As medidas temporárias de flexibilização do Sistema de Entrada/Saída (EES) da União Europeia chegaram ao fim em 6 de setembro, após um verão marcado por filas nas fronteiras e relatos de passageiros que perderam voos. Entidades e empresas do setor de viagens agora pressionam a União Europeia para prolongar as regras, que permitiam aos Estados-membros suspender a coleta de impressões digitais e o reconhecimento facial em situações excepcionais, quando os postos de controle ficavam saturados.
Segundo a associação Airports Council International (ACI), os tempos de espera chegaram a cinco horas em julho. Os aeroportos de Lisboa, Milão, Roma e Cracóvia estiveram entre os mais afetados durante o período de maior movimento. Entre os problemas apontados estão falhas em quiosques, falta de funcionários e dificuldades operacionais relacionadas ao sistema.
A Ryanair critica o EES desde seu lançamento, em outubro de 2025. Neal McMahon, diretor de operações da companhia, afirmou que a gestão do EES pela UE tem sido um “caos do princípio ao fim”. “Companhias aéreas, aeroportos e autoridades de fronteira avisaram repetidamente Bruxelas de que o sistema não estava pronto, de que iria aumentar os tempos de processamento e criar filas excessivas para os passageiros. Esses alertas foram ignorados, ficando os cidadãos da UE sujeitos a atrasos e perturbações”, acrescentou McMahon.
O executivo defende que a Comissão Europeia prolongue a flexibilidade do EES pelo menos até abril de 2027. Segundo McMahon, “os passageiros não devem pagar o preço do fracasso da implementação do EES pela UE”.
Matthew Pack, diretor executivo da Holiday Extras, também criticou a implementação do sistema. “Uma vez que a UE não o diz de forma clara, dizemo-lo nós. Estes sistemas de fronteira falharam… o EES não funcionou.”
Pack afirma ainda que existem diferenças entre a comunicação oficial sobre o sistema e a experiência dos viajantes nas fronteiras. “Restam assim duas fronteiras da UE. Há a das comunicações oficiais, onde o EES funciona sem problemas e o ETIAS está a avançar. E há a que existe no terreno, onde os turistas fazem fila, aplicada de forma irregular pelos guardas fronteiriços, e onde todos sabem a verdade: nada aqui está a funcionar como previsto.
“Um sistema que precisa de tanta improvisação discreta para funcionar não está pronto. A resposta honesta é dizê-lo, recuar e reconstruí-lo como deve ser”, complementa Pack.
Comissão Europeia contesta avaliação
As críticas ocorrem após a Comissão Europeia afirmar que o desempenho do EES durante o verão foi satisfatório, apesar da necessidade de ajustes em alguns países.
“No geral, o sistema funcionou bem durante o verão e, até 6 de setembro, temos a possibilidade de suspender temporariamente o registo de dados biométricos em caso de circunstâncias excecionais”, afirmou na semana passada um porta-voz da Comissão. “Estamos em contacto estreito com os poucos Estados-membros onde são necessários ajustes”, conta.
Com o fim da flexibilidade, associações do setor avaliam que os aeroportos e postos de fronteira terão menos margem para suspender temporariamente os procedimentos biométricos quando houver aumento expressivo no fluxo de passageiros.














