Brasileiros já conseguem utilizar o Pix durante viagens internacionais em alguns destinos, especialmente na América do Sul. Embora o Banco Central esclareça que ainda não existe um Pix Internacional oficial, empresas de tecnologia financeira e instituições bancárias vêm conectando o sistema brasileiro a redes de pagamentos no exterior, permitindo que turistas realizem compras diretamente pelo aplicativo do banco utilizado no Brasil.
O modelo dispensa o uso de dinheiro em espécie e, em muitos casos, reduz a necessidade de cartões internacionais. Atualmente, as iniciativas mais avançadas estão concentradas em Chile e Argentina, mas já existem operações em países como Estados Unidos, Portugal e França, com expectativa de expansão para outros mercados de interesse dos viajantes brasileiros.
Intermediárias fazem a conversão
Segundo o Banco Central, o Pix continua sendo um sistema doméstico. Na prática, as operações internacionais dependem de empresas intermediárias que recebem o pagamento em reais, realizam a conversão cambial e repassam o valor ao estabelecimento comercial na moeda local.
Para o consumidor, o processo é semelhante ao utilizado no Brasil: basta escanear um QR Code pelo aplicativo do banco, visualizar o valor convertido em reais antes da confirmação e concluir a transação. O comerciante, por sua vez, recebe o pagamento diretamente na moeda do país.
Chile lidera expansão
No Chile, uma parceria entre a fintech brasileira PagBrasil e a empresa chilena VirtualPOS vem ampliando a aceitação do sistema em hotéis, restaurantes, locadoras de veículos, meios de transporte, centros de esqui e estabelecimentos comerciais.
Segundo a empresa, a expectativa é movimentar mais de US$ 10 milhões durante a temporada de inverno deste ano, crescimento de 900% em relação ao mesmo período do ano anterior. A expansão acompanha o aumento do fluxo de brasileiros para o destino, que recebeu cerca de 681 mil visitantes do Brasil em 2025.
Argentina amplia rede credenciada
Na Argentina, o avanço ocorre por meio de uma parceria entre o Banco do Brasil e o Banco Patagonia. Desde março, clientes do banco brasileiro podem realizar pagamentos em aproximadamente 6 mil estabelecimentos utilizando o aplicativo da instituição financeira onde já possuem conta.
Durante a operação, o turista visualiza a cotação antes da confirmação da compra. O débito é realizado em reais, enquanto o estabelecimento recebe em pesos argentinos, sendo aplicadas a taxa de câmbio e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), conforme a legislação vigente.
A solução também passou a funcionar no sentido inverso: clientes do Banco Patagonia já conseguem utilizar o QR Code do Pix em estabelecimentos brasileiros.
Tendência é conectar sistemas
Especialistas avaliam que a internacionalização dos pagamentos tende a ocorrer por meio da integração entre diferentes infraestruturas financeiras, e não pela criação de um sistema global equivalente ao Pix.
À medida que bancos, fintechs e adquirentes ampliam essas conexões, cresce a possibilidade de turistas utilizarem seus aplicativos bancários em viagens internacionais com uma experiência semelhante à disponível no mercado brasileiro, tornando os pagamentos mais rápidos e simplificando o consumo em destinos no exterior.

