O Brasil conta atualmente com 17,9 milhões de pessoas com perfil viajante, segundo levantamento da área de Marketing Solutions da Serasa Experian, primeira e maior datatech do país. Produzido por meio da plataforma Insights Hub, o estudo identificou mudanças importantes no comportamento do consumidor de turismo em 2026. Apesar de registrar uma redução de 6% em relação ao ano anterior, quando a base era de 19 milhões de pessoas, a pesquisa aponta um público mais planejado, digitalizado e atento à relação custo-benefício.
Os dados mostram uma forte evolução no interesse por programas de fidelidade. Atualmente, oito em cada dez viajantes apresentam afinidade com o resgate de milhas, percentual que praticamente dobrou na comparação com 2025. Outro destaque é o crescimento dos chamados “caçadores de desconto”, que representam 53,9% do universo analisado, um avanço de 22,1 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior.
O ambiente digital segue como protagonista na jornada de compra. Segundo a pesquisa, 91,7% dos viajantes demonstram propensão para realizar compras online, índice praticamente estável em comparação aos 92,2% registrados em 2025. O resultado evidencia a importância dos canais digitais para pesquisa, comparação de preços e contratação de produtos e serviços turísticos.
“Os dados indicam que o viajante brasileiro está mais estratégico na forma de consumir turismo, planejando melhor suas escolhas, comparando oportunidades e combinando conveniência digital com a busca por benefícios, como milhas e descontos. Para as marcas, esse comportamento reforça a importância de ir além da afinidade com viagens e usar inteligência de dados para entender capacidade de pagamento, momento de consumo e preferências, criando ofertas mais relevantes, personalizadas e com maior potencial de conversão”, afirma a CMO e vice-presidente de Marketing Solutions da Serasa Experian, Giovana Giroto.
Segundo a executiva, o crescimento dos perfis interessados em descontos e programas de milhagem cria oportunidades para companhias aéreas, hotéis, operadoras, agências e empresas ligadas ao segmento de fidelização. “Hoje, não basta identificar quem tem intenção de viajar. É preciso entender como esse consumidor se comporta, qual é sua capacidade de pagamento e quais benefícios fazem sentido para ele. Esse olhar permite que marcas criem campanhas mais eficientes, reduzam dispersão de mídia e aumentem a chance de conversão com ofertas realmente relevantes”, complementa.
Público mais maduro ganha espaço
A análise geracional mostra que os Millennials continuam liderando entre os viajantes, representando 39,5% da base em 2026. No entanto, houve crescimento da participação de públicos mais maduros. A geração X passou de 25% para 26,4%, enquanto os Boomers avançaram de 13,4% para 15,5%. Já a geração Z perdeu participação, com retração de 2,2 pontos percentuais.
Para a Serasa Experian, esse movimento sugere um perfil mais associado à estabilidade financeira e ao planejamento das viagens.
Capacidade de pagamento abre espaço para diferentes estratégias
O levantamento também mostra um público heterogêneo do ponto de vista financeiro. A maior parcela dos viajantes possui renda mensal superior a R$ 10 mil, representando 32,5% da amostra. Quando analisada a capacidade de pagamento, porém, os resultados aparecem mais distribuídos: 38,8% têm disponibilidade de até R$ 1 mil, enquanto 25,3% podem desembolsar mais de R$ 5 mil.
Os dados indicam oportunidades tanto para produtos promocionais quanto para experiências de maior valor agregado. Mais da metade dos viajantes (53,3%) possui capacidade de pagamento de até R$ 2 mil, perfil favorável a campanhas com parcelamento, descontos e benefícios. Por outro lado, quase quatro em cada dez consumidores têm renda acima de R$ 8 mil, cenário que favorece a comercialização de viagens internacionais, hospedagens diferenciadas e experiências premium.
A pesquisa “Perfil Viajante 2026” foi realizada a partir de uma amostra de 17.875.489 pessoas identificadas com perfil viajante dentro de uma base superior a 188 milhões de CPFs. O estudo utilizou dados comportamentais, socioeconômicos, de afinidade e capacidade de pagamento, tratados de acordo com as diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).








