A realização da Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos enfrenta um novo desafio fora dos gramados. Trabalhadores da hotelaria, alimentação e serviços em algumas das cidades-sede do torneio ameaçam entrar em greve em meio às negociações por melhores salários, benefícios e condições de trabalho.
Em Los Angeles, mais de 2 mil funcionários do SoFi Stadium, entre bartenders, cozinheiros, lavadores de pratos e atendentes, aprovaram a autorização para uma possível paralisação antes da partida entre Estados Unidos e Paraguai, marcada para 12 de junho. No entanto, o sindicato Unite Here Local 11 anunciou um acordo preliminar com a Legends Hospitality, empresa responsável pela operação do estádio, afastando temporariamente o risco de greve.
Segundo o sindicato, os trabalhadores reivindicam reajustes salariais, limites para o uso de inteligência artificial e terceirizações, além da garantia do direito de interromper as atividades caso agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) realizem ações nos locais de trabalho.
Em Seattle, a situação permanece indefinida. Cerca de 94% dos membros do Unite Here Local 8 que atuam no Embassy Suites Pioneer Square, hotel localizado ao lado do Lumen Field, aprovaram a autorização para uma possível greve. Os trabalhadores buscam um novo acordo coletivo que inclua proteção contra ações migratórias, aumentos salariais, melhorias na cobertura de saúde e reforço das equipes de trabalho.
Na Filadélfia, o Unite Here Local 274 estabeleceu o dia 12 de junho como prazo final para a assinatura de novos contratos trabalhistas em diversos hotéis da cidade. Entre os empreendimentos potencialmente afetados estão o Sheraton Philadelphia Downtown, o Wyndham Philadelphia Historic District, o Hilton Philadelphia at Penn’s Landing, o Warwick Hotel Rittenhouse Square e o Hilton Garden Inn Philadelphia Center City.
Os trabalhadores reivindicam reajustes de salários, melhorias nos planos de saúde e previdência, além da redução da carga de trabalho das equipes de governança.
A presidente do sindicato Unite Here, Gwen Mills, afirmou que os trabalhadores estão dispostos a receber os visitantes da Copa do Mundo, mas ressaltou que isso depende do avanço das negociações. “Os membros do Unite Here em todo o país estão preparados para dar as boas-vindas aos torcedores, mas talvez não consigam fazê-lo se continuarem lutando por contratos que garantam salários e benefícios adequados”, declarou.
O Unite Here representa aproximadamente 300 mil trabalhadores dos setores de hotelaria, alimentação e entretenimento nos Estados Unidos e Canadá. Embora algumas negociações avancem, a possibilidade de paralisações durante o maior evento esportivo do planeta segue no radar das cidades que receberão partidas da Copa do Mundo de 2026.







