O crescimento do turismo religioso no Brasil acaba de ganhar um novo referencial acadêmico e prático. O turismólogo Sidnésio Moura lançou “Governança no Turismo Religioso: Fé, Gestão e Sustentabilidade”, apresentada como a primeira obra brasileira dedicada exclusivamente à governança aplicada aos destinos de fé.
O lançamento chega em um momento de expansão do segmento, que movimenta bilhões de reais, reúne aproximadamente 30 milhões de viajantes e conta com mais de 340 destinos e atrações mapeados em todo o país. Em 2025, somente o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida recebeu 10,5 milhões de visitantes, enquanto o Círio de Nazaré (PA), a Festa da Penha (ES) e a Romaria do Divino Pai Eterno (GO) reuniram, juntos, 9,6 milhões de participantes.
Resultado de anos de pesquisa, visitas técnicas e consultorias em destinos religiosos brasileiros, a publicação propõe um modelo de gestão que reúne planejamento estratégico, políticas públicas, sustentabilidade, ordenamento territorial, financiamento, monitoramento, indicadores e participação social. A obra também discute a relação entre Igreja, poder público, iniciativa privada e comunidade na organização desses territórios.
Além dos conceitos de governança, o livro aborda temas como ESG, economia solidária, sinodalidade e apresenta estudos de caso de importantes destinos religiosos nacionais. A proposta é oferecer uma ferramenta tanto para o meio acadêmico quanto para gestores públicos, dioceses, santuários, secretarias de turismo, conselhos municipais, empreendedores e agentes pastorais.
“Durante muitos anos discutimos turismo religioso olhando apenas para o visitante ou para os eventos. Percebi que o maior desafio estava na governança: quem decide, quem participa, quem planeja e como preservar o sagrado enquanto o destino se desenvolve. Este livro nasce para responder a essas perguntas e contribuir para uma nova forma de pensar o turismo religioso no Brasil”, afirma Sidnésio Moura, autor da obra.
O autor defende que o desenvolvimento do turismo religioso deve ocorrer de forma equilibrada, conciliando crescimento econômico, preservação do patrimônio religioso e a missão pastoral dos espaços de devoção. A publicação também busca aproximar a ciência do turismo da doutrina e da atuação da Igreja Católica, mostrando que planejamento, gestão e espiritualidade podem caminhar de forma complementar.
“O peregrino não procura apenas um atrativo turístico; ele busca uma experiência de encontro com Deus. Quando compreendemos isso, entendemos que governar um destino religioso significa cuidar das pessoas, preservar o patrimônio da fé e garantir que o desenvolvimento aconteça sem perder a identidade espiritual que dá sentido àquele lugar”, destaca Moura.
Com a publicação, o Brasil passa a contar com uma obra voltada exclusivamente à governança no turismo religioso, ampliando o debate sobre planejamento, organização e sustentabilidade em um dos segmentos mais relevantes do turismo nacional.







