O conceito de viagens exclusivas passa por uma transformação profunda no mercado brasileiro. Durante a 28ª edição da Avirrp, em Ribeirão Preto (SP), a curadoria do inédito Espaço Luxury ficou a cargo da Velle Representações. Rebatizada conceitualmente como Cruise Collection, a iniciativa destacou a evolução de um setor que substituiu a ostentação tradicional pela busca por vivências autênticas e memoráveis.
Para Ricardo Alves, diretor da Velle, a definição de sofisticação tornou-se algo estritamente pessoal. “Para mim, o luxo hoje em dia é uma questão muito de experiência de cada um. O luxo é o conjunto de coisas que faz com que a tua experiência te dê uma sensação de se maravilhar com o que você está experimentando”, afirma.
No segmento de navegação, essa visão coloca o destino e sua bagagem histórica como os verdadeiros protagonistas. Diferente dos grandes transatlânticos focados no entretenimento a bordo, as embarcações menores funcionam como hotéis flutuantes, combinando conforto e alta gastronomia para aproximar os viajantes da essência de cada região.

Expansão e estruturação do mercado brasileiro
Com quase 12 anos de atuação no mercado, a Velle reúne 19 marcas em seu portfólio. Esse modelo, que integra até companhias concorrentes entre si, reflete a estratégia de estruturar um nicho que ainda se consolida no país. “A gente tem que criar um mercado que não existe. Eles estão muito baseados no mercado americano, inglês e alemão, mas o mercado brasileiro a gente tem que fazer acontecer”, destaca o executivo. A resposta do público tem sido expressiva, registrando um crescimento superior a 15% no número de passageiros embarcados.
Flexibilidade de rotas e destaques fluviais
A flexibilidade das rotas ao longo do ano também impulsiona a demanda. Embora a temporada europeia se estenda de fevereiro a dezembro, operadoras oferecem saídas mais curtas no inverno, de três a seis noites. Essas viagens permitem aos passageiros mesclar o roteiro fluvial com etapas terrestres e vivenciar atrativos sazonais, como os tradicionais mercados de Natal.
Ricardo Alves dá uma dica para quem estreia nos cruzeiros fluviais e as recomendações focam nas paisagens mais marcantes. O Alto Danúbio desponta ao cruzar até cinco países entre a Hungria e a Alemanha, enquanto o Rio Reno impressiona pelos mais de 30 castelos que acompanham o trajeto entre Amsterdã e a Suíça. Roteiros pela França, como o Rio Sena — conectando Paris à Normandia —, e a navegação contemplativa pelo Rio Douro, em Portugal, completam as opções. “Somados aos cruzeiros de expedição e aos iates de alto padrão, esses itinerários consolidam uma nova forma de explorar o mundo com profundidade e conforto”, conclui.







