Brasil premia games que transformam destinos em experiências digitais

Projetos inspirados em patrimônio, história e cultura popular recebem R$ 190 mil durante participação brasileira na Gamescom 2026

Kamilla Alves
Kamilla Alves
Gestora Web - E-mail: milla@brasilturis.com.br

A cultura brasileira ganhou espaço na Gamescom Cologne 2026, na Alemanha, por meio de uma estratégia que aproxima turismo, economia criativa e jogos eletrônicos. A Embratur e a Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Games (Abragames) anunciaram os quatro vencedores da terceira edição do concurso Brasil Tá Pra Game, que distribuirá R$ 190 mil em premiações.

O resultado foi apresentado durante a feira realizada no centro de exposições Koelnmesse. Mais do que apoiar a indústria nacional de games, a iniciativa busca transformar paisagens, patrimônio, história e manifestações culturais do Brasil em narrativas capazes de alcançar o público internacional.

Nesta edição, os projetos premiados representam estúdios do Maranhão, Distrito Federal e São Paulo e exploram referências que vão do centro histórico de São Luís ao sertão nordestino.

O primeiro lugar ficou com Lunar Axe, do OPS Studio, de São Luís (MA), que receberá R$ 70 mil. O jogo de aventura e mistério utiliza como cenário o centro histórico da capital maranhense, com ambientes desenvolvidos a partir de estudos de locações reais e referências à arquitetura colonial.

Hell Clock, da Rogue Snail, de Brasília (DF), conquistou a segunda posição e R$ 50 mil. O RPG de ação tem como inspiração a Guerra de Canudos e recria elementos do sertão nordestino, combinando referências históricas a uma produção que inclui dublagem de atores baianos.

O terceiro colocado foi Hit It Back, da Sue the Real, de São Paulo (SP), com prêmio de R$ 40 mil. O título transforma a brincadeira conhecida como “Taco Bets” em uma experiência digital e utiliza cenários urbanos e ritmos populares para abordar elementos da cultura periférica brasileira.

Já a categoria Novo Entrante selecionou Capote, da Luski Game Studio, também de São Paulo. Premiado com R$ 30 mil, o jogo transporta para o ambiente digital a experiência dos tradicionais jogos de cartas em bares brasileiros.

Games como ferramenta de promoção do Brasil

A iniciativa se insere em uma estratégia de utilização da economia criativa para ampliar a exposição internacional de referências brasileiras. Segundo dados da Abragames citados pela Embratur, 55% da receita dos estúdios nacionais de jogos eletrônicos vem do mercado externo, superando US$ 138 milhões em negócios globais.

“O ‘Brasil Tá Pra Game’ une cultura brasileira e inovação para apresentar o país de forma estratégica ao mundo”, afirma Roberto Gevaerd, diretor de Gestão e Inovação da Embratur.

Para o executivo, a característica internacional da indústria permite levar narrativas brasileiras diretamente a consumidores de diferentes mercados, criando uma nova frente para a construção da imagem do País no exterior.

A ação envolve ainda a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e o Sebrae, em uma articulação que combina promoção internacional, desenvolvimento de negócios e apoio à indústria brasileira de games.

Gamescom reúne 11 projetos brasileiros

A participação na Gamescom 2026 também marca uma ampliação da presença do projeto junto ao público. Pela primeira vez, um espaço coletivo reúne os 11 jogos premiados nas três edições do Brasil Tá Pra Game para experimentação pelos visitantes.

O portfólio inclui títulos como Árida, inspirado no sertão brasileiro; Língua, com referências ao folclore nordestino; Gaucho and The Grassland, ambientado na cultura do Rio Grande do Sul; além de Maranhão Encantado, A Lenda de Niterói e Aleijadinho Virtual.

A proposta amplia a atuação para além das conexões comerciais entre empresas. Segundo Rodrigo Terra, presidente da Abragames, a estreia do Brazilian Indie Pavilion permite combinar as frentes B2B e B2C durante uma das principais feiras internacionais do setor.

Para a promoção turística, a exposição transforma os jogos em uma espécie de vitrine digital de diferentes territórios brasileiros. Ao inserir arquitetura, paisagens, episódios históricos e manifestações culturais nas narrativas, os títulos permitem que referências dos destinos cheguem ao público internacional antes mesmo de uma eventual viagem ao País.

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