Em um momento de recordes para o turismo brasileiro, o setor ganha espaço nas discussões sobre os rumos da economia e do desenvolvimento nacional. O Brasil ultrapassou a marca de nove milhões de chegadas internacionais em 2025 e prevê alcançar 10 milhões em 2026, enquanto o turismo doméstico segue como importante vetor de movimentação econômica, geração de empregos e desenvolvimento regional. Diante desse cenário, os planos de governo dos candidatos à Presidência da República apresentam diferentes visões sobre como aproveitar o potencial turístico do País.
A ordem dos candidatos nesta reportagem segue o levantamento do Real Time Big Data divulgado nesta terça-feira (1º). Entre os documentos analisados, há propostas com capítulos específicos para o turismo, enquanto outros tratam o setor de maneira pontual ou não apresentam medidas diretamente relacionadas à atividade.
As propostas passam por temas como promoção internacional, infraestrutura, conectividade, segurança, crédito, sustentabilidade, turismo rural, desenvolvimento regional e qualificação profissional.
Confira o que cada candidato apresenta para o turismo brasileiro:
Luiz Inácio Lula da Silva
No programa de governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o turismo aparece inserido entre as estratégias de desenvolvimento econômico e regional. O documento destaca resultados registrados durante o atual mandato, como o crescimento do turismo doméstico, o recorde de visitantes internacionais, o aumento dos gastos de estrangeiros no País, a abertura de um escritório regional da Organização Mundial do Turismo (OMT) no Rio de Janeiro e a atuação do Fungetur.
Para um eventual novo mandato, o programa prevê a continuidade do apoio ao setor e a ampliação da contribuição do turismo para o PIB, com foco na diversificação de destinos e na valorização da riqueza natural e cultural brasileira. A proposta também aborda a integração entre turismo e setores criativos, como artes, música e gastronomia, além da criação de novos roteiros temáticos.
Na área ambiental, o plano propõe ampliar a valorização dos parques nacionais e incentivar as Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), associando conservação, turismo sustentável, desenvolvimento regional e educação ambiental.
Principais propostas:
- Desenvolver destinos turísticos com base na diversidade natural e cultural;
- Criar e promover novos roteiros de gastronomia, arte, cultura e ecoturismo;
- Integrar turismo e setores criativos;
- Ampliar a promoção internacional do Brasil;
- Incentivar as Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs);
- Valorizar os parques nacionais por meio do turismo sustentável;
- Integrar conservação ambiental, turismo, desenvolvimento regional e educação ambiental;
- Dar continuidade ao apoio ao setor e aos instrumentos de financiamento, como o Fungetur.
Flávio Bolsonaro
No plano de governo de Flávio Bolsonaro, o turismo aparece dentro do eixo “Brasil que Cresce”, que reúne propostas relacionadas a infraestrutura, segurança jurídica, energia, agronegócio, tecnologia, meio ambiente, turismo e inserção internacional.
O documento dedica uma seção específica à atividade, intitulada “Turismo: uma vocação que rende — o que o Brasil tem de sobra e aproveita de menos”. O diagnóstico é de que o Brasil possui grande potencial turístico, mas ainda aproveita apenas uma parcela dessa vocação. A estratégia apresentada relaciona o desenvolvimento do setor diretamente à melhoria da infraestrutura e à segurança, com a avaliação de que aeroportos, rodovias e ferrovias podem ampliar o acesso aos destinos e reduzir custos para os visitantes.
Entre as propostas está a implantação do Trem do Nordeste, com 1.400 quilômetros de trilhos ligando Salvador, Aracaju, Maceió, Recife, João Pessoa, Natal e Fortaleza. A medida é apresentada como uma forma de integrar destinos turísticos, cidades históricas e polos culturais da região.
Principais propostas:
- Ampliar a promoção do destino Brasil;
- Valorizar as vocações turísticas de cada região;
- Associar investimentos em infraestrutura ao desenvolvimento turístico;
- Implantar o Trem do Nordeste, ligando capitais nordestinas;
- Concluir a Transnordestina e ampliar seu escopo para Paraíba e Rio Grande do Norte;
- Destravar projetos ferroviários, incluindo a Ferrogrão;
- Melhorar a conectividade entre destinos;
- Priorizar segurança pública como condição para o desenvolvimento do turismo;
- Utilizar infraestrutura de transporte para ampliar o acesso e reduzir custos de deslocamento.
Augusto Cury
O programa de governo de Augusto Cury apresenta propostas de turismo distribuídas em diferentes projetos. Uma delas está relacionada diretamente ao turismo rural e ao agroturismo, apresentados como instrumentos de diversificação de renda, valorização das propriedades rurais e fortalecimento da cultura do campo.
A atividade também aparece no Projeto BEE — Brasil Empreendedor nas Estradas, que prevê a criação de polos de empreendedorismo ao longo das rodovias brasileiras. A ideia é formar uma rede de pontos comerciais estruturados, com participação da agricultura familiar e da produção local, que também possa impulsionar o turismo e a economia regional.
Outra frente está no Projeto Embaixadas Empreendedoras (PEE), que propõe transformar embaixadas e consulados brasileiros em plataformas de promoção econômica, comercial, cultural e turística. O projeto prevê ações internacionais específicas para divulgar o Brasil como destino.
Entre as medidas estão feiras internacionais, programas com influenciadores estrangeiros e duas “Black Weeks” internacionais do turismo brasileiro por ano, com participação de companhias aéreas, hotéis, restaurantes, operadoras e plataformas conveniadas.
