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CVC perde 44,8% em 12 meses e vê ações atingirem mínima histórica

Maurício Herschander
Maurício Herschander
Repórter - E-mail: mauricio@brasilturis.com.br

A CVC atravessa um dos momentos mais delicados de sua trajetória no mercado de capitais. Em 11 de junho, as ações da companhia encerraram o pregão cotadas a R$ 1,32, o menor valor desde a abertura de capital da empresa, em 2013. No dia seguinte, os papéis reagiram e fecharam a R$ 1,39, mas ainda próximos da mínima histórica anterior, registrada em dezembro de 2024.

Atualmente avaliada em R$ 723,9 milhões, a operadora acumula queda de 35,6% em 2026 e de 44,8% nos últimos 12 meses. Segundo Fabio Mader, CEO da CVC, em entrevista ao NeoFeed, parte desse cenário está relacionada a fatores macroeconômicos. “Essa queda está ligada majoritariamente a questões macro. Quando começamos o ano, tínhamos outro cenário. E, de repente, entra um fator externo chamado guerra, que mudou completamente o contexto, em questões como a taxa Selic, o que, evidentemente, colocou pressão sobre o nosso resultado.”

Apesar da justificativa da companhia, gestores e especialistas ouvidos pelo veículo avaliam que os problemas vão além dos fatores externos. Entre os pontos levantados estão a troca frequente de executivos no comando da empresa, o desempenho da estratégia figital — que integra canais físicos e digitais — e a crescente concorrência de plataformas digitais como Booking e Decolar.

O desempenho financeiro também pesa na percepção dos investidores. No primeiro trimestre de 2026, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 72,3 milhões, ante perda de R$ 7,4 milhões no mesmo período do ano anterior. A receita líquida avançou apenas 0,5%, chegando a R$ 377,8 milhões, enquanto o Ebitda ajustado caiu 10,5%, para R$ 93,7 milhões.

Outro indicador que chamou atenção do mercado foi o aumento do consumo de caixa operacional, que passou de R$ 53,2 milhões para R$ 121,6 milhões em um ano. A dívida líquida atingiu R$ 241,8 milhões, crescimento de R$ 140 milhões em relação ao fim de 2025, enquanto a dívida líquida com recebíveis avançou para R$ 1,52 bilhão.

Felipe Gomes, CFO da CVC, argumenta que o primeiro trimestre costuma ser um período de maior consumo de caixa para empresas do setor e atribui parte da pressão ao aumento das tarifas aéreas. “Hoje, quando olhamos o que temos a pagar e o que temos em caixa, não temos a necessidade de um follow on”, afirmou. “Essa opção poderia ser boa para reestruturar o balanço, mas, com o preço da ação hoje, estamos muito mais focados em reperfilar a dívida que temos dentro de casa.”

Mudanças de estratégia e de liderança

A chegada de Fabio Mader ao comando da empresa, em janeiro deste ano, marcou mais uma troca na liderança da CVC. Ele é o quarto CEO da companhia em sete anos, período marcado por diferentes estratégias e reposicionamentos.

“Houve trocas muito frequentes no comando e a empresa foi alternando entre diversas novas estratégias e discursos”, afirmou Daniel Utsch, gestor da Nero Capital. “E o fato é que, passados esses últimos 4, 5 anos, o resultado não melhora e não muda em nada. E a rentabilidade ainda é muito aquém.”

Nos últimos anos, a companhia apostou no modelo figital, combinando canais digitais e lojas físicas. A estratégia foi acompanhada pela abertura de cerca de 480 unidades em três anos. No entanto, críticos apontam que a integração entre os canais não gerou os ganhos de eficiência esperados.

“A empresa criou um discurso de que tinha agora um modelo figital, com 50% das vendas das lojas feitas a distância”, disse um gestor ouvido pelo NeoFeed. “Mas, agora, o mercado percebeu que, ou isso não é verdade, ou, se é verdade, só serviu para aumentar a ineficiência, uma vez que eles vendem a distância, mas seguem remunerando o franqueado.”

Ao mesmo tempo, empresas digitais ampliaram sua participação no mercado. “No turismo, no Brasil, temos dois grandes exemplos: Decolar e Booking”, observou a mesma fonte. “São estrangeiras, 100% digitais e dominaram completamente o mercado aqui.”

Aposta na escala e no digital

Mader, por sua vez, defende a expansão da rede física e afirma que o movimento permitiu à CVC recuperar escala. “Abrir loja era importante, porque esse aqui é um jogo de escala. No turismo, tamanho é importante”, disse. “Com essa expansão, a CVC voltou a ser do tamanho que era em 2019, o que nos dá uma vantagem para competir com empresas como Trip.com e Expedia.”

O executivo também destaca investimentos para fortalecer a presença digital da companhia, incluindo o lançamento de um novo site e aplicativo previsto para outubro e a entrada recente em plataformas agregadoras como Google Flights, Skyscanner e Kayak.

Mesmo assim, analistas avaliam que a mudança de posicionamento gera questionamentos sobre a consistência da estratégia adotada nos últimos anos. Para parte do mercado, a combinação de resultados pressionados, aumento do endividamento, consumo de caixa e mudanças frequentes de direção ajuda a explicar a desconfiança dos investidores em relação ao futuro da empresa.

Com informações do NeoFeed.

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