribbean e de outras companhias no País. Em um cenário no qual dezenas de navios podem escolher entre mais de mil destinos, Pousada indicou que o potencial turístico brasileiro precisa estar acompanhado de condições econômicas, diálogo entre os diferentes atores e planejamento de longo prazo para se transformar em novas escalas e operações.










