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Estrangeiros priorizam cultura e experiências clássicas ao viajar pelo Brasil

Reservas mostram protagonismo dos vizinhos sul-americanos, concentração no Rio de Janeiro e maior gasto entre turistas vindos de longa distância

Kamilla Alves
Kamilla Alves
Gestora Web - E-mail: milla@brasilturis.com.br

O crescimento do turismo internacional no Brasil começa a revelar não apenas quantos estrangeiros chegam ao país, mas como eles se comportam durante a viagem. Dados de reservas da Civitatis no primeiro semestre de 2026 mostram um visitante interessado em conhecer os destinos acompanhado por guias, disposto a explorar centros históricos e atrações emblemáticas e que, dependendo do mercado de origem, apresenta diferenças relevantes na forma de consumir experiências.

O cenário acompanha a expansão das chegadas internacionais. Entre 2019 e 2025, o Brasil registrou crescimento de 46% no número de visitantes estrangeiros, quarta maior alta entre as economias analisadas pelo relatório OECD Tourism Trends and Policies 2026. O país ficou atrás apenas de Arábia Saudita (+67%), Marrocos (+53%) e Egito (+47%).

Na plataforma da Civitatis, porém, o comportamento desse público revela outra dimensão do crescimento. Cerca de 77% das reservas de experiências realizadas no Brasil são de estrangeiros, contra 23% de brasileiros.

“O retrato é claro: o Brasil não cresce apenas em número de chegadas, mas também em apetite por experiências”, comenta Alexandre Oliveira, gerente regional da Civitatis.

Proximidade determina volume, distância aumenta gasto

Os países vizinhos são responsáveis por parcela importante desse movimento. Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile representam, juntos, quase metade das reservas. Os argentinos ocupam a primeira posição, inclusive à frente dos próprios brasileiros, enquanto o Uruguai aparece em terceiro lugar.

A Espanha é o principal mercado europeu, seguida por Itália, França e Portugal.

O comportamento muda quando o critério deixa de ser quantidade e passa a considerar o valor das reservas. México, Colômbia, Peru e Itália apresentam tickets médios que podem chegar a quase três vezes os registrados entre brasileiros e argentinos.

Os dados indicam, portanto, dois perfis. Os mercados do Cone Sul sustentam maior volume, mas concentram o consumo em traslados e atividades de menor duração. Já visitantes de longa distância chegam em menor número, porém demonstram maior disposição para adquirir experiências completas e de maior valor agregado.

Primeiro conhecer a cidade, depois explorar

Outro comportamento aparece na escolha das atividades. Excluindo os traslados, 37,7% das reservas são de visitas guiadas e tours. Os tradicionais free tours pelos centros históricos têm destaque principalmente no Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

Excursões de dia inteiro aparecem em seguida, incluindo roteiros para Cataratas do Iguaçu, Arraial do Cabo, Petrópolis e Angra dos Reis. Depois vêm ingressos para atrações como Beto Carrero World, AquaRio e Maracanã.

Entre as experiências individuais mais procuradas estão o free tour pelo centro histórico do Rio de Janeiro e Escadaria Selarón, a visita ao Cristo Redentor com subida de trem e o free tour pelo Pelourinho e centro histórico de Salvador.

“É um mix que confirma um viajante que busca se orientar culturalmente pela cidade primeiro, com um guia, antes de partir para as experiências mais específicas e conectadas à natureza”, analisa Oliveira.

Rio lidera, mas procura começa a se espalhar

A preferência ainda é bastante concentrada. O Rio de Janeiro responde sozinho por praticamente metade das reservas de experiências feitas por estrangeiros. Salvador, São Paulo, Recife, Foz do Iguaçu e Natal completam o grupo dos seis destinos que reúne aproximadamente três em cada quatro reservas.

O Nordeste representa cerca de um quarto da demanda quando consideradas suas capitais e praias. Florianópolis, Penha, Paraty e Fortaleza também aparecem entre os dez destinos mais procurados.

Há, contudo, sinais de mudança nesse mapa. Manaus registrou crescimento de 49% nas reservas durante o primeiro semestre, enquanto Recife mais que dobrou o volume na comparação anual e alcançou a quarta colocação.

“Ver o Rio de Janeiro concentrar quase metade das reservas confirma sua força como porta de entrada, mas o dado mais animador é a diversidade que aparece logo atrás”, afirma Oliveira.

Para o mercado turístico, o comportamento indica um desafio que acompanha o crescimento das chegadas internacionais: ampliar a circulação do visitante pelo território e transformar o interesse inicial pelos principais cartões-postais em consumo de experiências em novos destinos brasileiros.

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