São Paulo (SP) — A evolução do comportamento do viajante corporativo e a busca por experiências mais eficientes colocaram a integração entre hospedagem, mobilidade e proteção no centro das discussões do 12º Fórum Corporativo Abracorp. Em painel dedicado à jornada corporativa integrada, representantes da Accor, Movida e Hero apresentaram iniciativas, resultados e perspectivas para os respectivos segmentos, destacando o avanço da digitalização, da personalização e dos serviços agregados.
Accor amplia presença e aposta na experiência
Marcus Simões, VP de Vendas PM&E da Rede Accor, destacou o momento positivo da companhia no Brasil. Dos 450 hotéis da divisão PME (Premium, Midscale e Economy) na região das Américas, 320 estão no País. A rede prevê encerrar o ano com dez novas aberturas na região, sendo oito no Brasil, incluindo empreendimentos em destinos secundários com potencial para o mercado corporativo e de lazer.
Além das inaugurações, a Accor contabiliza mais de 20 novos contratos assinados em 2026, com previsão de abertura nos próximos anos. Atualmente, a rede representa cerca de 20% da oferta hoteleira entre marcas nacionais e internacionais, enquanto responde por 28% do pipeline de novas aberturas previsto para os próximos meses.
Na avaliação de Simões, a percepção de uma experiência premium está cada vez mais relacionada à conveniência e ao ganho de tempo. “O luxo, o premium ele tá muito mais relacionado ao ganho de tempo do que qualquer outro serviço adicional. Fazendo bem feito o que a gente oferece”, afirmou.
Entre as soluções apresentadas estão totens de autoatendimento integrados, que permitem reconhecimento do viajante, da agência e da empresa, além de pagamento e emissão da chave, e o Wi-Fi integrado ao aplicativo. A rede também vem ampliando a oferta de serviços agregados, como late check-out, café da manhã e outros serviços que podem ser contratados digitalmente.
Movida aposta na personalização da mobilidade
Na mobilidade, Jamyl Jarrus, VP Executivo da Movida, apresentou a dimensão da operação da companhia, que conta com mais de 350 lojas no Brasil, sendo aproximadamente 90 voltadas à venda de seminovos, além de mais de 270 mil veículos em operação. A empresa também mantém oito lojas em Portugal, com uma frota de cerca de 8 mil veículos no país europeu.
O executivo ressaltou a importância do segmento corporativo para a locação de veículos e afirmou que a companhia vem adaptando produtos e canais de atendimento aos diferentes perfis de consumidores. Entre as iniciativas estão a contratação integral pelo WhatsApp, lançada recentemente, e a ampliação de estruturas de autoatendimento.
“Então, tudo isso a gente está fazendo, a gente tem um olhado para a experiência do cliente, mas para cada pessoa também que a gente está atendendo. Isso isso eu acho que é o máximo que a gente tá conseguindo entregar hoje na personalização do atendimento ao cliente”, afirmou Jarrus.
Segundo dados apresentados durante o painel, o segmento de locação na Abracorp cresceu 4% entre janeiro e julho, enquanto o ticket médio avançou 3,73%. A Movida representa 18% das vendas do segmento, atrás da Localiza, com 61%. Jarrus também destacou o avanço do mercado de venda de veículos, que registrou crescimento de 10% no período citado.
Hero acelera crescimento no seguro viagem
Guilherme Wroclawski, CEO da Hero Seguros, destacou o avanço da companhia no mercado de seguros e a estratégia de utilizar tecnologia para reduzir atritos na jornada. A empresa, fundada em 2021, passou de cinco colaboradores para cerca de 230 e, segundo o executivo, movimenta entre R$ 350 milhões e R$ 400 milhões.
No seguro viagem, a companhia passou de uma participação praticamente inexistente em 2022 para uma fatia entre 13% e 15% do mercado brasileiro em 2025, segundo os números apresentados no painel. No levantamento da Abracorp, a Hero aparece com 13% das vendas e crescimento de 118% no mercado nacional. Atualmente, a composição das vendas da empresa está em 48% para viagens nacionais e 52% para internacionais.
Wroclawski também destacou iniciativas voltadas à personalização do seguro para o público corporativo, incluindo cobertura para executivo substituto e telemedicina em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein. A empresa também vem ampliando sua atuação internacional, com escritórios na Argentina, México e Chile.
“A tecnologia é o meio, ela não é o fim. Por exemplo, no atraso de voo, a Hero ficava pensando: ‘Pô, cara, tem que ir no balcão da companhia aérea pegar documentação para ir atrás do reembolso’. Existem APIs abertas com histórico de voos dos últimos dez anos, como o FlightRadar. A gente conseguiu se conectar e, hoje, quando atrasa o voo, o segurado da Hero manda para a gente o bilhete. Eu não preciso que ele vá ao balcão. O segurado da Hero está indo embora e vai ter o seu reembolso porque a gente vai validar que aquele voo foi atrasado através de outros dados”, afirmou.
O executivo também apontou o avanço dos serviços agregados ao seguro viagem. Segundo Wroclawski, a estratégia contribuiu para que a Hero ampliasse sua participação ao oferecer benefícios como telemedicina, conectividade e acesso a serviços adicionais. No atendimento de sinistros, a empresa registra NPS superior a 80, conforme os dados apresentados no evento.
Integração ainda é desafio
Apesar dos avanços individuais, os executivos apontaram que a integração entre os diferentes elos da jornada ainda representa uma oportunidade para o mercado corporativo. A avaliação é de que o viajante não percebe hotel, transporte e seguro como serviços isolados, mas como partes de uma única experiência.
Nesse cenário, tecnologias capazes de conectar informações e automatizar processos podem reduzir atritos em situações como atrasos e cancelamentos de voos, alterações de hospedagem e necessidade de extensão de serviços. Para os participantes, a evolução passa por soluções que agreguem valor sem aumentar excessivamente os custos para empresas e viajantes.










