A Associação Latino Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev) promoveu, em agosto, um webinar sobre a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que entrou em vigor em 26 de maio. O encontro discutiu a inclusão dos riscos psicossociais no gerenciamento de saúde e segurança do trabalho e os impactos desses fatores sobre pessoas, operações e resultados das empresas.
A apresentação foi conduzida por Vivian Lemes, gerente de Recursos Humanos do Grupo MM Full Experience, com abertura e mediação de Luciana Salustri, coordenadora de comunidades da Alagev. Durante o encontro, foram abordadas as principais mudanças da NR-1, que estabelece diretrizes gerais para a gestão de riscos ocupacionais e passou a contemplar de forma mais estruturada os fatores psicossociais relacionados ao trabalho.
A discussão considerou o aumento dos afastamentos e os impactos associados aos transtornos mentais, além da necessidade de incorporar o tema à rotina de gestão das organizações. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 15% dos adultos em idade ativa tinham algum transtorno mental em 2019. A entidade estima ainda que depressão e ansiedade provoquem a perda de cerca de 12 bilhões de dias de trabalho por ano no mundo, com impacto estimado em aproximadamente US$ 1 trilhão anuais em perda de produtividade.
Entre os fatores de risco psicossocial apresentados estão excesso de carga de trabalho e jornadas extensas, baixa autonomia, falta de clareza sobre funções e responsabilidades, falhas de comunicação, liderança despreparada, conflitos interpessoais, assédio moral e sexual, pressão constante por resultados, baixa previsibilidade das atividades e falta de reconhecimento.
Riscos psicossociais entram no PGR
Um dos pontos centrais do webinar foi a necessidade de identificar e gerenciar os riscos psicossociais dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), considerando as características e a realidade de cada organização.
A metodologia apresentada prevê etapas como levantamento das condições de trabalho, aplicação de questionários aos trabalhadores, identificação e graduação dos riscos, elaboração de planos de ação e acompanhamento dos resultados.
A norma não determina a realização de laudos psicológicos individuais para todos os trabalhadores nem estabelece, de forma geral, a contratação de especialistas específicos. O foco está na gestão dos riscos ocupacionais identificados no ambiente de trabalho.
O acompanhamento deve ser contínuo e pode utilizar ferramentas e indicadores como reaplicação de questionários, pesquisas de clima, avaliações periódicas e ciclos de melhoria. A proposta é permitir que as organizações verifiquem a efetividade das medidas adotadas e façam ajustes quando necessário.
A documentação também foi apontada como parte do processo. Registros da aplicação dos instrumentos, calendários de ações, listas de presença, relatórios, evidências das iniciativas realizadas e documentos relacionados ao PGR e ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) podem ser utilizados para demonstrar as medidas adotadas pela empresa em eventuais processos de fiscalização.
Responsabilidade compartilhada
A gestão dos riscos psicossociais não é atribuída exclusivamente ao RH ou à área de Segurança do Trabalho. O gerenciamento envolve diferentes áreas da organização, incluindo empresa, lideranças, profissionais de RH, equipes de segurança e trabalhadores.
Cabe à empresa disponibilizar estrutura e recursos para o gerenciamento dos riscos. O RH participa do desenvolvimento das lideranças, da condução de iniciativas relacionadas ao bem-estar, do acompanhamento de indicadores e da organização das evidências. As equipes de Segurança do Trabalho contribuem para a identificação, avaliação e gestão dos riscos de acordo com as diretrizes estabelecidas.
As lideranças também têm papel na prevenção, incluindo a observação de mudanças de comportamento, o estímulo ao diálogo, a organização colaborativa do trabalho, a identificação de situações de risco e o encaminhamento de colaboradores aos canais de apoio quando necessário.
Cultura organizacional e prevenção
O webinar também tratou da adoção de práticas relacionadas a diálogo, escuta e prevenção. Entre as iniciativas citadas estão rodas de conversa, treinamentos, capacitações e parcerias externas, que podem complementar as estratégias de gerenciamento.
A comunicação interna foi outro ponto abordado. A orientação apresentada foi para que situações relacionadas aos riscos psicossociais sejam encaminhadas por canais oficiais, evitando que informações relevantes fiquem restritas a conversas informais.
“A construção de uma cultura de cuidado depende, ainda, do exemplo das lideranças, do reconhecimento das equipes e da criação de espaços para diálogo”, complementou Luana Nogueira, diretora-executiva da Alagev.
O webinar integra a agenda de conteúdos promovida pela associação ao longo do ano, com foco em educação, inovação e desenvolvimento do mercado de viagens corporativas e eventos no Brasil.