Principais propostas:
- Incentivar o turismo rural e o agroturismo;
- Utilizar polos comerciais nas rodovias para impulsionar o turismo regional;
- Integrar agricultura familiar, produção local e turismo;
- Transformar embaixadas e consulados em plataformas de promoção turística;
- Realizar feiras internacionais com participação do setor de turismo;
- Criar o programa de influenciadores estrangeiros para promoção do Brasil;
- Realizar duas “Black Weeks” internacionais do turismo brasileiro por ano;
- Promover experiências turísticas na Amazônia associadas à bioeconomia e às comunidades locais;
- Usar turismo ecológico como alternativa de geração de renda para populações ribeirinhas.
Renan Santos
O plano de governo de Renan Santos não apresenta, no material analisado, propostas específicas ou um capítulo dedicado ao turismo.
Ronaldo Caiado
Entre os programas analisados, o de Ronaldo Caiado é o que apresenta uma abordagem mais ampla e detalhada para o turismo, com um capítulo exclusivo intitulado “Turismo: desenvolvimento regional, emprego e imagem do Brasil”.
A proposta trata o turismo como uma cadeia produtiva estratégica para geração de empregos, renda, divisas, preservação do patrimônio e projeção internacional. O programa estabelece uma estratégia de longo prazo, com metas para visitantes, receita, permanência, emprego formal e distribuição regional dos fluxos turísticos.
O plano também propõe integrar turismo a infraestrutura, segurança, cultura, meio ambiente, esporte e política externa. Entre as medidas estão a criação de uma Estratégia Nacional de Turismo 2035, profissionalização da gestão de destinos, melhoria da conectividade aérea e terrestre, investimentos em infraestrutura turística, segurança do visitante, promoção internacional baseada em dados e modernização dos mecanismos de crédito.
Principais propostas:
- Criar a Estratégia Nacional de Turismo 2035;
- Estabelecer metas para visitantes, receita, permanência, emprego e distribuição regional;
- Profissionalizar a gestão de destinos turísticos;
- Ampliar a conectividade aérea, terrestre, ferroviária e marítima;
- Melhorar aeroportos, rodovias, saneamento, sinalização e acessibilidade;
- Integrar segurança pública e proteção do visitante;
- Dar continuidade à atuação técnica da Embratur;
- Orientar a promoção internacional por dados e resultados;
- Estimular o turismo doméstico e as viagens fora da alta temporada;
- Modernizar o Fungetur e instrumentos do BNDES e bancos regionais;
- Facilitar o acesso de pequenos negócios ao crédito e à digitalização;
- Incentivar reservas, comércio eletrônico e uso de inteligência artificial;
- Ampliar a qualificação profissional e o ensino de idiomas;
- Estruturar turismo de natureza, aventura e conservação;
- Desenvolver turismo cultural, religioso, gastronômico e rural;
- Ampliar a atuação em eventos, negócios, esporte e audiovisual;
- Desenvolver políticas de turismo acessível, sustentável e resiliente;
- Criar indicadores para acompanhar o desempenho do setor.
Romeu Zema
O plano de governo de Romeu Zema dedica um capítulo específico a Cultura e Turismo e apresenta o setor como uma atividade econômica estratégica para geração de emprego, renda e desenvolvimento regional. O documento parte da avaliação de que o Brasil possui amplo potencial turístico associado às praias, florestas, parques, patrimônio histórico e diversidade cultural, mas ainda transforma apenas parte desses ativos em atividade econômica.
Com o subtítulo “Transformar o nosso potencial ambiental em riqueza”, o programa propõe estruturar destinos de turismo sustentável a partir da biodiversidade e dos diferentes biomas brasileiros, com concessões de parques, qualificação da mão de obra local, melhoria da infraestrutura e criação de um marco regulatório voltado à preservação do patrimônio natural.
O plano também aposta em uma maior participação do setor privado na gestão de atrativos turísticos e equipamentos culturais. Entre as propostas estão concessões e parcerias para parques nacionais, estaduais e municipais, além de investimentos privados em aeroportos, portos, rodovias, terminais, centros de convenções e espaços públicos de visitação.
A segurança aparece como outro eixo central. O programa classifica a criminalidade como um dos principais obstáculos à atração de visitantes e propõe um programa com metas de redução da violência, policiamento integrado e monitoramento tecnológico nos destinos mais procurados.
Na promoção turística, a proposta é posicionar o Brasil entre os principais destinos do mundo por meio de campanhas baseadas em inteligência de mercado. O plano ainda prevê a profissionalização da gestão dos destinos, com apoio a estados, municípios e regiões turísticas na elaboração de planos de desenvolvimento, criação de observatórios e utilização de indicadores de desempenho.
Principais propostas:
- Estruturar destinos de turismo sustentável aproveitando a biodiversidade brasileira;
- Ampliar concessões e parcerias com o setor privado na gestão de parques e atrativos;
- Qualificar a mão de obra local para o turismo;
- Melhorar a infraestrutura de apoio ao setor por meio de concessões, parcerias e investimentos privados;
- Investir em aeroportos, portos, rodovias, terminais, centros de convenções e equipamentos turísticos;
- Estabelecer metas para melhorar a segurança nos destinos turísticos;
- Integrar policiamento e monitoramento tecnológico em áreas de maior fluxo;
- Expandir a formação técnica em turismo, hotelaria, gastronomia e eventos;
- Ampliar o ensino de idiomas, competências digitais, hospitalidade e empreendedorismo;
- Fortalecer a promoção nacional e internacional dos destinos brasileiros;
- Utilizar inteligência de mercado nas campanhas de promoção;
- Criar e fortalecer observatórios e sistemas de inteligência turística;
- Apoiar a captação de congressos, feiras, festivais, eventos esportivos e encontros de negócios;
- Estruturar rotas culturais, gastronômicas e patrimoniais;
- Integrar turismo, cultura e economia criativa como instrumentos de desenvolvimento regional;
- Projetar internacionalmente a cultura brasileira como ferramenta de promoção do País.

