Desde que entrei no turismo, custei a entender como funciona o processo de fazer growth no setor, pois, como a maioria dos negócios, o turismo não é diferente: sempre foi sobre escala. Mais quartos, mais pacotes, mais destinos, mais volume, maior resultado.
O que antes era tido como vantagem (tamanho, estrutura e alcance) hoje está sendo desafiado por algo muito mais poderoso: entendimento, seja de comportamento, de contexto ou de intenção.
Semanas atrás, vi em uma palestra no SXSW que o viajante de hoje não quer apenas viajar. Ele quer que a viagem faça sentido, que combine com seu momento de vida, com seus interesses e com a forma como enxerga o mundo. Isso é experiência com propósito; e o marketing precisa entender isso. Porém, isso muda completamente a lógica do mercado.
A tecnologia vem acelerando essa transformação por meio da inteligência artificial. A IA está tornando possível personalizar em escala algo que antes parecia inviável, trazendo recomendações mais precisas, comunicações mais relevantes e experiências mais alinhadas. Mas aqui está o ponto: a tecnologia, por si só, não resolve nada.
O diferencial não será quem tem acesso à IA. Será quem sabe usá-la para gerar valor real.
Ao mesmo tempo, a influência mudou de lugar. Saiu das grandes campanhas centralizadas e foi para as mãos das pessoas, comunidades, criadores e nichos. A decisão de viajar está cada vez mais baseada em confiança, e não na publicidade como é feita hoje.
Mas, enquanto tudo isso acontece, grande parte do mercado ainda opera como antes, comunicando de forma genérica, vendendo pacotes engessados e tratando o cliente como média. Isso não vai sustentar o futuro.
As empresas que vão se destacar são aquelas que conseguem combinar três coisas: dados, sensibilidade e execução. Essa sempre foi a base do marketing para mim, além de uma pontinha de criatividade.
O recado é simples: o marketing do seu negócio de turismo precisa de dados para entender, sensibilidade para interpretar e execução para entregar. Na prática, isso significa repensar tudo: desde como um hotel se apresenta até como uma operadora monta seus roteiros; desde a forma de comunicar até a forma de atender.
O futuro do turismo não será sobre quem tem mais estrutura, mas sobre quem consegue ser mais relevante. Porque, no fim, vencerá quem entender que viajar nunca foi sobre deslocamento.
Sempre foi sobre significado.






