O acesso ao crédito segue como um dos principais desafios para empreendedores do turismo, especialmente entre micro e pequenas empresas que precisam investir em estrutura, capital de giro e modernização. Como noticiado nesta semana, o Fundo Geral do Turismo (Fungetur) deve disponibilizar R$ 826 milhões para apoiar negócios do setor com condições diferenciadas de financiamento, mas o acesso aos recursos exige atenção a alguns critérios e etapas formais.
Criado pelo Ministério do Turismo, o fundo foi estruturado para fortalecer empresas da cadeia turística com linhas voltadas a diferentes finalidades, como manutenção do fluxo de caixa, compra de veículos e equipamentos, reforma de instalações, ampliação de estrutura, modernização de sistemas e qualificação do negócio para receber melhor os visitantes.
O primeiro ponto que o empresário precisa saber é que não basta procurar um banco diretamente sem antes cumprir a exigência básica do programa. Para ter acesso às linhas do Fungetur, é obrigatório possuir registro ativo no Cadastur, o Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos do Ministério do Turismo. Isso vale para atividades como agências de viagens, locadoras de veículos, bugueiros, transportadores turísticos, pequenas pousadas, bares, restaurantes, cafeterias, organizadores de passeios e outros prestadores de serviços do setor.
Quem pode acessar e quais são as condições
Com o cadastro em situação regular ou em implantação e o respectivo certificado em mãos, o empreendedor já pode procurar uma das 30 instituições financeiras habilitadas a operar as linhas do fundo. A análise, aprovação e liberação do crédito são feitas exclusivamente pelo agente financeiro, de acordo com o perfil e a capacidade do empreendimento.
As condições são um dos grandes atrativos do programa. O Fungetur permite financiamentos de até R$ 15 milhões, com juros em torno de 9% ao ano, prazos alongados e carência que pode chegar a cinco anos, dependendo da modalidade. Para capital de giro, o prazo pode chegar a 60 meses. Já em operações ligadas a obras, ampliação, construção ou reforma, o pagamento pode se estender por até 240 meses.
O fundo dá atenção especial aos MEIs, micro, pequenas e médias empresas, justamente os negócios que estão na linha de frente do atendimento ao turista em destinos, estradas, praias, parques e centros históricos.
Como se cadastrar e buscar o financiamento
O Ministério do Turismo também lançou em março o programa Brasil Mais Crédito para o Turismo, iniciativa voltada a facilitar o acesso ao Fungetur e ampliar a divulgação da linha entre os empreendedores do setor.
Na prática, o caminho para acessar o crédito começa pelo Cadastur. O cadastro é gratuito e totalmente digital. O interessado deve entrar no sistema com a conta Gov.BR, preencher o formulário correspondente à sua atividade, assinar eletronicamente o termo de responsabilidade e enviar a solicitação. Após análise, o certificado pode ser disponibilizado em até cinco dias úteis, desde que a documentação esteja de acordo com a legislação.
Com esse documento em mãos, o próximo passo é procurar um banco credenciado e apresentar o projeto ou a necessidade de financiamento. A partir daí, a instituição financeira faz a análise de risco e define a liberação.
Passo a passo para acessar o Fungetur
Verifique se sua atividade turística pode ser cadastrada no Cadastur.
Faça o cadastro gratuito no sistema com sua conta Gov.BR.
Preencha o formulário da sua atividade e assine o termo eletrônico.
Aguarde a homologação e a emissão do certificado.
Confirme se o cadastro está como “regular” ou “em implantação”.
Escolha uma das instituições financeiras credenciadas pelo Ministério do Turismo.
Apresente a documentação e solicite a análise da linha de crédito.
Aguarde a avaliação do banco, que decidirá sobre a aprovação e as condições finais.







