O setor hoteleiro dos Estados Unidos iniciou 2026 cercado por incertezas. Tensões geopolíticas, inflação persistente, alta nos preços do petróleo e a queda da confiança do consumidor alimentavam projeções conservadoras para o desempenho da indústria ao longo do ano. No entanto, os resultados do primeiro trimestre surpreenderam positivamente e levaram analistas a revisar para cima as perspectivas para o mercado.
Durante o NYU International Hospitality Investment Forum, realizado em Nova York, as consultorias CoStar Group e Tourism Economics anunciaram uma nova projeção para o RevPAR (receita por apartamento disponível) da hotelaria norte-americana em 2026. A expectativa passou de crescimento de 0,6%, estimado em fevereiro, para alta de 2,8% ao final do ano.
Segundo Jan Freitag, diretor nacional de análise de hospitalidade da CoStar Group, o desempenho mais forte da demanda foi o principal fator para a revisão. O executivo destacou que as reservas individuais e de grupos apresentaram crescimento acima do esperado, devolvendo parte do poder de precificação aos hotéis.
De acordo com os dados apresentados, a demanda por hospedagem aumentou mais de 8 milhões de room nights nos quatro primeiros meses de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior. O RevPAR acumulava crescimento próximo de 5% nos primeiros 20 dias de maio.
Outro fator que sustenta o otimismo é a comparação com 2025, quando a hotelaria norte-americana enfrentou um período de desempenho mais fraco. Para os analistas, essa base reduzida deve favorecer os resultados ao longo do segundo semestre.
Adam Sacks, presidente da Tourism Economics, ressaltou que, apesar da confiança do consumidor ter atingido níveis historicamente baixos, o comportamento de consumo segue resiliente. Segundo ele, os gastos continuam crescendo, impulsionados por um mercado de trabalho relativamente estável, baixos níveis de comprometimento de renda com dívidas e valorização dos ativos das famílias norte-americanas.
“Existe um descolamento entre como as pessoas se sentem e como elas agem”, afirmou Sacks durante o evento. Para o executivo, as experiências continuam sendo uma prioridade para os consumidores, o que favorece diretamente o setor de viagens e hospedagem.
Os especialistas também identificam uma recuperação mais ampla entre diferentes segmentos de mercado. Após um período em que hotéis de luxo concentraram os melhores resultados, a expectativa agora é de crescimento distribuído entre as categorias upscale, upper-midscale e midscale.
Christopher Nassetta, CEO da Hilton, afirmou que o cenário econômico está se tornando mais equilibrado, com consumidores de renda média voltando a viajar com maior frequência tanto a lazer quanto a negócios.
A projeção da CoStar indica que os hotéis de luxo continuarão liderando o crescimento, com alta estimada de 5,3% no RevPAR em 2026. No entanto, os segmentos intermediários também devem apresentar evolução consistente, enquanto os hotéis econômicos devem registrar crescimento mais modesto.
Outro movimento observado pelos analistas é a redução das viagens internacionais dos norte-americanos. Segundo a Tourism Economics, o volume de viagens ao exterior caiu cerca de 2% em 2026, após anos consecutivos de crescimento. Parte dessa demanda está sendo redirecionada para destinos domésticos, fortalecendo ainda mais o mercado interno de hospedagem.

